Lendo e ouvindo a música


Fofas


Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A violência sem armas

Eu ainda não esqueci... Diariamente, quando voltava da escola, eu fazia uma travessia de uma rua para outra, e, para facilitar a minha caminhada, me utilizava de uma vila de casas, que cortava o caminho. Sempre caminhava por ali, alegremente. Até que num determinado dia, a minha caminhada feliz, foi interceptada por um grupo de “pivetes”. Eram mais ou menos, uma meia dúzia deles, e estavam na rua só para aprontar. Quando eles me viram, formaram ràpidamente um corredor polonês, para que eu por ali passasse. Pude notar a má intenção daquele grupo de moleques, e tentei voltar, mas não havia mais tempo. Eles correram e me alcançaram, e eu fui vítima da primeira maldade de rua na minha vida. Eles não só me espancaram, como também, um dos moleques daquela turma, com a mão cheia de pimentas, esfregava sem dó, e sem nenhuma piedade, aquelas pimentas malaguetas, em meus olhos, e na minha boca. Mas, como nunca estamos sós, por obra da sorte, a minha tia paraguaia, a saudosa “Ormenzinda”, que estava varrendo o jardim naquela hora, observou o que acontecia e partiu para cima deles de vassoura em punho, despachando toda aquela maldita turma à vassouradas, graças a Deus! Sofri muito, pois os meus olhos ficaram por demais afetados, e meus lábios, que também incharam, fizeram com que eu tivesse que ser socorrido no Hospital Getúlio Vargas, pois corria riscos de cegueira!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Errar é humano

Ainda no meu caminho profissional na Indústria farmacêutica conheci um químico famoso no campo da Agricultura, com vários ensaios e livros publicados nessa área.Como prestador de serviços, dava assistência às fabricações nas Indústrias.Esse profissional tinha literatura famosa sobre o emprego do óleo da castanha do Pará, no início usado na aviação, precisamente nos aviões à jato, como o único lubrificante resistente aos atritos das turbinas desse tipo avião.Com toda essa notoriedade, mostrou-me que errar é humano.E também com ele, tive um grande aprendizado no momento em que ao analisar o grau de acidez dos remédios da fábrica, verifiquei que o benzoato de sódio não estava mais apresentando segurança, nem garantia na conservação das nossas fórmulas.Então solicitei um auxílio, e ele , confiante na sua atuação de químico veterano e mestre no assunto, ràpidamente pegou caneta e papel e fazendo cálculos, disse-me: - mande comprar urgentemente um quilograma de aneurina e adicione a cada fórmula apenas uma grama, para cada dez mil litros de remédio fabricado. Assim, certo do seu fundamento, mandei comprar tal produto, sem deixar de comunicar ao meu superior imediato as providências solicitadas pelo grande químico.A partir dali fiquei tranqüilo, acreditando que nunca mais teríamos problemas na acetificação de qualquer tipo dos nossos remédios.Mas qual não foi a minha surpresa, quando decorridos seis meses após o início daquela utilização,começamos a receber reclamações de que os remédios estavam mudando de cor, porque no seu aspecto inicial de fabricação apresentavam a coloração cor de café e decorridos seis meses, eles adquiriam a cor de café com leite. A clientela no Brasil e na América Latina, começava a exigir a troca imediatamente.Tivemos que manter a fabricação normal de produtos e realizar a substituição de todos aqueles que havíamos vendido nos seis meses anteriores.Foi necessário criar turnos diferentes de trabalho para duplicarmos a nossa produção e normalizarmos a venda e troca respectivamente.Aprendi então que nunca devemos subestimar os problemas técnicos de trabalho. Devemos sempre, pensar, calcular, experimentar, para só então, mudarmos qualquer rotina, mesmo quando temos toda a certeza da nossa capacidade e estivermos conscientes de que errar é humano. Posteriormente, nesse mesmo campo de trabalho, fiquei totalmente indignado, quando reclamei do alto grau de acidez em nossos tônicos ao nosso Diretor Industrial e dele recebi a ordem de mandar buscar vinte quilos de soda cáustica e adicionar àqueles mesmos remédios cuja conservação estava a cargo do benzoato de sódio.Após esses dois fatos , eu fiquei entre a cruz e a espada nos meus aprendizados - primeiro,o cálculo errado do químico, que resultou na descoloração dos remédios e segundo, na tomada de decisão do meu Diretor, que me dizia que remédio é droga e portanto, droga combate droga!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A nossa Bolsa de Valores tem outros atrativ os - as nossas "Commodities" !

Inacreditável!
As bolsas brasileiras se transformaram nas verdadeiras vedetes mundiais, elas dão ciência ao mundo investidor, de que o Brasil acordou para crescer em definitivo.
Isso, após verificar que todos os conceitos de base de crescimento na sua esfera de economia, estão calcados em cima do seu vasto território produtivo, que hoje, consegue provar ao mundo, que ela era realmente a nação do futuro.
O Brasil deixa de ser um mito para ser uma crença, o nosso Presidente da República, cheio de gás, sai por aí diariamente dizendo que tem que gastar dinheiro em viagens, para estar dentro de todos os tratados que se acumulam diante de um mundo boquiaberto, que assiste o nosso “diretor máximo” em seus discursos, dizer nomes de altas figuras brasileiras e internacionais, trocados, fazendo o mundo rir de felicidade, pela sua coragem em encarar sorrindo todos os idiomas da classe política, com o seu original pernambucanês.
Ele carrega com uma grande confiança seus Ministérios e Ministros e faz a escolta em volta de todas as criticas que recebe, e as ataca, sem nenhum medo ou piedade, seja ela nacional ou internacional, seja ela dentro de uma maioria, ou numa minoria corajosa.
E assim ele passa uma eterna confiança ao investidor, seja de qual raça for e sabemos que ele nunca estudou economia, nem administração, mas toma conta de um time que deseja ser campeão do mundo, e nunca deixa de falar do seu time do coração, o Corinthians.
E nós já temos a coragem de cobrar IOF de investidores estrangeiros, por ocasião da aplicação que eles fazem em nossas bolsas, para que não abusem do nosso Brasil, fazendo aqui uma aplicação especulativa, que entra e sai logo dos nossos cofres, dando somente uma mordida no lucro da nossa ação, aqui negociada para eles, só que esta taxa do IOF que no momento já atua e espanta toda a confiança de um novo mundo em crescimento, que já é o Brasil.
Eu quero ir além e dizer que nós, já esperávamos um dia por isto e eu aqui, que sempre fui um eterno otimista e sonhador, quero afirmar ao especulador - o carona estrangeiro da nossa economia - que devemos sim, cobrar esta taxa, mas também pagar a eles, um premio estudado, na faixa de cinco por cento sobre a sua rentabilidade após dois anos.
Espero que essa taxa venha a ser estudada pelos nossos especialistas em economia e que a paguemos aos que por aqui permanecerem, com as suas aplicações sempre acima de 24 meses, em nossa compra e venda de commodities.
Acredito que aí sim, daremos a todos a resposta necessária, diante do nosso crescimento que passará a creditar lucros premiados, aos nossos investidores, criando em definitivo um Brasil, grande e consciente da sua luta e do seu povo credor e trabalhador.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O jogo pai e a madrasta sorte

Quem realmente acredita no jogo pela sorte?O brasileiro, com certeza, acredita que num determinado dia, ao fazer aquela “fezinha”, num dos jogos da loteria da Caixa, vai faturar aquele prêmio que vai endireitar sua vida para sempre. Confesso que sou um otimista, criado de forma a pensar, que no dia seguinte, a sorte virá bater à minha porta.Quando menino, eu observava o meu pai. Um trabalhador humilde, que tinha como hábito, sempre utilizar os recursos da gorjeta que obtinha com seu trabalho, para fazer o seu jogo no “bicho”. Ele jogava com muita esperança e com muita precisão, um sistema que sempre lhe dava alguma segurança de retorno. Normalmente ele ganhava. Era difícil ver meu pai ficar triste, porque havia perdido. O jogo do bicho era de toda a confiança, e servia de distração e esperança para o trabalhador, que tinha, naquela época, poucas opções de lazer. Eu sempre assistia meu pai jogar, de uma forma, que o conduzia ao sucesso. Deitado na cama com o rádio ao lado e repetindo: - entrou uma, entrou outra,etc... Assim, vinha o ganho no jogo do bicho, e com ele, conseguiu trocar toda a mobília e utensílios da nossa casa e, às vezes, ainda pagava as despesas do meu colégio. Aquela forma de otimismo tomou conta de toda a família e fez com que diversos parentes e vizinhos, utilizando o mesmo processo de jogar do meu pai, arriscassem nos ganhos, que se tornaram quase diários, naquela Comunidade. O precioso processo de jogar do papai, contagiou minha mãe, e fez com que ela sempre, acompanhasse as extrações diárias do Jogo do Bicho, e assim também faturasse alguns trocados, sem nunca perder a esperança, de num dia poder ganhar “aquela” bolada.Vivenciei também, um lance muito curioso, de um sapateiro, que era vizinho de nossa residência, e que diariamente jogava, e já contagiado, pelo sucesso da vizinhança, ainda arriscava comprar bilhetes da loteria. No entanto, não era muito otimista, e sempre que comprava um bilhete, colava atrás da porta da sapataria, dizendo que já sabia que não ia ser sorteado. Comprava tantos bilhetes que a porta da sapataria virou um verdadeiro painel, com bilhetes colados lado a lado, uns por cima dos outros. Num determinado dia, para o cúmulo da sorte, saiu o primeiro prêmio da loteria para o sapateiro. Ficou tão apavorado por ter colado o bilhete atrás da porta e saber que as regras para o recebimento do dinheiro, tinham como principal fator, o fato do bilhete não conter nenhum rasgo ou rasura, que admitiu que não devia brincar com a sorte. Para a solução daquele problema, teve uma idéia brilhante. Pegou a chave de parafusos, arrancou a porta, e nervoso e muito cansado, foi à pé, até à agência da Caixa, com a porta nas costas, para receber o primeiro prêmio da loteria federal daquela quarta-feira. Com a constatação de tantos bilhetes ali colados, teve a credibilidade necessária para o recebimento do prêmio.Antigamente as pessoas eram quase todas humildes. A distração eram as lojas de jogo de bicho, onde a polícia fazia vista grossa e, como sempre ,recebia dos banqueiros as propinas, para a manutenção das lojas abertas. Quando prendiam o bicheiro, era para mostrar a chefia da Secretaria de Segurança, que estavam agindo contra a contravenção. Pura mentira!Sempre torcia pela minha mãe, para que ganhasse um prêmio expressivo, pois ela era uma fiel jogadora, e até o dia em que papai faleceu, era uma associada aos seus palpites. Felizmente , este prêmio veio surgir na época em que eu, que não era um jogador habitual, estava muito necessitado dele. Eu tinha sido avalista de uma operação de empréstimo bancário para que um colega de confiança, pudesse regularizar a escritura de um imóvel, que dizia a mim ter comprado. Descobri mais tarde, que havia ganho o imóvel, numa mesa de jogo. Esse meu colega, tinha o hábito de frequentar, todo final de semana, com parceiros, que eram grandes comerciantes e jogadores, casas de jogos de poquer. Após continuar jogando, pensando em ganhar mais e mais, acabou por perder o tal imóvel, e simplesmente desapareceu, deixando-me com a divida bancária, que como avalista, teria que honrar, apesar de toda a dificuldade.No dia em que minha mãe ganhou no bicho, eu já não tinha mais como renovar a tal nota promissória.E aí, vem a história da madrasta sorte. A minha mãe que deu aquela tacada e acertou na cabeça, um milhar, ficou sem o dinheiro, pois teve que cedê-lo a mim para a solução do grave problema que me afligia a cada mês, quando tinha que renovar a dívida. Apesar de tudo, ficou a mostra de que a fé e o otimismo, daquela mulher, minha mãe, teve o seu dia de consagração. Por isso afirmo que a sorte é madrasta, e necessita de muita insistência, para trazer a verdadeira sorte para junto de nós.