Lendo e ouvindo a música


Fofas


Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O JAMBOREE, NO MUNDO REUNIA CRIANÇAS E CRENÇAS!


Meu filho era uma criança de apenas onze anos de idade, mas com uma altura fora dos padrões normais.
Tanto é que, já aos nove anos era proibido de brincar com outras crianças e castigado pela nossa vizinhança, quando o chamavam de “monstro”, pela altura adquirida geneticamente, fazendo-o exibir inocentemente os seus um metro e setenta e três centímetros.
Como Deus nada esquece, um dia se deu um milagre nos nossos caminhos.
Ele se acidentou ferindo a boca e perdeu um dos dentes.
Levei-o ao dentista do bairro e o doutor Edmundo dos Santos, além de sua profissão de dentista, também dirigia a equipe de basquete do Olaria Atlético Clube.
Durante a consulta ele me indagou se eu não tinha vontade de colocá-lo na equipe mirim, para que, caso gostasse do esporte, seguisse a carreira, haja vista que a vida já lhe tinha proporcionado a estrutura física para tal.
Diante de todos os problemas vividos pelo meu filho, justamente por causa de sua estatura física, fiquei bastante entusiasmado e aceitei o convite. Combinamos um encontro no clube para o dia seguinte e assim, teve início a fase de treinamento naquele esporte.
Estávamos ainda no ano de l970 e o convenci a trocar as brincadeiras de pião, pique-esconde, cabra cega e outras, pelos treinamentos de basquete.
Por vezes ele reclamava da sujeira das roupas, da falta de água ocasional no Clube e eu lhe mostrava que tinha sido muito melhor ele ficar livre da imposição daquelas mães desalmadas que rotulavam, sem analisar.
A vida seguiu e rapidamente ele se transformou no jogador mirim e arma secreta do Clube, o Olaria, tornando-se depois campeão mirim e campeão infantil.
Essa mudança na vida infantil desse meu filho, gerada pela falta de entendimento humano, me trouxe a possibilidade de participar de um evento maravilhoso e de conhecer, naquela época, um dos maiores programas da paz mundial.
Nos dias de hoje, infelizmente, sinto uma triste saudade daquele tão importante evento.
Lá, nos anos setenta, na Escola Naval do Rio de Janeiro, pude estar presente, acompanhando meu filho Marcio Luiz, durante um período de pelo menos quinze dias.
As crianças que compunham aquela equipe ficaram hospedados com crianças do mundo inteiro, que participavam promovendo a melhor solução de entendimento, na busca da paz mundial.
Hoje, lembro com muita alegria desse período de nossas vidas.
O melhor veio depois, quando foi convidado para participar do JAMBOREE MUNDIAL, já no ano de 1972, quando foi premiado e citado em todos os jornais, como o garoto de onze anos mais alto do mundo, com um metro e oitenta e três centímetros, pois o segundo colocado foi um menino alemão com um metro e oitenta e um centímetros.
Durante todo o período que ele atuou como jogador, eu importava de Miami, através de um amigo piloto,os famosos tênis ALL STAR.
Hoje, mentalmente, dou graças às reclamações daquelas mães, pois foi por causa delas, que meu filho se tornou um campeão brasileiro de basquete.
Naquele convívio com crianças de todas as raças do mundo inteiro, ele pode compor a sua coleção de moedas de todo o mundo.
Por sugestão minha, as moedas eram trocadas pelos compactos, discos de samba dos cantores mais famosos da época, pois os estrangeiros adoravam a música popular brasileira.
Sua participação nesse Jamboree Mundial, mereceu uma homenagem do Olaria Atlético Clube.
E por aquela participação, numa convocação nacional, ele recebeu uma homenagem especial, pois o clube nunca tinha tido um atleta convocado para uma seleção mundial, compondo a seleção brasileira.
Valeu, meu filho Marcio Luiz !
(Jorge Queiroz da Silva - outubro de 2010)Fonte da imagem: piadarts.blogspot.com

terça-feira, 5 de junho de 2012

Outra história de criança

Vou narrar hoje um episódio, que se passou com meu outro filho, o caçula.
Com a nossa mudança de endereço, eu tomei as providências para trocá-lo de escola, pois teria que estudar mais perto de nossa casa.
Nessa época morávamos em Vila Isabel, e perto, na rua Oito de Dezembro, tinha um Colégio religioso bem conceituado e com um bom nível de ensino.
O tal Colégio já existia na localidade há mais de cinquenta anos e lá o matriculei, pois a nossa residência ficava a uns quinhentos metros de distância.
A idéia era que ele lá permanecesse até a conclusão do primeiro grau.
Suas instalações eram perfeitas, tinha três andares com salas de aula e toda a infra-estrutura adequada.
A sala de aula de meu filho ficava no segundo andar do prédio.
Num determinado dia no horário do recreio, na hora de descerem as escadas, como de hábito, os alunos se organizavam em turmas, para mais rápido iniciarem suas brincadeiras. Existia a imagem de uma Santa padroeira do colégio, Nossa Senhora de Lourdes, postada num pedestal na descida das escadas, já há pelo menos trinta e oito anos. Nesse determinado dia, meu filho, como me relatou, posteriormente, foi empurrado por um grupo de alunos, que desciam a escada atrás dele, em plena carreira. O grande empurrão o fez desequilibrar-se e ele se agarrando aos pés da Santa, fez com que ela caisse no pátio interno do Colégio, como se tivesse sido atirada por alguém, transformando-se em caquinhos de louças.
Talvez protegidas pela própria Santa, nenhuma das crianças que já se encontravam no primeiro piso foi atingida.
Conclui, após o incidente, que faltava um critério de vigilância para evitar que alguma coisa pudesse acontecer nas escadarias. mas as coisas as vezes acontecem e ficam difícil de serem explicadas.
Por mais uma vez, eu fui chamado no trabalho e tive que vir atender a meu filho que necessitava do meu apoio.
Fortemente emocionado, ele estava sendo custodiado por uma freira, dentro de uma sala da diretoria da escola.
E qual foi o seu crime? Agarrar-se aos pés da Santa para se proteger da queda.
Nervoso com o fato, meu filho, só dizia que não havia sido culpado do incidente e que só se agarrou à Santa, para não se arrebentar na curva da escadaria do Colégio. O pior, foi que a criançada não o perdoou pelo fato dele ter derrubado a Santa, apelidando-o de matador da Santa.
Tive que cuidar para que ele não ficasse traumatizado com o fato.
Sei que nesse aspecto ele teve toda a proteção de Deus que o transformou num homem normal, religioso e atento a tudo que faz na vida.
Esse menino teve sempre um diferencial de vida. Foi aquele filho que, ainda adolescente, afirmava que ia trabalhar bem cedo. Prometia não parar de estudar e fazer dos conhecimentos um instrumento para o seu trabalho.
E assim fez, me criou a maior expectativa de acompanhá-lo na estrutura da formação do seu currículo profissional.
Lembro que só lhe pedi que deixasse por minha conta o seu primeiro empurrão, no primeiro emprego.
Hoje, com grande satisfação, o vejo independente em suas ações dentro da carreira profissional escolhida, mostrando-me que é um ser protegido por Deus!
Essa é mais uma historia sobre a pressão do mundo social nas coisas que acontecem de errado entre a criança e o mundo, quando a inocência se transforma num mal devastador e de influências perigosas e que marcam uma criança para sempre, se não tivermos os devidos cuidados.
(Jorge Queiroz da Silva - julho/2009)
Fonte da imagem:encanto.com.br

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O medo prejudicial

Cito aqui, hoje, um fato pra’ lá de interessante, ocorrido com meu filho do meio, quando tinha sete anos de idade.A mãe lhe pediu que fosse ao armazém próximo de casa, do conhecido senhor Cabral, para comprar pão e leite. Deu-lhe o dinheiro e ele saiu. No caminho para o armazém encontrou um vendedor de bolas de gás.O tal vendedor, talvez sentindo a fascinação do meu filho pelas bolas, sujeito sujo, aproveitador e já mal intencionado, pegou todo o dinheiro das mãos do menino e trocou pelo amarrado de bolas de gás que lhe sobraram para vender, dizendo que ele podia ir embora porque não tinha troco nenhum, já que o preço era exatamente o valor da nota.O menino envergonhado e também pressionado pelo tipo sujo, não poderia mais comprar o pão e o leite.Ficou descontrolado, pois não podia fazer as compras que a mãe havia lhe solicitado, e por este motivo, ficou andando pelas ruas próximas, com os balões de gás, sem coragem de retornar à casa.Eu em casa, procurei pelo meu filho e a mãe me disse que tinha lhe pedido para ir ao armazém mas, já estava preocupada porque achava que ele estava demorando muito.Comecei a ficar nervoso imaginando que algo de ruim houvesse lhe acontecido e saí em busca de meu filho. Mais nervoso fiquei, quando, no armazém do senhor Cabral, me informaram que meu filho não tinha estado lá.Andei como louco pelas ruas do bairro à sua procura por um longo tempo, quando o encontrei junto ao campo do Olaria, parado com o olhar desalentador,com aquele monte de bolas.De imediato perguntei porque ele não havia ido para casa, ao que me respondeu estar com medo da mãe o repreeender, porque sem o pão e o leite, ainda teria que manter as bolas, para que a mãe não pensasse que estava contando uma mentira.Vendo o que aconteceu com meu filho, desde essa época, entendi que a educação não pode ser feita com medos, porque se ele não tivesse medo, teria voltado pra casa. Esse tipo de ensinamento só tem valia para a pessoa que o sofre, como regra do que não se deve fazer com crianças. Fora isso, mais nada.Foi um dia de muito sofrimento para mim, pela angústia que sofri pensando no pior.Hoje esse meu filho é um excelente líder familiar, que tem apego a vida e a família, e cuida com esmero do seu lar, se fazendo presente junto aos filhos,que hoje já passaram da adolescência.Esse meu filho é muito criativo e é capaz de com uma roda fabricar uma bicicleta.
(Jorge Queiroz da Silva -26/12/2009)
Fonte da imagem: blogeducafeliz.blogspot.com

domingo, 3 de junho de 2012

UM TAXI EM MISSÃO ESPECIAL A CAMINHO DA UNIVERSIDADE

Vou mostrar aqui uma vontade de criar caminhos e soluções dentro de uma simplificação de passos que poderá ou não, ser verdadeira para uma idéia inteligente num novo empreendimento. Caso esse empreendimento seja aplicado com otimismo e direção, o nosso planejamento não falhará ou sequer poderá causar qualquer outro incidente, que traga tropeços e prejuízos dentro desse novo projeto.
Dentro de um programa pré-estabelecido, só pensamos em ter ganhos e jamais admitimos qualquer mínima perda.
Mas não é sempre que essas teorias mostram a verdade.
Falo aqui, do meu filho Marcio Luiz, que na época em que fazia o seu vestibular para a Faculdade, resolveu desenvolver uma tarefa individual de trabalho, transformando a sua Carteira de Habilitação de Motorista Amador na categoria de Motorista Profissional.
Convenceu-me de que poderia ter condições de trabalho e de estudos juntos e devidamente programados, propondo-se a criar o seu horário de trabalho, sem perder aulas na Faculdade.
Pediu minha ajuda financeira e eu mesmo não aceitando muito a idéia, propus-me a ajudá-lo, pois sempre que me foi possível, nunca interferi nos sonhos de meus filhos.
Sabia que ia ficar duplamente preocupado, pois ele estaria sempre em trânsito, no seu dia a dia, em horários diversos, mas resolvi entregar os cuidados a Deus, para que o protegesse e lhe desse forças, ficando então eu, encarregado de pagar as prestações do carro.
Estava assim lançada a sua sorte.
Só precisávamos ser otimistas e acreditar que tudo daria certo conforme os seus planos.
Sendo assim, ele negociou o automóvel e me informou o valor da prestação.
No entanto, o pior aconteceu no seu terceiro dia de trabalho.
Num cruzamento no sinal, antes da chegada ao Maracanã que o levaria a atravessar a Quinta da Boa Vista, no Viaduto de São Cristovão, o sol iluminou o sinal já fechado, cegando-o e fazendo com que visse como verde a luz vermelha. Certo de que o sinal estivesse aberto para ele, foi em frente e passou por cima de outro carro, causando um grande acidente.
O proprietário do outro automóvel que era um Coronel do Exército, começou uma discussão e ele jovem inexperiente, pediu licença para me telefonar para que ali eu o socorresse.
Mas exatamente naquele momento eu estava no trabalho e executando as aplicações financeiras. Totalmente impossibilitado de sair, pois já estava verificando taxas e fechando negócios, pedi que tivesse calma e procurasse se entender com o guarda de trânsito e com o Coronel que, como o taxi ainda não tinha seguro, prontificou-se a usar o próprio seguro para consertar os automóveis que ficaram em estado lamentável.
Dias depois de tudo resolvido ele retornou à atividade, embora o incidente da experiência vivida deixou nele um grande temor de dirigir.
Tentou ainda naquela mesma época trabalhar no Aeroporto Internacional, mas foi combatido pela máfia dos taxistas, que o ameaçavam por ali fazer seu ponto.
Meu filho,um extremoso e engenhoso batalhador, ainda jovem, resolveu desistir e assim concretizar a venda do carro, pois nem alugando-o a terceiros, não conseguia se fixar, como um profissional taxista, enquanto na Universidade, fazia o seu Curso de Ciências Contábeis.
Hoje acredito que devemos arriscar em coisas novas, mas sempre ter as nossas novas posições, bem defendidas, por uma boa dose de pessimismo, que por certo, nos protegerá de sermos mais realistas.
(Jorge Queiroz - setembro/2010)
Fonte da imagem:cenascoisas.blogspot.com