Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Na hora certa invadi um matadouro

Estávamos no final dos anos sessenta. O povo brasileiro se achava enganado pelo cartel da distribuição da carne de boi por todo o Brasil.


Todos sabemos que as crises num país emergente e de terceiro mundo, sobretudo no chamado Brasil, o país do futuro, faz as nações serem dominadas pelo comércio controlado por atravessadores.


Num daqueles dias de final de semana, usei da residência de minha mãe para reunir vizinhos e amigos, no sentido de em conjunto, descobrirmos uma forma de matarmos a saudade de comer carne de boi, produto tão explorado e de difícil obtenção naquele momento.


Ao final da reunião, decidi que naquela mesma noite tentaria comprar uma grande quantidade de carne num matadouro de nossa Cidade. Senti falta de confiança do pessoal na minha afirmativa, mas segui em frente no meu intento.


Peguei mulher e dois filhos menores e dirigi-me para o Matadouro São João, na Baixada Fluminense. Em lá chegando, apontei o carro na direção dos portões da garagem e pisquei os faróis acintosamente, como se fizesse parte daquela empresa. Diante de minha atitude, o vigia imediatamente abriu os portões e entrei rapidamente, indeciso do local onde deveria parar o carro.


Interpelado por um funcionário do local que quis saber o que eu ali fazia, expliquei que tinha ido averiguar o principal motivo da falta de carne no mercado. Para minha surpresa, ao invés de me mandar sair, ele respondeu-me educadamente que cumpria ordens do cartel, embora estivessem fazendo matanças reduzidas para atender a hospitais, casas de saúde e órgãos do governo.


Mais surpreso ainda fiquei, quando ele se propôs a me vender o produto, para que eu não perdesse a viagem. Aguardei o tempo necessário e pedi meio boi, o que equivalia a trezentos e cinqüenta quilos de carne.Depois de duas horas de espera, forrei com cuidado a mala do meu velho Chevrolet que, acondicionou parte do boi, sem as patas.


Segui de volta para a casa de minha mãe e o pessoal participante da reunião retornou para pegar sua cota de carne. Satisfeitos, comemoramos o feito e eu saí como herói nessa história.

Fonte de imagem:robsonpiresxerife.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário