Lendo e ouvindo a música


Fofas


Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O máximo do otimismo

Meu pai me contou que existia no interior de Pernambuco uma família de lavradores assentados, cuja prole era por demais desenvolvida e a todo momento, nascia uma nova criança, para o patriarca-chefe, que tinha como rótulo, o nome de Crescêncio da Vida no Campo.Era um homem forte, de muita fé, pouca cultura, muita saúde e dono da maior dose de otimismo.Segundo soube, buscava sempre novos motivos para dar o nome de batismo aos seus filhos, dentro dos seus preceitos de crença, para transferir a cada filho com otimismo, a nova vida que ali desabrochava.Ele era um cidadão muito conhecido e respeitado e observado pela maneira simples e sadia que avaliava a sua vida.Excelente trabalhador, homem de pulso forte, tinha por única distração, ouvir um pequeno rádio de pilha, para se atualizar com as notícias do campo e que por certo, reciclariam as novas alternativas do seu trabalho na agricultura.Só assim, acreditava, poderia enfrentar os males das doenças comuns, na sua pequena roça, pobre de recursos hídricos e sem nenhum apoio governamental.Era possuidor de uma prole altamente otimista, com nomes bem caracterizados.Mesmo não sendo conhecedor de numerologia, que hoje em dia, se faz presente na vida de muitos famosos artistas, empresários e políticos, o Crescêncio sabia aplicar os prognósticos da boa-sorte aos seus filhos,através dos nomes de batismo.À primogênita, chamou ESPERANÇA!,À segunda,CONQUISTA!,À terceira,SEGURANÇA!,À quarta,FLORESCIDA!,Ao quinto,CHUVISCO!,Ao sexto,BROTADO!,Ao sétimo,COLHIDO!,Ao oitavo,ENSACADO!,Ao nono, VENDIDO!,Ao décimo,COBRADO!,Ao décimo primeiro, RECEBIDO! eAo décimo segundo, DEPOSITADO!Fiquei surpreendido com o otimismo daquele brasileiro que teve esperança e usou todos os critérios de nomes,para que o levasse e aos filhos, ao sucesso no seu trabalho no campo.Acredito eu que nos dias de hoje, ele deve estar cercado apenas dos nomes otimistas do seus filhos, mas deve viver amargurado e preocupado, pois o nosso Governo destruiu o sonho dos otimistas, a esperança da conquista, a segurança florescida, o chuvisco do brotado, apodrecendo o colhido e ensacado, o vendido e não cobrado, e que do jeito que vai indo, nunca deverá ser depositado.Pobre homem, otimista, num país sem clima de conquistas, num país de governo do papofurado, que só faz com que pensemos em usar apenas a nossa preguiça.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O mau começo

Que lindo o nosso Brasil! ... Quanta terra, quantos rios, quantas matas, quanto minério, quanta fauna, quanta flora... Esse nosso país é um Eldorado de um planeta jovem. Foi descoberto casualmente. Acho eu, que Cabral , fazia exatamente uma viagem de turismo até as Índias, e, para livrar o seu berço natal do chamado lixo humano, levava consigo, diversos indivíduos condenados pela justiça portuguesa, para o exílio em terras descobertas e não habitadas. Uma forma usual e política do reinado português. E neste caminho,implantaram-se todas as linhas de crescimento do nosso grande Brasil ! A força de braço veio da África... A força técnica da Inglaterra e da Alemanha... Da França, veio o intelecto, a moda e a leitura. Assim , ficamos dependentes de acordos comerciais e industriais, que nos dominaram até há bem pouco tempo. Faço um apelo ao nosso mundo político de hoje: -não esqueçam, por favor, que nós brasileiros, não somos mais aquele lixo humano que veio esquecido nos porões dos navios. Que nós não somos só braços, somos cabeças também, e que já temos noção exata do nosso tamanho e da nossa força e riqueza. Assistimos à colonização, ao império, à República, à ditadura de Vargas, à falsa democracia, à ditadura militar, e atualmente assistimos a ”baguncracia”. Só temos lamentos... Estamos querendo ser de primeiro mundo e esquecemos que nós somos de um mundo especial, onde temos um pouco de cada raça, um pouco de cada língua e vivemos num clima especial para vida e cultivo. Já tivemos todos os exemplos para implantarmos o novo caminho: Conhecemos 30 anos de Vargas, 5 anos de Dutra, 5 anos de Juscelino, 9 meses de Jânio, 24 anos de ditadura militar, 4 anos de Sarney, 2 anos de Collor, 3 anos de Itamar, 8 anos de Fernando Henrique e tantos mais de Lula.Somando todos esses anos, concluímos que nada mudou até agora... As afirmações continuam sendo as mesmas, a nossa moeda é fraca, a nossa produtividade é baixa, a corrupção é ativa, as nossas dívidas interna e externa são altas, o desemprego é constante, a nossa Amazônia é desprotegida, a segurança não existe, a educação e a saúde são fracas, o crime se estabelece em crescimento, a moradia é carente, a poluição aumenta, o desmatamento é criminoso, a justiça é lenta, o saneamento é falho, as medidas provisórias se firmam e se tornam definitivas...Afinal, Brasil ! Vamos ou não vamos, chegar lá? Não precisamos copiar o modelo chinês, pois não iremos construir uma muralha de pedras, mas vamos definitivamente construir uma muralha de inteligência, fazer uma divisão racional das tarefas, quem sabe retrocedermos até os tempos da colonização e iniciarmos agora, um novo ciclo cujo objetivo será o de se tornar o “celeiro do mundo ".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma decisão importante, inevitável e inadiável!

Era um dia normal de trabalho e eu fazia o que gostava.Era o Chefe de Planejamento e Controle de Produção, na Indústria Química e Farmacêutica e naquele momento, havia substituído um funcionário de propriedade única.Na empresa onde eu estava, ele havia se instalado, há dezesseis anos, num dos maiores e melhores processos de controle e de elaboração de um custo industrial indiscutivelmente seguro pela sua imposição, que exigia que não se errasse de forma alguma em seu funcionamento, e que levaria a indústria a ser planejada sem erros na sua produtividade, por anos e anos seguidos, sem nenhuma duvida de que poderia falhar no seu planejamento industrial, fosse ele de curto ou de longo prazo.Iinfelizmente, a empresa havia perdido este excelente funcionário, pois ele tinha passado a pensar num novo e importante trabalho, a convite de um consultor de grande conhecimento no mercado, que lhe fez aceitar um desafio junto a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais. Seria inevitável a sua saída da empresa onde junto trabalhávamos e por admirá-lo e pela observação que eu fazia àquela figura tão rara no meu caminho profissional, procurei seguir os seus passos e me sentir um observador de sua forma de administração.Aí então me vem o primeiro teste importante dentro de minha atuação nessa substituição, com o pessoal envolvido e no sistema funcional da área de fabricação, quando identifiquei que o chefe de operações no preparo de tônicos e fortificantes havia se aproveitado da saída do antigo chefe, e instalado um esquema que facilitaria a sua vida na questão de moradia.Ele que anteriormente residia em São João do Meriti, resolveu morar ao lado da indústria, num terreno baldio.E daí, criou para mim o meu primeiro desafio administrativo, quando eu fui chamado por um funcionário também chefe e responsável pela área de máquinas de envasamento dos remédios, que me conduziu a sala de fabricação, onde o novo funcionário se instalou e exibiu o que ele havia feito no salão de operações de enchimento dos produtos. - “gatos” nas ligações de água e de energia elétrica - , puxando essas ligações pelas janelas que conduziam a claridade necessária ao sistema de economia dessa mesma sala. Esses gatos iam direto para o “barraco” que ele havia montado no terreno baldio.Pensei como resolver o problema, pois sua atitude , contra todos os princípios da legalidade, exigia que a empresa fosse trimestralmente, visitada pelos serviços de fiscalização da medicina do nosso CRM, o Conselho Regional de Medicina. Decidi cortar as ligações e vieram as alegações de que ele tinha quatro filhos e era um pobre coitado.Retruquei que também era pai e tinha minhas obrigações na vida, o trabalho e minha carreira e que não ia me deixar levar por uma imposição de um trabalhador que, sem nenhum diálogo com a chefia, toma uma decisão desse porte, fosse qual fosse sua necessidade.Fiz então, a minha primeira intervenção, que poderia abalar o meu conceito, junto aos quatrocentos e tantos outros empregados que eram dirigidos pelo meu planejamento, mas jamais eu podia correr da raia, como se diz na gíria. Chamei o pessoal do serviço de manutenção de abastecimento de água e energia e autorizei imediatamente o corte de todo o fornecimento para o “barraco” do desafiante funcionário, que teria lançado para mim o meu primeiro grande teste de carreira profissional. Tomei tal atitude sem lhe dirigir uma palavra sequer, seguindo o seu mesmo critério de instalar tudo, sem me dizer nada, simplesmente me ignorando.Pensam vocês que o assunto morreu aí?Qual nada, ele mandou-me um aviso por outro funcionário dizendo que iria me matar naquele mesmo dia, no horário de saída. Fui alertado por vários funcionários para não sair, mas, felizmente eu não obedeci a nenhum dos conselhos e na hora da saída avisada pela sirene da indústria, me dirigi ao ponto do ônibus e lá estava postado o tal matador.Fui exatamente em sua direção e notei que, como me avisaram, ele portava na cintura um punhal. Sem demonstrar meu medo, coloquei-me ao seu lado e assim, as coisas pararam por aí.Com esse meu ato de coragem, consegui confirmar que seria o maior absurdo morrer na mão daquele “cabra da peste”, pois o nosso bom Deus assim não queria. Tenho certeza de que minha atitude o fez pensar melhor nos seus atos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Meu "doping" infantil, aos sete anos de idade!

Sou um assíduo ouvinte da CBN, minha rádio diária de notícias.Considero-a bastante esclarecedora em todos os pronunciamentos e notícias seguras e verdadeiras.Confesso que às vezes, chego a incomodar pessoas da minha casa de diferentes idades e escolhas, tendo já adotado o uso do fone de ouvido para não trazer mal-estar aos que comigo convivem. Minha esposa vive me alertando para que eu tenha cuidado com o fone no ouvido, que pode acarretar algum mal para o meu aparelho auditivo.Infelizmente, não posso ficar sem noticiário, pois noticias dão vida e cor as nossas esperanças de uma realização, pois por mais insignificante que seja o homem, ele sempre buscará na vida, o interesse de viver saudavelmente, tanto profissionalmente falando, como dentro da própria família.O noticiário de hoje se prendia ao doping no esporte e na ginástica olímpica, e existe nessa rádio, um experiente comentarista na área de interesses da saúde em geral, o Fernando de Aquino. Nessa hora eu fico sempre atento aos seus comentários corretos e seguros.Com relação a esse assunto do doping, não julgou como de um valor criminoso, o fato de ser utilizado com freqüência pelos atletas, que aceitam usar determinados remédios, com o objetivo de fazerem crescer seus números de resultados em competições.Muito inteligentemente ele afirmou na sua narrativa, que as autoridades esportivas, condenam determinadas providências médicas, que assessoram no mundo inteiro, vários atletas de diferentes modalidades e que nem sempre são corretas nas suas afirmações.Eu, mesmo me considerando um leigo nessa área, também clamo para que observem bem o uso e o efeito de determinados anabolizantes, que não serão aqueles que são sempre usados em alguns casos, como sendo gatilhos faltosos, para se vencer em competições de grande monta, sejam elas ou não de fundamento regional ou internacional, mas sim, para dar proteção de saúde ao participante que se prepara para a competição e pode vir até a morrer se mal assessorado estiver por uma equipe médica, que não mantenha sob vigília os seus treinamentos técnicos e físicos, para o melhor resultado a alcançar!E o comentarista Fernando foi além , citando que os índios em sua vida cotidiana, usam determinadas ervas para terem melhor disposição física para remarem suas canoas e percorrerem as matas em suas caçadas.Aí então vem na minha historia, o meu doping aos sete anos de idade, quando um guia espiritual, deu para minha mãe uma receita que traria a mim a resistência física necessária, para eu ser uma criança feliz, para resistir as brincadeiras e ter memória necessária para os meus estudos. E este doping era constituído de um cálice de vinho do porto, acrescido de uma gema de ovo. Eu deveria tomá-lo durante sete dias seguidos, depois descansar mais sete dias, e tornar repetir a mesma dose, até assim completar sete vezes. Depois desse ciclo de sete dias eu estaria preparado para as brincadeiras e os estudos pelo resto da minha vida .Aí então eu afirmo – esse não teria sido o meu doping de atletismo infantil, em que eu baseio a abertura dessa crônica ?Vejam bem se eu não estou com a razão!