Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sábado, 30 de maio de 2009

Minha tia Dudu

Hoje vou falar da minha tia “DUDU”. Ela era especialista em fabricar famosas receitas de doces, como Campista que era. Gabava-se constantemente das grandes compotas que preparava à base de goiaba, mamão verde, laranja da terra,além de deliciosos melados . Seu verdadeiro nome era Geraldina e por gratidão e admiração à minha mãe, de quem gostava muito, veio residir no Rio de Janeiro, em nossa casa. Na época em que conosco conviveu, transferiu para mim, todo o carinho que pudesse dedicar a nossa família, sendo categórica em declarar que veio para nossa casa para ajudar minha mãe, viúva que era, a me criar. Tomou para si todos os cuidados com a minha instrução e minha alimentação. Uma coisa muito importante, da qual nunca esqueci, era o grande cuidado que ela tinha comigo,quando preparava minhas refeições. Lembro-me sempre do tamanho dos pedaços de carne, preparados em bife, que ela com todo o carinho, partia em tamanhos diminutos, para que eu não engasgasse ao comer, pois, naquele tempo, eu sofria de uma forte amigdalite e por recomendação do Dr. Faria Lemos, meu médico, eu não deveria operar. Mas o fato curioso daquela nossa relação, tia/sobrinho, foi com respeito ao seu mal dormir. Ela dormia e de repente gritava muito, normalmente pedia socorro durante os seus pesadelos, e eu sempre acordava com seus gritos, tendo dificuldades de conciliar o sono novamente. Era comum eu perguntar a minha mãe, no dia seguinte, porque ela gritava tanto, ao que minha mãe respondia dizendo que era viúva de três maridos e que coincidentemente os três cometeram suicídio. Minha mãe atribuía os gritos a essas passagens pesarosas. Contava que o último deles, tocou fogo no seu próprio corpo. Com todos esses dramas, era justificado ter pesadelos. Essa minha tia Dudu também era pessoa extremamente cuidadosa com a saúde - não comia carne de porco, nem camarão. Era muito vaidosa e para estender roupas no varal, tinha o costume de subir num banco, para não elevar muito os braços e distender a musculatura. Usava cremes nas mãos e no rosto, andava muito bem vestida. Sempre que ia receber a pensão do falecido, que era militar, trajava-se muito bem e usava ainda, salto de sapato de sete e meio centímetros. Já adolescente, fiquei muito mais assustado, ao saber que ela mantinha um romance com um rapaz que não tinha nem trinta anos, mais novo uns cinqüenta anos do que ela. Sua verdadeira idade foi de fato descoberta no dia em que ela faleceu, quando tivemos que procurar os documentos para a certidão de óbito. Lembro-me que eu e minha mãe, nos olhamos e nos surpreendemos, verificando que aquela senhora, que não tinha nem rugas de expressão, já tinha completado os seus 83 anos de vida. Com essa tia sem laços de sangue, valeu a pena conviver, pelas delícias que preparava, pelo carinho que dedicava às pessoas e pela vitalidade e alegria que coroou parte da minha infância.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Minha terceira mala de vida

A terceira mala de vida que também nos dá muito peso, é exatamente aquela que decide qual a “crença” que vamos receber – se a católica, a espírita, a judaica, a ortodoxa, a batista, a evangélica, a eclética, a carismática, a maçônica - porém, pela formalidade dos sistemas de educação religiosa da família, os filhos recebem dos seus pais a orientação sobre qual deverá ser sua bagagem religiosa.Eu, por exemplo, ainda me lembro que minha mãe era uma adepta do espiritismo, mas que por total interferência da minha escola, ela foi obrigada socialmente, a me indicar para a religião católica, o que me causou, um “nó” nas idéias, visto que eu, normalmente, assistia em minha casa às sessões de reuniões espíritas, comandadas por ela e por seus guias, que faziam a sua doutrina ligadas a uma corrente Indiana, se utilizando de magias e das visões futuras.Por isso eu confesso que essa mala foi dura de arrumar, pois o meu curso de catecismo, me fez fazer seguidamente, quatro comunhões, e eu ainda com oito anos, tinha que conviver com o conselho passado pelo Padre e com a fé que me era transmitida pelos guias de minha mãe, caboclo “Ubirajara”, cabocla “Jurema”, Pai “Joaquim”, “Ogum Beira-mar”, “Mamãe Oxum”, “Sete Encruzilhadas” e os “ Êres”, e ainda fazer as comparações infantis, entre o defumador da Igreja e o defumador do terreiro de minha mãe!Vejam vocês que “mala” espiritual me arranjaram!Mas hoje, graças a Deus, eu consegui conciliar todas essas dúvidas e certezas na minha cabeça, e por este motivo coloquei nesta “mala”, uma crença múltipla, e por esse motivo, mesmo não sabendo para onde vou após a morte, sei que chegarei com a minha bagagem de um camelo de crenças, sempre disposto a conversar com o Bispo ou com o Papa, com Deus ou com o Demo, com o Pastor ou com o Esotérico, com o Judeu ou com o Ateu, sem qualquer preconceito.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Minha segunda mala de vida

A minha segunda mala é aquela que vai nos acompanhar por todos os caminhos na vida, o da nossa verdadeira identidade.Para mim, seria a minha certidão de nascimento, que vai dar a etiqueta de identificação.No entanto meu pai, por ser um homem totalmente contrário as burocracias e a tudo que dizia respeito a documentos, o que abominava, quando eu nasci ele não se deu conta de que teria que providenciar o meu registro.O tempo foi passando e naquela época, há mais de setenta anos atrás, íamos para a escola muito cedo. Só aí quando eu já contava quatro anos e minha mãe foi me matricular, surgiu a necessidade da certidão de nascimento.Instalou-se assim o problema. O nosso Governo obrigava o pagamento de uma multa aqueles que não registrassem os filhos, num prazo de seis meses.Por esse motivo, o meu registro só foi feito, seis anos depois, quando o presidente Getúlio Vargas, concedeu o perdão dessa multa para todos os brasileiros.Acredito que isso ocorreu não tanto por dificuldades financeiras, mas porque meu pai, que abominava imposições, achava inconcebível pagar a tal multa.Talvez seja também por isso, que até hoje, eu também dou mais valor a palavra do que ao papel, seguindo assim, os prenúncios de meu pai.Não posso negar que isso, ao longo da vida, tem me trazido alguns problemas. Mas não importa.Hoje, com tudo normalizado, eu até já esqueci, mas com certeza, essa foi a segunda “mala” da minha vida, que só foi resolvida pela imposição da formação da vida de um ser humano, o estudo!Hoje, as coisas são mais fáceis de resolver, o Governo já mudou inteiramente esse quadro, e tem facilitado a vida dos mais pobres, inclusive, para moralização do senso, ele obriga aos cartórios de registro a não cobrarem taxas, para uma certidão de nascimento. Mas as coisas vão mais além, e as “malas” de vida não nos abandonam e temos a obrigação, de portar a mesma até os últimos dias da nossa vida.

domingo, 24 de maio de 2009

Minha primeira mala de vida

Quando por um acaso, ainda me chamam de “mala”, eu simplesmente não me contrario, pois sei que tudo que acontece em nossa vida, diz respeito realmente a “mala” que recebemos ao nascer e a uma outra “mala” que vai ser responsável pela nossa última viagem, aquela em que reunimos todos os projetos que regeram os nossos destinos de vida, aqui na terra.A primeira mala nos diz exatamente sobre a nossa perspectiva de vida, porque quando nascemos e quando recebemos a nossa primeira mala, ao analisarmos o seu conteúdo, ele por certo nos indicará as facilidades e as dificuldades que se apresentarão ao longo do nosso caminho.
Não posso esquecer, que quando nasci, filho de família pobre, minha mãe preparou a minha primeira mala de vida para me receber e num processo cuidadoso e de muita luta para que nada me faltasse, ela conseguiu reunir as principais peças de roupas, para o meu agasalho, e dito por ela, a maioria delas, teriam sido doadas, pela nossa vizinhança.
Tudo parecia perfeito, eu já tinha a minha primeira mala de vida e minha mãe aguardava bem segura, a minha chegada. Mas, infelizmente, nem tudo que se planeja acontece, e por obra genética, eu nasci fora dos moldes normais de um recém nascido.
Cheguei ao mundo com 55 cm de comprimento e o peso de uma criança de três meses, pois eu nasci com 5,2 gramas.
Por aí já sentimos, que a minha primeira mala de roupas e agasalhos , não funcionou!Mas minha mãe, era uma filha do otimismo e rapidamente, conseguiu a ajuda de uma senhora de origem Libanesa, e que por sinal, minha mãe só a chamava, por não saber seu nome, de “Dona Libânia”.
Essa senhora residia na última casa da Vila onde morávamos e conforme minha mãe contou depois, foi essa mesma senhora, que lhe deu um prato de bacalhau, que havia lhe despertado desejos de comer, antes do meu nascimento.
Para que eu não nascesse babando ou com os cabelos arrepiados, a “Dona Libânia” foi muito gentil com a minha mãe, dizendo que se ela tivesse mais algum outro desejo provocado pelo cheiro saboroso da sua comida , que ela não fizesse cerimônias, garantindo assim que não deveria me aguardar com desejos não realizados.
E assim então, minha mãe , que na época tinha apenas quinze anos, venc eu a primeira etapa de dificuldades da minha vida, pois além de comida, minha mala ganhou roupas também!.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O homem que embrulhava dinheiro em jornal

Filho de um famoso major, político do local e irmão do primeiro educador da região, o meu primeiro professor e dono da primeira escola da localidade, o senhor Laureano, marcou a minha infância. Milionário, era dono de muitas casas na rua onde eu morava, aquela mesma rua, onde a neta da Princesa Leopoldina, era a principal herdeira de quase todos os imóveis. Ela dominava em posses,quase toda a rua do lado direito, e sobravam ainda muitas residências do lado esquerdo, que pertenciam ao senhor Laureano. Ele, além de ser dono de um frigorífico de carnes, ainda mostrava o seu poder com uma vantagem sobre a dona Venina, pois todos os imóveis de sua propriedade eram de construção recente, elaborados pelo seu próprio grupo construtor. Como proprietário das várias casas daquela região, ele disputava com a dona “Venina”, o título de o mais rico da região. Diariamente, ele proprio, fazia o recolhimento da féria de suas lojas e para despistar os gatunos, ele andava com pacotes de dinheiro, fruto da arrecadação da venda dos açougues, embrulhados em jornal. Sempre que chegava nos bares, após realizar esta arrecadação, ele largava os pacotes de dinheiro, em qualquer lugar, para não chamar atenção. Assim, segundo ele, desvalorizava a soma de dinheiro que conduzia. Eu era colega de infância do filho dele, que na classe, era o último aluno, mas que hoje tem uma clínica médica muito famosa, com o diploma comprado pelo pai, a peso de ouro. O senhor Laureano era um impressionante milionário, que já dizia naquela época, que dinheiro comprava tudo...

terça-feira, 19 de maio de 2009

O doutor "Serrote"

O “doutor” Serrote,era uma pessoa com quem convivi muito na infância. Ele era responsável pela saúde das inúmeras famílias residentes no meu bairro e curava todo e qualquer tipo de doença, ajudando as famílias carentes daquela época. Com o seu apurado conhecimento da flora, fazia, como ninguém, o uso adequado das ervas. Invadia as florestas das cercanias, formando seu grande arsenal de ervas medicinais e, de casa em casa, ele oferecia os seus serviços médicos. O que mais impressionava as crianças, era a sua curiosa maneira de se vestir. Apresentava-se sempre de calças listradas, camisa branca de colarinho engomado e com botões dourados, além de um fraque negro, cartola preta e bengala com cabo de prata. Usava cavanhaque, monóculo, luvas brancas e portava anéis, com significados das correntes mediúnicas do Oriente. Tinha também um grande relógio de bolso com uma grossa corrente. Em suas costas, ele portava um saco de linhagem branco, totalmente cheio de ervas, e dependurado em seu cinto, um brilhante serrote, sempre limpo, sua principal ferramenta de trabalho. Assim, aquele ser “humano especial”, cultivava a amizade de toda a rua e conquistava, os olhares de todas as donas de casa. As crianças, o tinham como um “Deus”. Era muito comum eu ouvir a minha mãe dizer - quando o “doutor” Serrote, passar por aqui, eu vou resolver o problema da sua doença – Eu, criança ainda, ia aumentando, dia a dia, e cada vez mais, a minha admiração pela figura tão terna de um ser humano, diferente, que era o mais perfeito representante de Deus, na minha visão de criança feliz e bem intencionada.

domingo, 17 de maio de 2009

Outro tipo inesquecível

Outra personalidade da época, no meu mundo infantil, era a dona “Ana Maneta”. Era assim chamada, pois teve um acidente de trabalho no campo, vitimada por uma foice, nos trabalhos de agricultura. Ela tinha um sítio, que ao me lembrar, me faz pensar, no bem-estar que eu sentia, quando era menino e onde eu ia quase que diariamente, comprar verduras e frutos, fresquinhos e arrancados do pé na hora, pela dona Ana. Era ali, que estava representada a mais pura plantação de frutos, e hortaliças que eram vendidas a todos os moradores da região. Era um verdadeiro celeiro, e lá , eu podia sentir o forte cheiro da natureza, num brejo sombrio e resfriado por um riacho que cortava todo o seu sitio. Como eu gostava de sentir o cheiro do verde, e por sorte, eu ia lá quase que diariamente, buscar as coisas que minha mãe me pedia. Naquele sítio, um grande terreno que ocupava mais de 100 lotes de terra, herdado dos seus pais, que eram velhos lavradores, e que viviam exclusivamente da agricultura, ela sustentava toda a família. Hoje no local, infelizmente só existem prédios de apartamentos, e ela, uma humilde lavradora pelo empreendimento que lá foi feito, virou naquela época, proprietária de dez apartamentos, que passou para filhos e netos, tornando-se uma pobre senhora rica, muito trabalhadora e totalmente analfabeta ! Não sei se ela ainda vive, posso até garantir que já deve ter falecido. E a lenda contada pelos moradores antigos do local, era que naquele terreno dela, se hospedava o demônio, história esta, que era sempre confirmada, pela mais antiga beata da região, a dona Maria Santa, que se dizia, muitas vezes perseguida por ele, e que ele sempre depois de saltar o muro, que fazia divisa entre as ruas Dionísio e Cajá, tentava impedir que ela chegasse até a igreja, para poder preparar, a missa diária da paróquia do Senhor Bom Jesus da Penha, pois normalmente, saía de casa, ainda de madrugada, por volta das cinco da manhã! E esta história, que ela contava, marcava sobre maneira, todas a crianças da localidade, que em alguns momentos se reuniam próximo do tal muro, para desafiarem o demônio., o que por certo seria uma obra de pura imaginação.

sábado, 16 de maio de 2009

Meu primeiro tipo inesquecível

Ela era neta da princesa Leopoldina, a dona “ VENINA”, e eu a via como uma das raras e várias figuras do folclore da minha rua. Em primeiro lugar, vale lembrar que ela era a mais antiga milionária do local, uma senhora já quase setentona, bastante imponente. Ela era a feliz possuidora, de quase todas as casas da rua do Cajá, onde eu residia. E era ali, na extensão de todo o lado direito da rua, que ela vivia num palacete avarandado e luxuoso com a sua família. No local existia um excelente pomar de frutas, criação de cavalos, um ranário e um lago para peixes. Ela fazia a sua renda da locação dos imóveis, que ocupavam toda a faixa direita da rua. Nós éramos seus antigos inquilinos, por morarmos numa destas casas, eu a conhecia, como a “senhoria” de minha mãe, mas ela tinha, uma admiração especial pela minha mãe, e por qualquer mal estar, ou qualquer, outro motivo, ela a chamava as pressas, fosse para rezá-la, pois ela tinha uma crença muito grande, nos guias espirituais de minha mãe, ou para escrever uma carta, ou fazer o seu jogo de bicho, onde sempre ela arriscava um fezinha. Por este laço íntimo de amizade e fé, eu vim a saber mais tarde, que ela teria deixado de cobrar alguns aluguéis a minha mãe. Diziam as más línguas, que isto foi por mais de vinte anos, e além de minha mãe ser uma dedicada serva, nos seus cuidados pessoais, como sendo a sua dama de companhia, ela ainda fazia uso das visões de minha mãe, e gostava das previsões em copo com água, que minha mãe fazia, para predizer as coisas que para ela, poderiam vir a acontecer , e assim fazia um uso constante , da corrente oriental de vidência, de que minha mãe era merecedora . E esta amizade durou, até o dia do seu falecimento, e afirmo que era uma amizade de fazer inveja a muita gente ali na rua. Quem não queria ser amiga fiel, da neta da Princesa Leopoldina? Seu nome , após sua morte, foi dado a uma rua da localidade .

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Minha terceira mala de vida

A terceira mala de vida que também nos dá muito peso, é exatamente aquela que decide qual a “crença” que vamos receber – se a católica, a espírita, a judaica, a ortodoxa, a batista, a evangélica, a eclética, a carismática, a maçônica - porém, pela formalidade dos sistemas de educação religiosa da família, os filhos recebem dos seus pais a orientação sobre qual deverá ser sua bagagem religiosa.Eu, por exemplo, ainda me lembro que minha mãe era uma adepta do espiritismo, mas que por total interferência da minha escola, ela foi obrigada socialmente, a me indicar para a religião católica, o que me causou, um “nó” nas idéias, visto que eu, normalmente, assistia em minha casa às sessões de reuniões espíritas, comandadas por ela e por seus guias, que faziam a sua doutrina ligadas a uma corrente Indiana, se utilizando de magias e das visões futuras.Por isso eu confesso que essa mala foi dura de arrumar, pois o meu curso de catecismo, me fez fazer seguidamente, quatro comunhões, e eu ainda com oito anos, tinha que conviver com o conselho passado pelo Padre e com a fé que me era transmitida pelos guias de minha mãe, caboclo “Ubirajara”, cabocla “Jurema”, Pai “Joaquim”, “Ogum Beira-mar”, “Mamãe Oxum”, “Sete Encruzilhadas” e os “ Êres”, e ainda fazer as comparações infantis, entre o defumador da Igreja e o defumador do terreiro de minha mãe!Vejam vocês que “mala” espiritual me arranjaram!Mas hoje, graças a Deus, eu consegui conciliar todas essas dúvidas e certezas na minha cabeça, e por este motivo coloquei nesta “mala”, uma crença múltipla, e por esse motivo, mesmo não sabendo para onde vou após a morte, sei que chegarei com a minha bagagem de um camelo de crenças, sempre disposto a conversar com o Bispo ou com o Papa, com Deus ou com o Demo, com o Pastor ou com o Esotérico, com o Judeu ou com o Ateu, sem qualquer preconceito.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Minha segunda mala de vida

A minha segunda mala é aquela que vai nos acompanhar por todos os caminhos na vida, o da nossa verdadeira identidade.Para mim, seria a minha certidão de nascimento, que vai dar a etiqueta de identificação.No entanto meu pai, por ser um homem totalmente contrário as burocracias e a tudo que dizia respeito a documentos, o que abominava, quando eu nasci ele não se deu conta de que teria que providenciar o meu registro.O tempo foi passando e naquela época, há mais de setenta anos atrás, íamos para a escola muito cedo. Só aí quando eu já contava quatro anos e minha mãe foi me matricular, surgiu a necessidade da certidão de nascimento.Instalou-se assim o problema. O nosso Governo obrigava o pagamento de uma multa aqueles que não registrassem os filhos, num prazo de seis meses.Por esse motivo, o meu registro só foi feito, seis anos depois, quando o presidente Getúlio Vargas, concedeu o perdão dessa multa para todos os brasileiros.Acredito que isso ocorreu não tanto por dificuldades financeiras, mas porque meu pai, que abominava imposições, achava inconcebível pagar a tal multa.Talvez seja também por isso, que até hoje, eu também dou mais valor a palavra do que ao papel, seguindo assim, os prenúncios de meu pai.Não posso negar que isso, ao longo da vida, tem me trazido alguns problemas. Mas não importa.Hoje, com tudo normalizado, eu até já esqueci, mas com certeza, essa foi a segunda “mala” da minha vida, que só foi resolvida pela imposição da formação da vida de um ser humano, o estudo!Hoje, as coisas são mais fáceis de resolver, o Governo já mudou inteiramente esse quadro, e tem facilitado a vida dos mais pobres, inclusive, para moralização do senso, ele obriga aos cartórios de registro a não cobrarem taxas, para uma certidão de nascimento. Mas as coisas vão mais além, e as “malas” de vida não nos abandonam e temos a obrigação, de portar a mesma até os últimos dias da nossa vida.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Minha primeira mala de vida

Quando por um acaso, ainda me chamam de “mala”, eu simplesmente não me contrario, pois sei que tudo que acontece em nossa vida, diz respeito realmente a “mala” que recebemos ao nascer e a uma outra “mala” que vai ser responsável pela nossa última viagem, aquela em que reunimos todos os projetos que regeram os nossos destinos de vida, aqui na terra.A primeira mala nos diz exatamente sobre a nossa perspectiva de vida, porque quando nascemos e quando recebemos a nossa primeira mala, ao analisarmos o seu conteúdo, ele por certo nos indicará as facilidades e as dificuldades que se apresentarão ao longo do nosso caminho.
Não posso esquecer, que quando nasci, filho de família pobre, minha mãe preparou a minha primeira mala de vida para me receber e num processo cuidadoso e de muita luta para que nada me faltasse, ela conseguiu reunir as principais peças de roupas, para o meu agasalho, e dito por ela, a maioria delas, teriam sido doadas, pela nossa vizinhança.
Tudo parecia perfeito, eu já tinha a minha primeira mala de vida e minha mãe aguardava bem segura, a minha chegada. Mas, infelizmente, nem tudo que se planeja acontece, e por obra genética, eu nasci fora dos moldes normais de um recém nascido.
Cheguei ao mundo com 55 cm de comprimento e o peso de uma criança de três meses, pois eu nasci com 5,2 gramas.
Por aí já sentimos, que a minha primeira mala de roupas e agasalhos , não funcionou!Mas minha mãe, era uma filha do otimismo e rapidamente, conseguiu a ajuda de uma senhora de origem Libanesa, e que por sinal, minha mãe só a chamava, por não saber seu nome, de “Dona Libânia”.
Essa senhora residia na última casa da Vila onde morávamos e conforme minha mãe contou depois, foi essa mesma senhora, que lhe deu um prato de bacalhau, que havia lhe despertado desejos de comer, antes do meu nascimento.
Para que eu não nascesse babando ou com os cabelos arrepiados, a “Dona Libânia” foi muito gentil com a minha mãe, dizendo que se ela tivesse mais algum outro desejo provocado pelo cheiro saboroso da sua comida , que ela não fizesse cerimônias, garantindo assim que não deveria me aguardar com desejos não realizados.
E assim então, minha mãe , que na época tinha apenas quinze anos, venc eu a primeira etapa de dificuldades da minha vida, pois além de comida, minha mala ganhou roupas também!.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Coisas curiosas que nos assustam

Quando trabalhei na Indústria farmacêutica, mais precisamente num laboratório nacional, na década de 1960, era Chefe do Planejamento e Controle da Produção.Fui inteiramente tomado pela curiosidade, quando recebi da Diretoria Comercial, a informação de que tínhamos que programar uma fabricação de mil caixas especiais para exportação de dois tipos diferentes de nossos produtos; o primeiro deles, um xarope, remédio para tosse e bronquite e o segundo, um tônico à base de vinho que era receitado como revitalizador de memória.O que me chamou a atenção, foi o porque da apresentação dos produtos em embalagens de litros. Não me contive e perguntei o porque. Obtive a resposta de que aqueles produtos seriam exportados para a Holanda e para a Bélgica e lá, seriam vendidos nos bares e nas Casas de Shows na linha de drinks. Que barbaridade! E como justificativa, só pude imaginar, o consumo daqueles remédios em bares, pelo alto grau do seu ph de mais ou menos 45 graus, na sua acidez. Assim, passei então, a atender o tal preparo da exportação, imaginando que, Belgas e Holandeses deviam tomar altos porres de remédios.Na realidade, um xarope de fórmula original de nossos indígenas, que sabiamente se utilizaram de ervas de excelente valor terapêutico para cura de estados gripais e limpeza dos brônquios.Esses medicamentos, que tinham mais de cinquenta anos de uso freqüente eram receitados por inúmeros médicos especializados nesse tipo de tratamento, assim como também o tônico, que era bem aplicado como um fortificante inteiramente próprio para as doenças de perda de apetite e auxílio direto na melhoria dos problemas de memória.E esse fato só me trouxe alegrias de ser brasileiro, conhecendo pela estranha encomenda, um mercado novo, que aumentaria todos os projetos futuros de trocas de alguns produtos de origem francesa.
Isso criou, naquela época, os novos conceitos de comercialização, de grande valia para a nossa cultura de novas aplicações, na área química e farmacêutica.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O difícil caminho de um histórico profissional

Vivia eu, a alternativa da busca do emprego ideal, aquele que colocaria à prova todos os meus conhecimentos adquiridos ao longo dos anos.Aquele que iria confirmar, se realmente eu estava preparado para assumir todos os desafios de uma grande Empresa.Com esse objetivo, participei do processo de seleção que, por sinal, considerei o mais complicado de todos os que eu já havia até então, disputado.Naquela época desconhecia o mecanismo desses processos e transitei por uma longa estrada em várias entrevistas.A primeira delas foi com um funcionário federal lotado na Sup. de Marinha Mercante, como Diretor da Divisão de Auditoria, e que por via política, assessorava um grande industrial europeu.Foi bastante desgastante. Atendi a cinco convocações, em dias diferentes e a cada uma delas, eu respondia a perguntas do meu entrevistador, que sempre afirmava que dispunha de pouco tempo e não poderia me entrevistar como desejava.Dessas cinco convocações,a primeira durou cinco minutos em uma das salas, a segunda, com outro entrevistador, aconteceu na recepção da Empresa, a terceira dentro de um elevador no trajeto entre a cobertura e o andar térreo, a quarta andando pela Av. Rio Branco e finalmente a derradeira e quinta entrevista, já dentro da sua sala, onde me anunciou que eu seria admitido após a apresentação dos exames e documentos necessários.Lembro-me bem do seu sorriso quando me deu os parabéns por ter sido escolhido entre quase vinte candidatos.Completou que por aquele motivo iam inicialmente pagar-me o mesmo salário do antigo emprego e após trinta dias de experiência, teria um reajuste de vinte por cento. Julguei, naquele dia, que o referido senhor, pensava estar admitindo o mais fraco dos candidatos, para garantir-se , sem medo de perder o lugar.Talvez pensasse ele, que eu não tivesse os conhecimentos necessários para comandar um Departamento Financeiro de um grande grupo internacional, que envolvia, importação e exportação, câmbio, dívida externa, BancosNacionais e Internacionais, contas caucionadas, balancetes, cobrança a nível nacional, além das aplicações financeiras.Quis fazer de mim um mero assistente do trabalho que desenvolvia. Colocou-me ao seu lado na mesa e pediu-me que ficasse observando como trabalhava.Assim eu fiz, fiquei calmo e atento. Após o primeiro expediente, ele me disse que era um assessor somente de meio expediente,pois tinha um emprego público e por aquele motivo, os Diretores estavam com a idéia de substituí-lo.Convidou-me para um lanche,com o propósito, como disse, de me passar algumas “dicas”.Já na lanchonete, fiquei surpreso, pois o prato a mim oferecido era simplesmente uma cilada, para que eu ficasse impedido de assumir aquela posição. “O meu lanche era composto de lingüiça frita com cachaça!”Foi problemático estar novo no emprego, numa função de responsabilidade, trabalhando com finanças, e durante o período experimental, ter que conviver com bebida alcoólica e comidas perigosas oferecidas por aquele senhor. Mas, aquela posição falsificada de assistente, foi modificada quando o presidente do grupo, muito inteligente, observou o que se passava e determinou que as posições deveriam estar invertidas, pois eu assumiria a mesa de trabalho e ele observaria a minha desenvoltura.Aquela ordem modificou seus planos, e no dia seguinte, ele não mais compareceu ao serviço.A justiça então se fez e eu, sòzinho, conduzi todo o trabalho e segurei a posição, graças a Deus!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O cigarro e a bebida, as próximas vítimas

Confesso que não sou nenhum fumante, nem beberrão inveterado, mas de todo não apóio a campanha deslavada, que vem sendo feita, contra esses dois hábitos comuns da humanidade. O Governo tem que arriscar, mesmo sabendo que esses dois vícios que não contribuem para a economia na área de saúde e levam uma infinidade de pessoas, a lotarem as enfermarias dos hospitais públicos e privados, e ainda provocam desajustes familiares, afetam em muito a produtividade do nosso país.Tenho alguns exemplos em minha família. Meus tios num total de 8 filhos, por parte de minha mãe, todos sem exceção foram vítimas do fumo e da bebida, e quantas outras famílias, também não foram atingidas?Mas temos que nos preparar para educarmos os nossos filhos a não beberem e a não fumarem. Existe o lado engraçado da coisa, como exemplo, a entrevista que vovô Osório deu ao Jô Soares, há algum tempo atrás, onde vimos uma figura de cento e quatorze anos de idade, que deixou de fumar aos cento e quatro anos,depois de fazer uso do cigarro, num período de noventa e seis anos.Tal usuário do cigarro ainda afirmou para o entrevistador, que não estava muito bem de saúde, porque fazia sexo quatro vezes ao dia, nas suas passadas em casa, e à noite após um dia de trabalho, queria repetir o ato, esquecendo que já havia feito. Dizia ao entrevistador que não estava bem de saúde porque sua memória não funcionava bem.Temos ainda que lembrar, que as fábricas de cigarros, representavam há uns anos atrás, a maior tributação em termos de IPI.O mercado financeiro balançava, todas as vezes, quando era previsto o recolhimento desse tipo de tributo, que levava alguns dos pequenos Bancos, a pedirem recursos ao Banco Central, para suportarem as saídas de caixa. Por sinal, a bebida também no início do ciclo industrial brasileiro, era uma das grandes divisas de tributos do governo.Naquela época, o imposto de consumo, era pago antecipadamente, para selagem dos produtos, que faziam parte do faturamento de muitas empresas. O restante do mundo, é grande consumidor de bebidas, pois o clima frio sempre obriga o seu uso, até no preparo de pratos quentes ou comidas especiais.Temos sempre que combater o fumo, a bebida, o narcotráfico, mas temos também que educar e criar um limite de consumo, que não possa afetar a saúde , a produtividade e o bom-senso de nossos filhos.Pensemos também que uma massa de profissionais, trabalha nestes dois campos e não podemos fomentar o desemprego em nosso país.Sabemos também que os números revelados pelas estatísticas nessa área, não correspondem aos índices da realidade, pois os nossos Institutos, deixam de incluir nesses cálculos, a grande população das nossas penitenciárias, que vivem improdutivamente.Os países do chamado primeiro mundo, não deixam de incluir em suas estatísticas o presidiário. Hoje, eu confesso a vocês que faço por onde, deixar de fumar e beber, mesmo socialmente, mas se realmente as fábricas de cigarros ebebidas fecharem, gerará um grande desemprego, não só nas áreas diretamente ligadas, como também, a outros determinados setores, como sejam, o do papel, das tintas, do papelão, do consumo energético, etc...Assim como, vai ficar profundamente sem graça, quando necessitarmos ir a um Centro Espírita para uma consulta, e verificarmos que os Pais de Santos, não fumam e nem bebem!

sábado, 2 de maio de 2009

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