Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Errar é humano

Ainda no meu caminho profissional na Indústria farmacêutica conheci um químico famoso no campo da Agricultura, com vários ensaios e livros publicados nessa área.Como prestador de serviços, dava assistência às fabricações nas Indústrias.Esse profissional tinha literatura famosa sobre o emprego do óleo da castanha do Pará, no início usado na aviação, precisamente nos aviões à jato, como o único lubrificante resistente aos atritos das turbinas desse tipo avião.Com toda essa notoriedade, mostrou-me que errar é humano.E também com ele, tive um grande aprendizado no momento em que ao analisar o grau de acidez dos remédios da fábrica, verifiquei que o benzoato de sódio não estava mais apresentando segurança, nem garantia na conservação das nossas fórmulas.Então solicitei um auxílio, e ele , confiante na sua atuação de químico veterano e mestre no assunto, ràpidamente pegou caneta e papel e fazendo cálculos, disse-me: - mande comprar urgentemente um quilograma de aneurina e adicione a cada fórmula apenas uma grama, para cada dez mil litros de remédio fabricado. Assim, certo do seu fundamento, mandei comprar tal produto, sem deixar de comunicar ao meu superior imediato as providências solicitadas pelo grande químico.A partir dali fiquei tranqüilo, acreditando que nunca mais teríamos problemas na acetificação de qualquer tipo dos nossos remédios.Mas qual não foi a minha surpresa, quando decorridos seis meses após o início daquela utilização,começamos a receber reclamações de que os remédios estavam mudando de cor, porque no seu aspecto inicial de fabricação apresentavam a coloração cor de café e decorridos seis meses, eles adquiriam a cor de café com leite. A clientela no Brasil e na América Latina, começava a exigir a troca imediatamente.Tivemos que manter a fabricação normal de produtos e realizar a substituição de todos aqueles que havíamos vendido nos seis meses anteriores.Foi necessário criar turnos diferentes de trabalho para duplicarmos a nossa produção e normalizarmos a venda e troca respectivamente.Aprendi então que nunca devemos subestimar os problemas técnicos de trabalho. Devemos sempre, pensar, calcular, experimentar, para só então, mudarmos qualquer rotina, mesmo quando temos toda a certeza da nossa capacidade e estivermos conscientes de que errar é humano. Posteriormente, nesse mesmo campo de trabalho, fiquei totalmente indignado, quando reclamei do alto grau de acidez em nossos tônicos ao nosso Diretor Industrial e dele recebi a ordem de mandar buscar vinte quilos de soda cáustica e adicionar àqueles mesmos remédios cuja conservação estava a cargo do benzoato de sódio.Após esses dois fatos , eu fiquei entre a cruz e a espada nos meus aprendizados - primeiro,o cálculo errado do químico, que resultou na descoloração dos remédios e segundo, na tomada de decisão do meu Diretor, que me dizia que remédio é droga e portanto, droga combate droga!

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