Desenhos de Jorge Queiroz da Silva
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O máximo do otimismo
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O mau começo
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Uma decisão importante, inevitável e inadiável!
Era um dia normal de trabalho e eu fazia o que gostava.Era o Chefe de Planejamento e Controle de Produção, na Indústria Química e Farmacêutica e naquele momento, havia substituído um funcionário de propriedade única.Na empresa onde eu estava, ele havia se instalado, há dezesseis anos, num dos maiores e melhores processos de controle e de elaboração de um custo industrial indiscutivelmente seguro pela sua imposição, que exigia que não se errasse de forma alguma em seu funcionamento, e que levaria a indústria a ser planejada sem erros na sua produtividade, por anos e anos seguidos, sem nenhuma duvida de que poderia falhar no seu planejamento industrial, fosse ele de curto ou de longo prazo.Iinfelizmente, a empresa havia perdido este excelente funcionário, pois ele tinha passado a pensar num novo e importante trabalho, a convite de um consultor de grande conhecimento no mercado, que lhe fez aceitar um desafio junto a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais. Seria inevitável a sua saída da empresa onde junto trabalhávamos e por admirá-lo e pela observação que eu fazia àquela figura tão rara no meu caminho profissional, procurei seguir os seus passos e me sentir um observador de sua forma de administração.Aí então me vem o primeiro teste importante dentro de minha atuação nessa substituição, com o pessoal envolvido e no sistema funcional da área de fabricação, quando identifiquei que o chefe de operações no preparo de tônicos e fortificantes havia se aproveitado da saída do antigo chefe, e instalado um esquema que facilitaria a sua vida na questão de moradia.Ele que anteriormente residia em São João do Meriti, resolveu morar ao lado da indústria, num terreno baldio.E daí, criou para mim o meu primeiro desafio administrativo, quando eu fui chamado por um funcionário também chefe e responsável pela área de máquinas de envasamento dos remédios, que me conduziu a sala de fabricação, onde o novo funcionário se instalou e exibiu o que ele havia feito no salão de operações de enchimento dos produtos. - “gatos” nas ligações de água e de energia elétrica - , puxando essas ligações pelas janelas que conduziam a claridade necessária ao sistema de economia dessa mesma sala. Esses gatos iam direto para o “barraco” que ele havia montado no terreno baldio.Pensei como resolver o problema, pois sua atitude , contra todos os princípios da legalidade, exigia que a empresa fosse trimestralmente, visitada pelos serviços de fiscalização da medicina do nosso CRM, o Conselho Regional de Medicina. Decidi cortar as ligações e vieram as alegações de que ele tinha quatro filhos e era um pobre coitado.Retruquei que também era pai e tinha minhas obrigações na vida, o trabalho e minha carreira e que não ia me deixar levar por uma imposição de um trabalhador que, sem nenhum diálogo com a chefia, toma uma decisão desse porte, fosse qual fosse sua necessidade.Fiz então, a minha primeira intervenção, que poderia abalar o meu conceito, junto aos quatrocentos e tantos outros empregados que eram dirigidos pelo meu planejamento, mas jamais eu podia correr da raia, como se diz na gíria. Chamei o pessoal do serviço de manutenção de abastecimento de água e energia e autorizei imediatamente o corte de todo o fornecimento para o “barraco” do desafiante funcionário, que teria lançado para mim o meu primeiro grande teste de carreira profissional. Tomei tal atitude sem lhe dirigir uma palavra sequer, seguindo o seu mesmo critério de instalar tudo, sem me dizer nada, simplesmente me ignorando.Pensam vocês que o assunto morreu aí?Qual nada, ele mandou-me um aviso por outro funcionário dizendo que iria me matar naquele mesmo dia, no horário de saída. Fui alertado por vários funcionários para não sair, mas, felizmente eu não obedeci a nenhum dos conselhos e na hora da saída avisada pela sirene da indústria, me dirigi ao ponto do ônibus e lá estava postado o tal matador.Fui exatamente em sua direção e notei que, como me avisaram, ele portava na cintura um punhal. Sem demonstrar meu medo, coloquei-me ao seu lado e assim, as coisas pararam por aí.Com esse meu ato de coragem, consegui confirmar que seria o maior absurdo morrer na mão daquele “cabra da peste”, pois o nosso bom Deus assim não queria. Tenho certeza de que minha atitude o fez pensar melhor nos seus atos.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Meu "doping" infantil, aos sete anos de idade!
Sou um assíduo ouvinte da CBN, minha rádio diária de notícias.Considero-a bastante esclarecedora em todos os pronunciamentos e notícias seguras e verdadeiras.Confesso que às vezes, chego a incomodar pessoas da minha casa de diferentes idades e escolhas, tendo já adotado o uso do fone de ouvido para não trazer mal-estar aos que comigo convivem. Minha esposa vive me alertando para que eu tenha cuidado com o fone no ouvido, que pode acarretar algum mal para o meu aparelho auditivo.Infelizmente, não posso ficar sem noticiário, pois noticias dão vida e cor as nossas esperanças de uma realização, pois por mais insignificante que seja o homem, ele sempre buscará na vida, o interesse de viver saudavelmente, tanto profissionalmente falando, como dentro da própria família.O noticiário de hoje se prendia ao doping no esporte e na ginástica olímpica, e existe nessa rádio, um experiente comentarista na área de interesses da saúde em geral, o Fernando de Aquino. Nessa hora eu fico sempre atento aos seus comentários corretos e seguros.Com relação a esse assunto do doping, não julgou como de um valor criminoso, o fato de ser utilizado com freqüência pelos atletas, que aceitam usar determinados remédios, com o objetivo de fazerem crescer seus números de resultados em competições.Muito inteligentemente ele afirmou na sua narrativa, que as autoridades esportivas, condenam determinadas providências médicas, que assessoram no mundo inteiro, vários atletas de diferentes modalidades e que nem sempre são corretas nas suas afirmações.Eu, mesmo me considerando um leigo nessa área, também clamo para que observem bem o uso e o efeito de determinados anabolizantes, que não serão aqueles que são sempre usados em alguns casos, como sendo gatilhos faltosos, para se vencer em competições de grande monta, sejam elas ou não de fundamento regional ou internacional, mas sim, para dar proteção de saúde ao participante que se prepara para a competição e pode vir até a morrer se mal assessorado estiver por uma equipe médica, que não mantenha sob vigília os seus treinamentos técnicos e físicos, para o melhor resultado a alcançar!E o comentarista Fernando foi além , citando que os índios em sua vida cotidiana, usam determinadas ervas para terem melhor disposição física para remarem suas canoas e percorrerem as matas em suas caçadas.Aí então vem na minha historia, o meu doping aos sete anos de idade, quando um guia espiritual, deu para minha mãe uma receita que traria a mim a resistência física necessária, para eu ser uma criança feliz, para resistir as brincadeiras e ter memória necessária para os meus estudos. E este doping era constituído de um cálice de vinho do porto, acrescido de uma gema de ovo. Eu deveria tomá-lo durante sete dias seguidos, depois descansar mais sete dias, e tornar repetir a mesma dose, até assim completar sete vezes. Depois desse ciclo de sete dias eu estaria preparado para as brincadeiras e os estudos pelo resto da minha vida .Aí então eu afirmo – esse não teria sido o meu doping de atletismo infantil, em que eu baseio a abertura dessa crônica ?Vejam bem se eu não estou com a razão!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Um publicitário ousado e criativo
As coisas acontecem na vida da gente e somente após vivermos outras tantas aventuras, vamos valorizar e arrancar exemplos de uma vida diferente.Às vezes até chamamos e apelidamos determinadas vidas de causas inconseqüentes ou inventivas em excesso, mas acho que nunca devemos assim classificar conhecimentos que adquirimos pelo caminho, que nos foram passados em nossos itinerários de vida e que nos exibiram sem dúvida, francas e extensas formas de viver, pois nós homens, viemos ao mundo para criar coisas e buscar parcerias.Vem aí então o titulo dessa crônica, que me chamou a atenção pela felicidade que tive em conhecer, o jovem e inspirado publicitário o meu amigo de apenas seis meses de convívio, Paulo Brocá.E ouso aqui falar dele, inclusive sem saber se ele é ainda vivo, mas que mesmo assim, eu não posso duvidar que ele não o seja, pois acho que posso afirmar que pela sua inteligência e criatividade, com certeza deve estar bem vivo por aí, pois é o tipo de figura humana, que tem conceitos para enganar a própria morte.Quando decorriam os anos setenta, eu que estava em trabalho, já há mais de dez anos no mercado da construção civil, fiquei de repente desempregado.A empresa onde eu trabalhava, entrava num processo de falência, e eu que estive bem antes, já observando o preparo de um pedido de concordata, e que tinha conhecimento, que administrativamente era longo e penoso, já estava então vivendo como um executivo hiper-preocupado e estressado.Eu, com família para sustentar e que jamais tinha participado diretamente de um processo judicial de uma empresa no início de uma fase de falência, resolvi abandonar o barco que já fazia água e se preparava para afundar.Como já estava saturado na preparação do processo da concordata, não tive a coragem de encarar um novo processo falimentar, pesado e muito discutível entre os participantes e responsáveis, pra atender aos milhares de credores, que se apresentam para compor um quadro da massa falida, que fica diante de um síndico escolhido pela massa falimentar.Por isso, resolvi abandonar os meus direitos trabalhistas e parti em busca de um mundo novo.Encontrei apoio em um amigo antigo, o Waldir Lopes Gonçalves, que era gerente de um banco, e que se ligava ao referido Paulo, um correntista da sua agência bancária e bem ligado aos negócios da empresa dele de publicidade.Assim sendo, o amigo Waldir, para não me ver parado, fez pra mim uma apresentação, que viria me ligar numa nova expectativa de trabalho, em uma área profissional que me daria uma ampliação na minha visão no mercado publicitário, pois o pouco que conhecia era de, num passado distante, ter trabalhado em dois jornais cariocas, mas sem nenhum conhecimento de publicidade de encartes e revistas semanais.E aí então dei inicio ao meu trabalho, na agência de publicidade do Paulo Brocá.Primeiramente ele não acertou nenhum ganho para mim e fui fiando todas as minhas necessidades e aguardando que ele me oferecesse , um trabalho com uma nova especialização.Vejam vocês, nada aconteceu, pois eu fiquei bem ilustrado de que pudesse existir um trabalho, igual a um departamento de câmbio de vida profissional.Ao tentar conversar com ele sob o meu envolvimento e o meu contrato de trabalho fiquei surpreendido, quando ele me disse que não usava dinheiro para pagar aos seus empregados.Confirmou que sempre se utilizava do processo de trocas, em relação ao seu trabalho e ao de todos da área publicitária, me deixando sem saída quando afirmou que se eu quisesse trabalhar para ele, teria que ser daquele modo, pois em geral os seus contratos publicitários eram trocados com as empresas anunciantes. E assim o eram sua residência, fruto dos contratos de publicidade imobiliária, seu carro , contrato das empresas fabricantes ou vendedoras consorciadas que com ele anunciavam. Da mesma forma eram o calçado que calçava, a roupa que vestia, o escritório da sua empresa, a telefonia, os equipamentos para o escritório, o remédio que tomava para a saúde e até as jóias com que presenteava a mulher. Tudo aquilo se incluía nas trocas cambiais de serviços profissionais.Depois daquela explanação convincente me perguntou se eu ia topar. Aí então após seis meses, fiquei frustrado e procurei o meu amigo Waldir, para colocá-lo a par de que não poderia trabalhar daquela forma, cambiando as minhas coisas e a minha vida.Nunca pensei que aquela forma de pagamento jamais pudesse existir, principalmente num país emergente como o nosso, sem ter nenhuma garantia técnica ou profissional.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Minha tia Emília
Eu confesso que a vida segue dinastias, mas a principal delas, é por certo, a das “Tias”, Fico admirado de somente agora, eu prestar atenção a um detalhe que sempre foi predominante em minha vida. Eu não conseguia, até hoje, fazer qualquer afirmação a respeito deste assunto, talvez até pelo fato, de não ter sido em vida contemplado, com uma tia, pois os irmãos de minha mãe eram todos homens. Dessa forma, só me forneceram “tias postiças”, ou seja, na realidade, como se diz no contrabando, “tias do Paraguai”. Ainda pelo motivo de residir no Rio de Janeiro, eu não pude conhecer a família oriunda de meu pai, que por certo, me contemplaria com seis maravilhosas “tias”. Pelo fato de nunca ter viajado para o Recife, não cheguei a conhecer nenhuma delas, porque meu pai faleceu prematuramente, aqui no Rio de Janeiro. Assim sendo, só me resta citar a relação carinhosa, que mantive ao longo da minha vida, com as tias de minha mãe e com as tias de contrabando e por fim, também com as tias de aluguel, que pela minha observação, são aquelas que andam buscando, crianças bonitas e engraçadinhas, que as chame de “tias,” para o orgulho da sua alta estima. Daqui para frente, vou rebuscar no fundo das minhas lembranças, o que pude observar em relação às tias, que me autorizaram a titular o assunto com o gracioso título de “A dinastia das Tias”.E vem aí então, a primeira tia, “a tia Emília”. Não pensem vocês ser ela a mesma daquele programa infantil, do “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Esta era com certeza, a figura da tia que mais me impressionou. Era tia de minha mãe, alta, esguia, sisuda, só vestia roupas pretas e com bordados em branco.Era uma viúva convicta, sempre de salto alto, sempre de chapéu e usava um véu no rosto, a perfeita dama antiga. Eu, ainda criança, ficava muito impressionado, quando a minha mãe anunciava sua chegada. Eu então, dava uma corrida até a porta, e ainda tinha tempo de observar, ela toda cheia de pose, descendo do carro de aluguel, que a trazia, sempre que nos visitava. O clima da minha casa mudava, minha mãe me avisava - olha lá meu filho, não fale demais, para não dizer muita coisa, que ela possa ficar nervosa ou preocupada, ela é pessoa muito exigente, ela foi casada com meu tio Júlio, irmão do teu avô, que era um diplomata, que viveu no exterior, na embaixada brasileira na França. Ele foi o responsável pelo meu nome de batismo, “Hermance”, um nome de origem francesa - .E eu então, muito comportado eu pedia a sua benção, e ficava de olho nela, observando ela retirar das mãos, a luva de couro preta, pendurar a sombrinha no porta chapéus, e levantar o véu do rosto e me observar dizendo -ô “Mancinha”, como este menino esta “magrinho” - e olhando para mim dizia - deixe-me ver as suas mãos, e berrava com uma voz rouca, que unhas sujas menino, vá lavar estas mãos! Se não eu não te dou, as balas que trouxe para você- . Eu já sabia, o que ocorreria em seguida - minha mãe me chamava, e me dizia vai correndo até a padaria e traga um daqueles pães-doces, grandes e bonitos, para eu servir um lanche para ela, traga também, duzentos gramas de queijo minas e um pacote de manteiga. Lá iria eu então, para trazer feliz, as coisas que iriam compor o nosso lanche. E assim, durante todo o tempo, em que ela lá estava, eu a admirava e observava sua postura, sua colocação de voz, seu jeito de sentar. Era o tipo da mulher chique e vaidosa, a verdadeira emergente da elite social, que ali se fazia presente e que depois de conversar e saber de minha mãe, as novidades, abria a sua bolsa e me dava uma nota de dez mil reis, dizendo que era para eu comprar o que quisesse.. Dito isso, pedia que eu fosse à esquina parar um carro de aluguel, para que fosse embora. Antes de sair repetia sempre a mesma frase - fique sempre assim, menino, muito bonzinho, para ser um grande homem!
sábado, 9 de janeiro de 2010
Uma Tribuna da nossa Imprensa
Era um dia do mês de setembro de 1976 e eu desembarcava do metrô na estação Carioca, aqui no Rio de Janeiro e me dirigia ao trabalho. Trabalhava nessa época, no mais novo grupo cimenteiro da América Latina, que havia sido inaugurado em 24 de junho daquele mesmo ano.Era a mais moderna e produtiva fábrica de cimentos aqui instalada , que tinha feito a sua entrada no mercado para lutar e batalhar por uma fatia comercial na demanda brasileira de cimentos, brigando em prol de uma nova concorrência contra as antigas fábricas de um cartel de diferentes grupos produtoreshá muito tempo aqui já estabelecido.A fábrica tinha o objetivo de ensacar diariamente, seiscentas mil sacas de cimento portland da melhor qualidade em termos da atual produção brasileira.Aquele dia era um dia de brilho diferente para mim, como um executivo da área de Comércio Exterior, pois seria a primeira grande aquisição que eu faria no esquema de compras de equipamentos técnicos, para implemento da produtividade dessa nova fábrica, recentemente inaugurada.Aquela compra fazia parte de uma encomenda para o recebimento de um pedido de compra de dez caminhões de apanha de minérios, para operar fora de estradas, a um preço já acertado de cinco milhões de dólares cada um, totalizando assim uma compra de cinqüenta milhões de dólares.E eu, teria como compromisso, honrar a empresa fabricante de caminhões pesados fora de estrada,com a entrega de uma carta de fiança bancária, uma vez que iríamos financiar aqueles gigantes e raríssimos utilitários, que como já sabíamos, faziam os serviços de alta produtividade junto da nossa tão importante Vale do Rio doce, aqui no Brasil, no expressivo trabalho no transporte de minérios.E assim eu tinha programado junto com a gerência comercial da SOTREQ, um almoço entre eu e os funcionários daquela equipe de vendas da tão conhecida montadora de veículos pesados do mundo.A entrega da referida carta de fiança bancária, fornecida por um determinado banco comercial brasileiro, seria num almoço que teríamos na sede do nosso Jockey Club Brasileiro.Não posso deixar de dizer, que os caminhões já estavam no porto em ILLINOIS, sòmente aguardando a ordem de embarque.E no dia daquele acontecimento, eu caminhava indo para o trabalho pela rua São José, em direção a sede da empresa e eis que no caminho passo por uma banca de jornais, e vejo a manchete do jornal, A Tribuna da Imprensa, que citava em letras garrafais, e como sempre useira e vezeira de promover assuntos com alusão ao nome do meu digno patrão, um conhecido banqueiro e industrial europeu internacional, o chamando e classificando-o, como um rato de esquema mutinacional e que tentava pelos subterrâneos dos bancos brasileiros, derrubar o nosso sistema financeiro, com as suas tramóias. Nos meandros do artigo citava que o Brasil, estava por ele sendo roubado em negócios junto ao nosso BNDES -uma pura mentira e falsa hipocrisia da nossa imprensa brasileira, pois quem lia aquela manchete era eu, o seu Gerente de Tesouraria no Brasil,que por obrigação era sabedor da falsidade daquela publicação, e que já anteriormente, em publicações mais antigas já teria provocado em nossos escritórios, uma visita constante de procuradores integrantes do nosso Ministério Público.E pensando com os meus botões, eu caminhava aflito para o meu trabalho, e saberia que teria uma luta interna e externa muito grande e não conseguiria de jeito e maneira alguma derrotar a força daquela indesejável bomba jornalística, aquela maldita manchete.Eu só pensava na minha cara diante do staff comercial da SOTREQ, e pensava que vergonha seria para o Brasil.O que vai ser de mim na hora do almoço quando não tiver em mãos a carta de fiança bancaria para entregar?Mas mesmo assim, não esperei pela chegada do meu patrão, fui a luta, às nove da manhã para me encontrar com a diretoria do referido banco, e em lá chegando o superintendente regional estava cheio de dedos comigo, e me perguntou discretamente se eu tinha visto as manchetes dos jornais, ao que eu confirmei. Como eu já esperava, ele disse que teríamos problemas com a entrega da carta de fiança já prometida, pois a Diretoria do Banco,se recusa a entregá-la com aquela publicação contra nós.Então, cheio de firmeza, eu disse que queria que a Diretoria do banco, me dissesse aquilo cara a cara, para então eu dar a minha resposta, que eu não sabia se seria a mesma que seria dada pelo meu patrão.Adentramos a sala da Direção, e depois daquele papo tradicional, do pedido do café e da famosa água gelada e cristalina para todos, o Diretor soltou o verbo dizendo que teria que consultar a Matriz do Banco em São Paulo, e por conseguinte aquela noticia de jornal, ia nos fazer esperar até segunda feira próxima.De imediato eu disse, que achávamos que íamos encerrar as contas naquele Banco, pois tínhamos um movimento de mais de trezentos milhões de dólares com eles, e os caminhões vendidos já estavam no porto prontos para o embarque, dependendo apenas da carta de fiança e não ficaria nada bem, eu ir almoçar com a gerência comercial da SOTREQ, e não estar de posse da tão aguardada carta de aval do negócio já contratado.Afirmei que aquela era a minha posição, e não sabia qual seria a do meu patrão, pois ele não admitia qualquer desaforo financeiro que lhe fizessem. E assim pressionado regressei à empresa e fui direto para a sala da presidência.Quando o patrão me perguntou sobre a tal carta de fiança, eu disse que a noticia da Tribuna da Imprensa, havia nos atingido profundamente.E olhou sério para mim e disse, retrucando e chamando a todos os jornalistas de canalhas, quando me afirmou que eles recebiam dólares, do governo de outras nações da Europa, que o invejavam e o perseguiam, para publicarem noticias na imprensa marrom, aqui no BRASIL e no mundo inteiro, contra mim!E querendo ainda saber qual tinha sido minha resposta para a Diretoria do Banco, eu respondi de pronto, que eu íria imediatamente encerrar todas as contas do grupo de nossas doze empresas, naquele mesmo dia.E ele respondeu-me, que eu tinha feito muito bem, e completou dizendo para informar a empresa vendedora dos caminhões, que ele ia trazer o dinheiro de fora, e pagá-los à vista, ainda reforçando para que fizesse o pagamento do almoço deles. Garantiu-me que eles ficariam, assim muito felizes com a nossa nova decisão.E afirmou ainda, que compraria um jornal no Brasil, para fazer parte do grupo de empresas, e poder se defender daquela podridão da imprensa marrom aqui existente, que sempre o cercava e o perseguia e o chateava.E assim sendo, após decorridos seis meses, eu incluía no rol de nossos controles financeiros, um jornal.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Falando de meu pai
Confesso que nos separamos há mais de meio século.
Sei que você não morreu e está bem vivo dentro de mim.
Hoje brilham em minha cabeça as luzes de uma grande soma de esperanças.
Escrevo hoje, o que já deveria ter feito há muitos anos. Tento colocar a minha emoção e buscar nos poucos anos que tivemos juntos aqui na Terra, todos os exemplos de vida que você me passou.Lembra, meu pai, quando me contou os principais motivos que o fizeram deixar a sua Olinda querida, no bairro de “Casa Amarela” em Recife, com apenas quatorze anos de idade? Que força de vontade trazia aquele menino para enfrentar a vida numa Cidade grande e politicamente vigiada por ser a Capital da República do Brasil! Aquela história de que a sua família era densa eu comprovei pelo retrato de casamento da sua irmã mais velha. Ali estavam reunidos meus avós que não pude conhecer, meus tios e tias, ao todo uns quinze componentes. E você deve estar lembrado, que me contou, que o meu avô era um homem de uma estatura impressionante, para o brasileiro daquela época, pois ele atingia 2,15 metros.E ainda por cima, me disse que ele dava espetáculos em praça pública, deitando-se no chão e cobrindo-se de pranchas de madeira. Sua exibição consistia em que os carros da época passassem sobre o seu corpo demonstrando uma força de um “Hércules”. E ainda acrescentou que ele foi assassinado por um dos invejosos daquela Cidade, porque em razão do sucesso, ele era desejado por quase toda a maioria das mulheres.Isto provocava um grande ciúme nos maridos que se achavam preteridos. Algum deles, mais enciumado acabou por matá-lo a tiros, em plena praça pública.Foi aí então, que se iniciou a sua via crucis, pai. Você foi obrigado a morar com o seu irmão mais velho já casado e a sua vida não teve mais sossego, pois apanhava muito desse irmão. Você foi obrigado a deixar a cidade sozinho, para se ver livre dos maus tratos. Aqui chegou ainda menino, se empregando em uma padaria no bairro do Rocha aqui no Rio de Janeiro.Ali mesmo, com o consentimento do seu primeiro patrão, fez dos sacos de farinha a sua cama e casa, e ali trabalhava entregando pão, pela madrugada afora.Essa foi sua dedicação para a vida, que enfrentou sem medo, até os dezoito anos.Teve outra oportunidade de trabalho, quando foi convidado pelo dono de uma garagem vizinha, a ser seu novo empregado, e a partir dos seus vinte anos de idade, recebeu o apelido de “Paulista”, apesar de ser pernambucano, mas oriundo do Município, que tinha o mesmo nome.Ali você cresceu profissionalmente, tendo sido o homem de confiança, controlando todos os estoques de combustíveis durante a Segunda Guerra Mundial e sempre com muita honestidade, não se deixou levar, pelo câmbio negro da gasolina, que se implantava naquela época dos carros a gasôgenio, nunca tendo se favorecido da sua posição, pois a lei determinava, que a venda e o fornecimento de gasolina, só poderiam ser feitos às autoridades públicas e às áreas de saúde. Sua grande honestidade e lisura não o fez ficar rico ilicitamente, apenas ficou amigo de brasileiros ilustres. E como prêmio, por essa honestidade no seu trabalho, ganhou do seu patrão o título de sócio-gerente, que nem chegou a exercer, pois foi da vida afastado, provisoriamente pelo nosso bondoso “Deus”.Talvez quem sabe, para uma missão muito especial, que ainda vou com certeza saber o motivo futuramente, depois de lhe dar um longo abraço fraterno.Devo acrescentar, que nesse caminho de 23 anos aqui no Rio, você incluiu em sua vida uma fluminense nascida em Niterói, que por força do destino, também era órfã de mãe e que tinha por necessidade residido na casa da sua cunhada com o seu irmão mais velho e que por coincidência, também sofria maus tratos, após o seu pai ter sido afastado, por motivos políticos, do cargo de Diretor-Tesoureiro Geral dos Correios, que ocupava na então Capital Federal pela convocação feita, pelo Dr. Washington Luiz, o então presidente da República.Ela, minha mãe, sofreu também iguais dificuldades de vida, quase que as mesmas coisas que você.Você sabe bem dessa história, meu pai. Ela me contou que a necessidade em casa era tanta, que ela começou o namoro contigo e que você a conquistou, quando lhe deu um pacote de manteiga, que ela já não comia há muitos anos, pois quando o pai dela, o meu avô, foi afastado do cargo que ocupava, ela perdeu uma boa casa, instrução, o estudo de piano, suas roupas, suas bonecas, e sua formatura de professora, que só faltava um ano para completar.Mas o exemplo de vida a dois, ficou estampado nessa união e hoje me sinto feliz, muito feliz, em ter sido filho único de uma tão completa união a dois, que hoje tento reproduzir com a minha cara-metade, que representa grande incentivo de novas descobertas porque a manutenção de vida é um ato contínuo e sem desprendimentos.Minha grande intenção para o fim da minha vida, quando ela chegar, meu Pai, é te encontrar e sei que estará junto à minha mãe, que já se acha ao seu lado há algum tempo.
Espere por mim, meu pai !