Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A violência sem armas

Eu ainda não esqueci... Diariamente, quando voltava da escola, eu fazia uma travessia de uma rua para outra, e, para facilitar a minha caminhada, me utilizava de uma vila de casas, que cortava o caminho. Sempre caminhava por ali, alegremente. Até que num determinado dia, a minha caminhada feliz, foi interceptada por um grupo de “pivetes”. Eram mais ou menos, uma meia dúzia deles, e estavam na rua só para aprontar. Quando eles me viram, formaram ràpidamente um corredor polonês, para que eu por ali passasse. Pude notar a má intenção daquele grupo de moleques, e tentei voltar, mas não havia mais tempo. Eles correram e me alcançaram, e eu fui vítima da primeira maldade de rua na minha vida. Eles não só me espancaram, como também, um dos moleques daquela turma, com a mão cheia de pimentas, esfregava sem dó, e sem nenhuma piedade, aquelas pimentas malaguetas, em meus olhos, e na minha boca. Mas, como nunca estamos sós, por obra da sorte, a minha tia paraguaia, a saudosa “Ormenzinda”, que estava varrendo o jardim naquela hora, observou o que acontecia e partiu para cima deles de vassoura em punho, despachando toda aquela maldita turma à vassouradas, graças a Deus! Sofri muito, pois os meus olhos ficaram por demais afetados, e meus lábios, que também incharam, fizeram com que eu tivesse que ser socorrido no Hospital Getúlio Vargas, pois corria riscos de cegueira!

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