Lendo e ouvindo a música


Fofas


Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma mudança de carreira por minha influência

Nem sempre podemos participar diretamente da carreira de um estudante aplicado e analista pelo seu próprio jeito de ser.
Espero que ele esteja hoje bastante feliz em sua carreira profissional.
Falo aqui de Paulo Jorge Pinheiro, um jovem que conheci quando tinha vinte poucos anos.
Ele trabalhava no setor econômico e financeiro de uma grande empresa onde eu também era lotado.
Sua responsabilidade era cuidar da montagem dos orçamentos trimestrais, mensais e anuais, que eram entregues para a minha área, a de controles de cobranças e de tesourarias, de todas as filiais brasileiras da Indústria.
Teríamos que ter necessariamente, os números corretos e bem informados, pois eram ligados às aplicações financeiras.
Pela grandeza de dados e ligações até fora do pais, pois o grupo vivia também de financiamentos externos, todo aquele trabalho definia os relatórios de balancetes financeiros para toda a diretoria da empresa.
Eis que num determinado dia, o gerente geral de finanças, me convocou e me pediu que treinasse o Paulo Jorge Pinheiro num novo tipo de trabalho relacionado aos controles da área de compras externas e importação, pois não queria dispensá-lo.
O motivo é que o trabalho do rapaz havia diminuído muito e não teria como mantê-lo na Empresa.
Caso ele não se adaptasse aí sim ele teria motivos reais para demiti-lo, mas sabedor de sua real integridade profissional não gostaria de fazê-lo sem uma prévia tentativa.
Eu então respondi que ia encarregar o rapaz do controle dos mapas de desenvolvimento de todas as compras externas de equipamentos e peças de reposição de maquinário de todo o sistema eletrônico da fábrica.
Complementei que ia acompanhar suas tarefas, mas pedi que o deixasse alocado no departamento de origem, haja vista que no meu departamento não havia espaço físico para abrigá-lo.
Decorridos seis meses nessa experiência, o Gerente me convocou para saber do rapaz, e eu informei que ele havia se adaptado com louvor e que eu não podia mais prescindir dos seus trabalhos.
Frisei que o rapaz havia se integrado tanto àquela experiência profissional que inclusive, já tinha vindo me agradecer pela oportunidade e, sobretudo, por eu ter sido o responsável por ele ter mudado seus rumos de formação, tendo se matriculado num curso de Comércio Exterior.
Com minha entusiasta explanação, o Gerente ganhou alma nova.
O fato de eu ter dado àquele rapaz a oportunidade de poder escolher uma nova carreira dentro do seu sonho de vida, confesso que me marcou e me fez ficar feliz por aquela afirmação pessoal.
Espero que aquele jovem, tenha seguido assim, a nova carreira escolhida com muito sucesso!

terça-feira, 3 de julho de 2012

O SENHOR NÃO É O TENENTE BANDEIRA?



Era eu um jovem Tenente do Exército, que fazia o meu curso pelo CPOR/ RJ e estava convocado para estágio no REI-Regimento Escola de Infantaria, da Vila Militar, um quartel ligado ao primeiro grupamento tático da “ONU”, pela sua importância e número de oficiais e soldados, que quase chegava a quatro mil homens.
O meu plano, naquela época, era de cumprir a meta de fazer o estágio, como o fiz, desde o tempo de aspirante a oficial e ainda de concluir o direito de promoção ao posto de Segundo Tenente, para futuramente, alçar também o posto de Primeiro Tenente.
Fiz o estágio final e solicitei assim a baixa daquele serviço ativo.
Com a conclusão do estágio, adquiri o direito de, caso algum dia fosse convocado pelo Exército, já estagiaria no posto de Capitão.
Nesse meu momento de vida, no entanto, vivi um dos maiores embaraços, passado nas colunas do meu serviço militar.
Nos anos de 1950, ocorreu um crime no famoso desaparecimento da milionária Danna de Teffee. Segundo a mídia veiculava, estariam envolvidos naquele caso, o advogado particular da vítima, o Dr. Leopoldo Heitor, que diziam ser seu namorado e ainda mais adiante, aquele crime chamado de crime do “Sacopã” ganhou um novo gancho, com a inclusão e o envolvimento, do jovem Tenente Bandeira, um oficial da Força Aérea Brasileira.
Aquela inclusão do Tenente Bandeira, veio indiretamente a me atingir profundamente, pois eu era naquela época, mais ou menos da mesma faixa etária dele, haja vista que ele tinha uns três anos a mais do que eu.
O agravante era que, fisicamente, éramos muito parecidos, inclusive os dois mantinham o bigodinho fino e a farda ainda nos tornava mais idênticos, embora nossas armas fossem diferentes – ele da força aérea e eu do exército.
Foram muitas as vezes em que eu, saindo do quartel fardado, para pegar o trem na estação, várias pessoas gritavam na minha direção chamando o Tenente Bandeira, firmando que eu havia fugido da cadeia.
No Centro da Cidade, então, era o maior sofrimento. Os repórteres das emissoras de rádio em trabalho externo nas ruas, me perseguiam, me fazendo provar através de documentos, que eu não era o procurado e famoso Tenente Bandeira. Só me deixavam em paz quando eu provava que era do Exército e não da Aeronáutica.
Só consegui me desvencilhar daqueles transtornos quando decidi passar em casa na saída do quartel e trocar o fardamento pelas roupas comuns.
Com isso reduzi o assédio, mas foi uma época que me trouxe muito constrangimento, principalmente nas filas dos ônibus, quando um ou outro fazia-me a pergunta: - o senhor não é o Tenente Bandeira?

(Jorge Queiroz - julho/2010)

Fonte da imagem:textosdetherezapires.blogspot.com

segunda-feira, 2 de julho de 2012

AJUDAR ALGUÉM SEM OLHAR A QUEM! ( Parte II)

Uma dívida bancária só deve ser feita em benefício próprio!
Quem quer ter amigos, creio que deve analisar corretamente essa sua amizade, nova ou não, e nunca deixar que essa ligação, passe a ser uma cruz na sua vida.
Somente assim, poderemos evitar os grandes problemas e dilemas, que com certeza, darão asas à criação de causas alheias à nossa vontade de viver.
Todo e qualquer caso novo, que venha de fora da sua visibilidade, para você ajudar a resolver, deve ser envolvido de uma profunda investigação, bem antes de ser aceito.
Eu posso afirmar que foi exatamente essa atitude de cuidado que me faltou em determinada época da minha vida, quando me propus a ajudar.
Mesmo que seja um amigo que venha seguindo ao seu lado há vários anos, trocando com você sonhos de vida, esperanças de objetivos, buscas de caminhos ou qualquer pequeno favor e mesmo que venha fazendo de você uma escola de aconselhamentos, com um parâmetro de vida que insinua que ele está coberto de verdades, ainda assim, nada afirmará diferenças com o bordão antigo: - “AMIGOS, AMIGOS, NEGÓCIOS À PARTE”.
Diante desse quadro, essa amizade que parece envolver e afirmar que é ela uma figura em que você deve e pode confiar, recomenda-se cautela, pois pode ainda não estar abrigada num fator de verdade e confiança que evidencie que está montada dentro de uma trama que poderá vir a atingir a sua estrutura de vida.
A traição na vida é sempre um instrumento maldito, ainda mais depois de indicar que o traidor foi o seu grande amigo, “pau” para toda e qualquer obra ou ato de vida ligado a uma confiança coberta de todos os bons critérios, pois todo traidor é um sábio e nós por honestidade, nunca conheceremos o dom da traição.
Esse meu longo prólogo, já me obriga a contar rapidamente que errei muito em acreditar num tipo desse de amigo, que me solicitou ser dele fiador numa operação bancária, pois ele iria sacar um “papagaio” com vencimento em noventa dias e não me deixaria a descoberto.
Haja vista que nossa amizade já existia há mais de cinco anos, eu não tinha qualquer dúvida da sua honestidade, considerando que já tínhamos tido vários assuntos conjuntos em relação à dinheiro.
Apesar de serem valores pequenos, eu afirmava que é nos pequenos atos de vida, que se conhece a honestidade das pessoas.
Nessa situação de ajuda envolvi um colega de infância, gerente de uma agência bancária, a quem eu nunca havia pedido nada na vida e me dei mal.
Fui ao banco e confirmei o valor que era correspondente a cinco salários que eu recebia naquela época e pedi a ele que fosse lá na agência do Banco para conversar com o meu amigo e deixar a conta aberta e tudo assinado, para que eu avalizasse em seguida. Ele assim fez e eu então complementei a tal operação.
Como em ocasiões anteriores eu havia apresentado colegas de trabalho, para abertura de conta com ele e levando em consideração as heranças da família e nossa antiga amizade, nem achou que eu poderia estar indicando um trambiqueiro, mas de qualquer forma me alertou que qualquer coisa que acontecesse na conta daquele sujeito me avisaria de imediato, principalmente se ele não fizesse o pagamento da nota promissória no vencimento.
Para minha surpresa, não deu outra coisa, simplesmente êle não liquidou a conta no vencimento.
Quando fui avisado, comecei a procurá-lo e depois de muita investigação, fui descobri-lo hospedado num hotel na praça da Bandeira.
Ele, encolhido num hotel de terceira, disse a mim, que realmente tinha comprado um apartamento mas o dinheiro que eu avalizei, seria para pagar as despesas de legalização do imóvel.
Disse também que o tinha ganho na mesa de jogos de azar, na companhia de empresários viciados, mas que continuando a jogar e pensando que ganharia mais fácil, acabou com todo o dinheiro que tinha e que inclusive, havia perdido o tal apartamento na mesma mesa de jogo. Naquele momento estava desempregado e sem ter o que fazer.
Jurando que um dia me pagaria, o que não fez, soube mais tarde que havia voltado para o seu Estado de origem, no Nordeste.
Mas Deus me ajudou e minha mãe, exatamente naquele momento tão difícil pra mim, acertou uma fração de bilhete de loteria e me deu o dinheiro para poder liquidar a conta do Banco.

domingo, 1 de julho de 2012

Ajudando alguém sem saber a quem...(outra história)



Essa é uma antiga história da década de sessenta.
Na época, eu trabalhava na indústria química e farmacêutica e era chefe de planejamento de produção, com a obrigação de iniciar no serviço no momento em que soava o apito da fábrica. Isso ocorria normalmente às 7.30 horas da manhã.
A indústria se situava na rua São Miguel, na Tijuca, a uns duzentos metros da subida do famoso morro do Borel, onde ficava a sede da Escola de samba vencedora do carnaval de 2010, a Unidos da Tijuca.
Lá também, hoje, o governo estadual instalou a mais nova UPP- Unidade Pacificadora de Polícia, composta do maior número de policiais.
Não consigo esquecer da feira que se instalava ali todas as quartas- feiras, na pracinha logo abaixo do Hospital da Ordem Terceira da Providência.
Diàriamente, quando eu me dirigia ao trabalho, após descer do ônibus na referida praça, eu seguia a rampa e me encaminhava para o acesso da rua do laboratório e nas quartas-feiras a feira me fazia sempre dar voltas e voltas para contornar as armações de barracas de frutas, peixes, legumes etc. já espalhadas pela pracinha.
Numa determinada quarta-feira, consegui atravessar a feira quando vi uma pobre senhora, que carregava um carrinho já lotado e ainda tinha pendurada no seu braço esquerdo, uma sacola pesada e também cheia de frutas, legumes . Fiquei penalizado e chamei-a, propondo-me a auxiliá-la. Meio sem jeito, ela respondeu que morava distante, pedindo que eu não me importasse. Diante da minha insistência ela aceitou e contente, disse que eu quando chegasse à sua casa, ia conhecer seu filho.
Quanto mais andávamos, mais subíamos o morro.
A senhora vendo meu cansaço, repetia que tinha me avisado que morava longe. Em resposta, eu dizia que não fazia mal porque ela me lembrava muito a minha mãe.
Em cada viela ou beco da favela, por onde passávamos, eu ficava assustado com os olhares dos moradores que me fitavam indagadores, pois percebiam que eu não era do morro, e, além de tudo, eu subia acompanhado de uma moradora de lá.
Após uns quarenta minutos andando, chegamos no barraco de chão batido. Comecei então a tirar as coisas do carrinho, quando, de repente, entrou suado e esbaforido, um mulato forte, de bigodes finos e camisa aberta no peito. Ele, com os olhos arregalados e com o pescoço ornado de cordões de ouro, olhou para mim e perguntou à mãe quem eu era.
Orgulhosa, ela respondeu que eu era um moço que ela havia encontrado na feira e que quis lhe ajudar a trazer as sacolas. Não esqueceu de dizer que eu a tinha achado parecida com minha mãe.
Diante do fato, o rapaz me estendeu a mão agradecido, dizendo-se também meu amigo e se oferecendo para descer comigo.
Ao me despedir da senhora, perguntei o nome do seu filho e ela respondeu que eu não precisava saber seu nome, frizando que quando eu quisesse lá voltar, apenas dissesse que ia visitar o dono do morro!

Fonte da imagem:citynet.com.br