Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 30 de junho de 2009

A quarta mala de vida

A quarta mala de nossa vida é uma mala de grande responsabilidade.Ela diz respeito à saúde e aos cuidados pessoais, e envolve a nossa caminhada e estadia na terra. E como compreender que esta mala é com certeza, uma “mala hereditária”?Ela já esta amarrada e depositada em nossos genes, ela faz parte do nosso sangue, ela se liga às nossas imperfeições ósseas, elas herdam sinais, e complicam por demais a vida do seu portador e carregador. Este, coitado, só vai prestar atenção nas deficiências, quando na fase adulta. Sempre carreguei esta “mala” com muito cuidado, pois eu não conseguia entender a morte prematura do meu pai, um homem cheio de saúde, que deixou a vida aos 37 anos de idade, sem nunca ter tido uma gripe sequer.Partindo daí, eu iniciei um processo de observação sobre as coisas da minha “mala de saúde”, eu não acreditava que a carregaria por mais de 37 anos.Juro que fiquei complexado ao sentir que o meu gigante de saúde, tinha desabado com uma bagagem tão notória de proteção corporal.Fui então analisando tudo, com muita calma, e senti e intui,que todos os males de saúde, que me levariam a sucumbir, assim como a meu pai, prematuramente, seria com certeza por deficiência da circulação sanguínea. Arquivei esses pensamentos na memória e ninguém me fez pensar diferente.Observei que tudo o que ocorreu a meu pai, foi relativo a problemas do seu aparelho circulatório.Sua alimentação era básica da comida típica do nordeste, pois ele era pernambucano, acostumado a saborear as famosas buchadas e o tradicional sarapatel de carne de porco, bem como uma deliciosa carne seca assada, com uma espessa farofa de mandioca, carregada em ovos. Todos estes pratos bem dosados de um forte colesterol. E ainda por cima, diariamente, fumava dois maços de cigarros.O fumo, na época, era considerado um vício pouco combatido pelas autoridades médicas, visto que não era para qualquer um conseguir fumar um cigarro, onde até o fumo de rolo era usado freqüentemente por algumas mulheres.Meu pai fumava um cigarro fortíssimo que era vendido em carteiras glamorosas, o tradicional Jóquei Clube e fazia um uso inteiramente sem ponteiras ou filtros além do que, como todo bom carioca, socialmente tomava uma boa pinga.Gostava ele mesmo de preparar suas refeições e tudo isso, naquela época eram costumes brasileiros, que todos tinham sem nenhuma defesa médica, pois a nossa medicina ainda engatinhava nas descobertas.Nesse ano de 1946, por todas estas causas e deficiências do controle dos serviços de saúde, ele veio a falecer. E por este motivo, eu sempre procurei buscar na circulação sanguínea, a minha defesa pessoal.Hoje já passando dos 75, já estou acima dos meus objetivos esperados, e não sei até aonde chegarei, mas sei que levarei comigo diariamente na minha bagagem, sempre uma “aspirina e uma castanha da índia”, que me fazem companhia de segurança e me fazem acreditar que estou diariamente seguro na organização da minha “mala de saúde”.Espero que este meu comentário não venha a servir de receita para ninguém, pois já enfartei .Esse incidente mudou totalmente a minha anterior mala de saúde, pois não me sinto ainda garantido, depois do meu enfarto. Faço caminhadas e ginástica rítmica e estou sempre acompanhado do meu “captopril e do meu liptor”, os meus perenes guarda-costas.Já dobrei a idade de vida do meu pai, acabando com a minha cisma de que eu não atingiria jamais os 37 anos.Observem portanto com cuidado, a sua mala de saúde, pois ela é e será sempre de vital importância, dentro da nova escola médica brasileira!

sábado, 27 de junho de 2009

A vida é um compêndio de emoções e temos que viver!

Assim como as impressões digitais, que representam um dos dados que definem as pessoas individualmente, a nossa vida também se caracteriza por inúmeras outras indefinições. E será que se realizarmos um estudo detalhado das trilhas destas mesmas impressões digitais, nós não definiríamos os diferentes caminhos de nossa vida e da de todos os seres humanos, como se isso viesse a criar um novo estudo? Esse estudo objetivaria melhor compreendermos a incompatibilidade de pensamentos que fazem a grande diferença entre os seres humanos. As mães, que num passado remoto afirmavam com inteligência, que apesar de terem um número elevado de filhos, cada um deles era dono de uma individualidade e de diferentes pensamentos, afirmavam que sempre que colocavam os mesmos em confronto, como se fossem os dedos de nossas mãos, com certeza, poderíamos encontrar vidas bem parecidas, mas que jamais, teriam o mesmo teor de emoções. Essas emoções é que irão caracterizar a busca da nossa individualidade e a nossa forma ímpar de viver. Chego a pensar, que nós, individualmente, carregamos uma loucura de vida e teremos que nos adaptar a um mundo, também cheio de loucuras, e que sòmente jogando para o lado todo o egoísmo, a inveja, a usura, a desesperança e a vaidade, teremos uma vida mais amena e tornaremos os nossos caminhos, mais brandos. Cabe aqui refletir, que a leitura das linhas das mãos, podem indicar na quiromancia, todas as formas de análise dos supostos caminhos individuais, mas mesmo assim, não garantem a certeza dessa informação a todos os mínimos detalhes que fazem parte de nossa jornada diária de vida. Quem sabe, que se essa leitura fosse modificada para uma leitura digital das impressões de nossos dedos individualmente, com o uso da informática, não chegaríamos a perfeita leitura dos caminhos de vida na era do novo milênio? E assim refletindo, eu chego a pensar, que atualmente, fazemos uso da ultrassonografia para podermos identificar o sexo de um bebê ainda no útero de suas mães, com a finalidade de descobrirmos através de uma avaliação, as possíveis deformações congênitas. Caso a ciência pudesse avançar no campo de análise dessas características, realizando esse mesmo tipo de exame, voltado em parte, para o estudo das impressões de digitais daquela futura criança, quem sabe, poderíamos analisar não só o sexo, que já é um dado importante, mas também, o caráter individual, de cada um de nós? Talvez assim, iríamos poder identificar a formação do ser humano do novo milênio, e quem sabe, saber de antemão, quais as novas tendências das gerações futuras. Será que na ponta dos nossos dedos, não estarão guardados, esses segredos ainda não identificados e as tendências de cada ser humano ao nascer ? Assim pensando, sem os dedos, não somos absolutamente nada! Sem eles, seremos inúteis para escrever, para comer, para pegar, para pintar, para limpar, e assim por diante. Nós devemos reconhecer a importância do tato, em nossa vida, e observar que os melhores médicos são aqueles que realizam o exame de toque. Sempre que se faz um exame, por mais profundo que ele seja, necessitamos daquele toque médico, e a nossa ponta de dedos, é quem sempre dará a importância do resultado que se justificará, principalmente, se o mesmo médico, for um portador de uma deficiência visual. Prosseguindo nessa análise, eu chego a conclusão de que as características das impressões digitais entre os médicos, por certo devem ter alguma semelhança. E ainda vou mais além, se realmente as características, nesse tipo de formação, baseadas nas impressões digitais coincidirem, nós não só poderíamos identificar, uma classe médica ao nascer, mas como também, todas as outras, e assim no futuro poderíamos, saber de antemão, quantos médicos, arquitetos, engenheiros, militares, políticos, estadistas, cientistas, advogados, juízes, professores, escultores, pintores, pedreiros, cozinheiros, e assim por diante. E nós teríamos com certeza, a cada nove meses, uma amostragem aproximada da qualidade social de vida futura. Mergulhando ainda mais nessas considerações, chegaríamos portanto, a identificar os futuros males que afetariam a saúde daquela nova vida, prestes a vir ao mundo e talvez até, quem sabe, identificaríamos também os futuros criminosos, os psicopatas e os traficantes de drogas. Isso seria realmente uma maravilha e a solução para Paz Universal. Teríamos talvez, a vitória geral do bem sobre o mal e a perpetuação do homem na Terra! Nunca devemos esquecer que em todos os aprendizados de vida nos quais utilizamos os nossos dedos, eles serviram como o nosso primeiro instrumento, pois com eles, aprendemos a fazer contas, com eles apontamos as coisas que nos interessam, com eles sinalizamos se tudo vai bem e legal... Com eles, os deficientes auditivos fazem o seu papo diário e os deficientes visuais fazem as suas novas descobertas. Resumindo, concluo que, com os nossos dedos, demos vida a todos os equipamentos eletro-eletrônicos que irão registrar na história, a orientação das futuras gerações.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A dinastia das tias

Eu confesso que a vida segue dinastias, mas a principal delas, é por certo, a que se relaciona com as “Tias”. Aqui com meus botões, eu fico admirado de nem sempre ter prestado atenção a um detalhe, como esse, tão predominante em minha vida.Até bem pouco tempo atrás, eu não conseguia fazer qualquer afirmação a respeito desse assunto, talvez pelo fato de não ter sido contemplado com uma tia, pois os irmãos de minha mãe eram todos homens, e por conseguinte, só me forneceram “tias postiças”, ou seja, como se diz no contrabando, “tias do Paraguai”.Ainda pelo motivo de residir no Rio de Janeiro, eu não pude conhecer a família oriunda de meu pai, que me contemplou com seis maravilhosas “tias”. Como nunca viajei para o Recife, não cheguei a conhecer nenhuma delas, visto que meu pai faleceu prematuramente, aqui no Rio de Janeiro..Assim sendo, só me resta lembrar a relação carinhosa que mantive ao longo da minha vida, com as tias de minha mãe e com as tias “do Paraguai”.Acrescento aqui também as famosas tias de aluguel, que pela minha observação, são aquelas que andam buscando crianças bonitas e engraçadinhas, que as chamem de “tias” para a perfeita satisfação do seu ego.Já falei aqui neste espaço de algumas tias e hoje, enfatizo que elas são as principais peças de equilíbrio numa família, servindo de exemplos variados de afeição.Vejam vocês, eu passei por todas essas existências de “tias”, na minha infância e juventude, e nunca admitiria o peso de uma tia numa sociedade, mas só agora, com o passar do tempo, após ter me ramificado em várias famílias, eu vejo que todas as tias são atuantes e politicamente situadas.Socialmente uma grande nação não se constrói sem “tias”, haja vista, que há bem pouco tempo atrás, as professoras passaram a ser chamadas assim, pelos seus alunos.Mas quero aqui deixar bem claro, que eu acredito firmemente na “ dinastias das tias” , mas, para que o mundo fique mais calmo e mais tranqüilo, peço que todas aquelas que pertençam realmente a essa dinastia, não sufoquem os outros membros da sociedade, como mães, pais, tios, avós, cunhados.Que façam o seu trabalho social, mas sem exageros que comprometam a personalidade dos seus valorosos e competentes sobrinhos, que na realidade serão o futuro da nação.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os meus primeiros dias de aula na escola

Os meus primeiros dias de aula na escola, sempre me trouxeram problemas, por mais que fossem recomendados por minha mãe. Eu tinha apenas quatro anos e não conseguia definir direito o momento exato de atender ao pedido da professora para que me dirigisse à sala de aula. Apesar de minha mãe explicar diariamente que sempre que a professora chamasse os alunos do primeiro ano eu deveria subir, eu aguardava o chamado e não entendia porque não era chamado.A explicação para o fato era que a professora só usava a expressão, “ a primeira classe pode subir”, e eu ficava no pátio do Colégio, sozinho, esperando. Eu esperava que ela chamasse exatamente, como a minha mãe me dizia, e, com isso, sempre perdia a primeira aula. Quando chegava em casa e falava para minha mãe, ela não conseguia entender , até o dia em que eu usei a expressão da professora, comparando-a com a da minha mãe. Dessa forma foi desvendada a grande confusão e aí então, pude participar de todas as aulas, inclusive da primeira.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O mundo vai virar

Eu sempre pensei que um dia, o mundo ia virar, mas como isso poderia acontecer? A semente da humanidade foi plantada no Oriente, as maiores e mais antigas civilizações estavam alí fixadas, e por alí aconteceram as grandes descobertas. No entanto, o espírito aventureiro do homem, a força da sua ambição em obter além do que possuía, fêz este mesmo homem sair em busca de novos horizontes e novas conquistas. Hoje,decorrente dessa força, acontecem as coisas no Oriente e o restante do mundo se apavora. A Russia, a China e o Japão jogam o desespero nas bolsas internacionais, e nós, pobres cristãos, ficamos sem saber o que poderá ocorrer com o resto do mundo, onde estamos incluidos. Que fantástico o nosso caminho da globalização: ter ciência dos rombos financeiros do mercado mundial via Internet, sentir no rosto de cada operador da Bolsa, o desconforto da perda, sentir o desespero dos financistas e empresários e vê-los com aquele olhar tenso, aquela esperança de uma reviravolta, sem dúvida, é inacreditável... E como devem estar as UTI’S dos principais hospitais que cuidam da saúde desses profissionais, pelo mundo afora ? Trabalhar com dinheiro é terrível! Controlar dívidas caseiras já é um transtorno, muito pior, fazer lances da expressão real da dívida externa de um país, que até poderá atingir uma moratória. A minha experiência na área financeira é exatamente contrária a fase que o brasileiro atravessa hoje. Participei desse mercado, nas décadas de 70 e 80, quando o espírito dos nossos dirigentes era mais otimista. Otimismo talvez gerado pela forma como a política econômica encaminhava as coisas,ou seja, “com a barriga”. Sempre se resolviam dívidas com novas dívidas. Aprendi que o dinheiro tinha um preço a cada dia da semana. Na 2ª feira valia menos, na 3ª feira um pouco mais, na 4ª feira começava a aumentar um pouco mais e na 5ª feira tinha o seu mais alto preço, porque todas as operações financeiras deveriam estar concluídas até 6ª feira. Nesse ponto , o dinheiro barateava, porque iria “dormir” na conta bancária no final da semana. Hoje, fico louco, nosso dinheiro tem sempre o mesmo valor e as coisas não param de subir. De que adianta a moeda ser forte se ela vive trancada nos cofres dos bancos internacionais? Atualmente somos de primeiro mundo em valor de moeda, mas em compensação, somos os últimos do mundo em balança comercial. Nada produzimos e ficamos na expectativa de rever o básico da economia brasileira deslanchar, confirmando que o seu princípio mecânico tem que ser de “capital e trabalho”, e não de “trabalho do capital”. Vamos clamar aos nossos dirigentes que criem trabalho, que ganhem os mercados de exportação, que equilibrem a nossa balança comercial. Temos, necessariamente que ser um país ativo e não um “país passivo”, anterior à era da informática. Naquele tempo, os nossos contabilistas possuiam menos recursos para identificar a futura falência de um negócio. Normalmente êles chegavam até o proprietário e sócio e com um livro de 500 folhas na mão entre débitos e créditos, falavam entre os dentes, quase sussurando que a Empresa tinha falido, o que na maioria das vezes era confirmado pelo empresário. Nos tempos atuais as condições são totalmente diversas, temos como planejar, trabalhar, revisar e poupar. Não podemos esquecer,que o Dr. Enéas podia parecer um louco quando dizia que as nossas reservas eram infinitas,mas nessa hora o nosso presidente deveria fazer das palavras do Dr. Enéas as suas. Sem dúvida, estaria fortalecendo um novo refrão, em substituição aquele já consagrado bordão do nosso povo : -“ Eu tô maluco, ah! Eu tô maluco”, que o brasileiro grita quase diariamente, em busca da solução dos problemas de vida no nosso grande e glorioso país.

sábado, 20 de junho de 2009

Minha primeira viagem de bonde

Eu só tinha nove anos, e ia fazer minha primeira viagem de bonde, pois seria através desse transporte que eu iria diariamente para o Colégio Brasileiro de São Cristóvão. Estava determinado. Eu sairia na companhia do meu pai até o terminal de bondes, ali, meu pai me deixaria e pegaria o trem para o trabalho, e eu, seguiria para o Colégio. Apesar de todos os conselhos e alertas de minha mãe foi muito forte para mim, fazer a minha primeira viagem sozinho. Lá fui eu. Minha mãe tinha me avisado, que quando o condutor do bonde (cobrador) passasse fazendo a cobrança, e dizendo, a frase “faz, favor...” eu teria que pagar a passagem, que naquela época, correspondia a dez centavos. Sentei- me no canto da grade, para admirar a paisagem, e fiquei daí por diante atento à passagem do condutor que faria a cobrança da passagem. O cobrador chegou, e gritou alto para o pagamento, o célebre “faz favor”, que a minha mãe havia me alertado .Aí eu já com a moeda na mão, estendia na direção dele, pagava e respirava fundo, mas aí então, o cobrador fazia várias vezes, o mesmo trajeto, para cobrar as pessoas, que estavam constantemente embarcando, e ainda não teriam pago. Mas como eu ignorava aquele fato, cada vez que o condutor passava, eu pagava de novo a passagem, como que obedecendo, as instruções da minha mãe, pois ela não me dissera, que eu só teria que pagar quando ele dissesse “faz favor” pela primeira vez. Ela esqueceu do detalhe, que ele passava várias vezes dizendo, “faz favor”, mas pela graça de Deus, o condutor percebeu, que eu ignorava, e que só teria que pagar a passagem uma vez, e ele me disse “ô menino”, você só deve pagar a passagem na primeira vez que eu passar, se não você vai ficar sem dinheiro, para voltar para casa e para sua merenda na escola! E eu então contei isto a minha mãe, ela riu muito com a minha ignorância, mas pelo que achei , eu estava rigorosamente atendendo uma instrução dela!.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mas que reencarnação!

Outro dia pela manhã, liguei a televisão. Queria assistir ao jornal de notícias e logo ao primeiro intervalo, para minha surpresa, uma chamada : “a tela quente” iria exibir um filme cujo enredo me deixou preocupado. Pela narrativa, a estória se desenvolveria em torno de um homem que morreu e voltou à vida, reencarnado como um lindo cachorro.Esse cachorro, por acaso, instalou-se na mesma casa de outrora, como o novo membro daquela mesma família, que chefiava há tempos atrás. Esta narrativa me despertou curiosidade, e por certo interessei-me em acompanhar. Pelas primeiras chamadas do filme, observei que o cão era uma figura já bem identificada com as coisas da casa. Vou aqui navegar na imaginação e tentar confirmar quantas vezes já observei em determinadas casas, o comportamento de alguns animais, e pelo visto, o roteirista deste filme deve ter se inspirado em fatos que acontecem na vida real. Na minha lembrança, quando menino, tínhamos um cãozinho, chamado Príncipe, que era muito apegado à toda a família. Era atencioso quando falávamos com êle, adorava ser acariciado e sempre estava a observar as coisas. Num determinado dia, minha mãe saía para o trabalho, e quando estava exatamente próxima à estação do trem, ficou preocupada e muito nervosa,pois quem estava ao lado dela? O nosso amado cãozinho. Como ela não poderia voltar, tinha que embarcar no trem, e assim fêz. O bichinho, quieto, não saia de perto dela. Quando chegou ao final da viagem, desceu do trem, e olhando muito séria para êle , disse muito nervosa: - Não posso perder o meu emprego e nem quero perder você, portanto trate de ser inteligente e volte para casa imediatamente. Esquecendo que eles já estavam a mais de 10 kms da residência, dirigiu-se ao ônibus que a deixaria na porta do seu emprego. E que dia! Trabalhou completamente preocupada. Ao final do dia, chegando à casa, chorou de alegria,pois quem estava alí quietinho era o Príncipe, o nosso grande amigo. Eu, então, sem entender nada, perguntei? – Mamãe, por que você está chorando? Ao que minha mãe respondeu: - meu filho, eu choro é de alegria, eu não esperava encontrar o nosso bichinho aqui; ele me seguiu na minha ida para o trabalho, foi comigo até a Cidade e eu não podia levá-lo comigo, nem poderia voltar à casa, pois tinha a conta certa do dinheiro da passagem. Não me diga, mamãe! Como pensando alto, ela continuou: - meu filho eu só posso achar que o Príncipe é o seu avô reencarnado, por que só êle tinha essa mania de me seguir quando eu saía pra trabalhar! Chego a conclusão de que em cada família deve existir um bichinho, que deve trazer dentro de si, a alma de um ser nosso reencarnado! Portanto, trate sempre bem aos pobrezinhos, êle poderá ser um irmão, um tio, um pai, um avô, ou quem sabe até você mesmo, num futuro proximo!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Que miscelânea, meu Deus!

Vejo-me diante de um computador de 4a. Geraçao. Para mim um novo mundo! Retrocedendo em meu arquivo pessoal de memória , sinto-me na obrigação de compará-lo àqueles gigantes que faziam parte da tecnologia dos anos 60. Não sei se o avanço tecnológico trará ao homem de hoje mais satisfação em sua maneira de viver ou irá lhe despertar para o mundo do click. E como será fácil clicar aqui ou ali e, de repente, saber de tudo o que está acontecendo em qualquer parte do mundo. Mas , saber no ar , sentir as viagens via internet, os contatos imediatos do mundo da 4a. ou 5a. geração, trarão a nós, homens, a vantagem esperada. Onde então, irão residir os nossos interesses de alma? Será que, futuramente , nós , homens, quando ainda estivermos em pleno período de gestação nas barrigas de nossas mães, teremos que nos submeter aos novos tipos de conceitos que serão impostos pela futura medicina ginecológica? Será que irão implantar nos úteros das futuras mamães grávidas determinados tipos de elementos químicos já relacionados ao mundo futuro ? Será difícil então conviver com a medicina eletrônica que irá nos obrigar a tomarmos impulsos elétricos de meia em meia hora e a recarregar os nossos chips a cada novo dia..... Que mundo é esse seu Manual ? Com certeza seu Manual será, no futuro, o verdadeiro nome do sr. Manoel!!! Não fiquem vocês assustados com esta minha afirmação, porque quando eu era criança êste mesmo nome era também conhecido como maneca. Vamos deixar isso prá lá e achar que tudo acontece por obra do nosso grande DEUS. Se fizermos, no momento atual, uma observação mais profunda, vamos concluir que as coisas só acontecem nas horas certas. Todas as mudanças de vida em nosso planeta estão ganhando uma nova dimensão e acelerando novas definições e coincidentemente nos aproximamos de um novo milênio, por sinal aquele mesmo tão citado pelos salmos: “’de mil passarás, mas a dois, não chegarás”’... Na minha projeção, esta afirmação é verdadeira. As coisas se modificam e o homem, sem sentir, deixará de existir como representação da forma humana e ganhará a nova estrutura de raciocínio em tempo de máquina. Mas, que mundo é esse? O homem original, aquele mesmo das cavernas, vivia muito mais. Pois ele, não tinha automóvel, avião, navio, ultraleve, microondas, televisão , geladeira etc., etc., Em compensacão, tinha uma vida pura, em estreita relação com a natureza, alimentava-se corretamente, exercitava-se com naturalidade, sem seguir nenhuma orientação técnico-profissional. O homem do novo milênio, futuramente ao nascer, será entregue ao centro de preparo de vida terrena, onde os técnicos em projeções de vida futura, o irão colocar em cápsulas indevassáveis, que acionadas pelos controles eletrônicos, informarão o seu tipo físico e mental. Quais serão, então, as habilidades presentes naquele ser e os tipos de comandos e contatos eletrônicos que serão adaptados, para finalmente ganharem condição de ingressar no milênio assegredado do ano 2.000! Virão por certo, novos problemas, dos mais variáveis, como por exemplo : dirá a mulher do futuro: - hoje, eu terei que ir ao ginecologista implantar novos óvulos no útero , porque na próxima quinzena quero engravidar de uma menina tipo bhskl mod. 3450, ou entáo aquele senhor , já setentão,dirá:- marquei para a próxima semana uma visita ao urologista, pois estou necessitando injetar um aditivo na bolsa escrotal para dar mais agilidade aos meus espermatozóides, pois estou pretendendo ser pai de trigêmeos, ou ainda, aquele menino avoado que chegará até sua mãe e pedirá que ela lhe compre um novo carregador de idéias para que seja utilizado no semestre de volta as aulas... Que miscelânia, meu DEUS!!! Estaremos então, no falado fim do Mundo !!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ainda outro tipo inesquecível

Famoso industrial franco-português, era armador, banqueiro internacional, dono de império cimenteiro na Europa e África e tinha se empolgado pelo Brasil na década de 1960, por ocasião do governo de Juscelino Kubitschek. Consta que teria feito promessas ao nosso governante de trazer para o nosso País, a sua experiência no campo financeiro e no campo industrial. Aqui, ele, Antonio Champalimaud, se instalou como industrial, inaugurando a Soeicom Cimentos no Município de Vespasiano, a setenta quilômetros de Belo Horizonte. Organizou todas as outras Empresas daquela holding, como, por exemplo, a Tração Transportes, a Gestil de Participações Industriais e Comerciais, a Sogesta de Expansões e Negócios, a Tagide de Representação e Comercialização, a Real Rio de Seguros, a Taxi Aéreo Sinuelo , a Fazenda Três Rios, a Fazenda Imperatriz do Maranhão e outras tantas no sentido de aumentar o seu poderio industrial no Brasil.Não estando satisfeito com a forma política , tributária e social das leis do nosso País , resolveu ao final da década de 1980 retornar para a Europa deixando todo aquele complexo industrial e agro-pecuário arrendado à brasileiros que, conhecedores do nosso sistema, teriam mais facilidade em manter os negócios em giro. Foi uma pena o regresso,pois era um saudável industrial e banqueiro, que, sem dúvida, sofreu injustiças numa terra ainda sem formação, que ainda o perseguiu com a triste ousadia da imprensa marrom, notória em todos os povos de terceiro mundo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Mais outro tipo inesquecível

Cidadão mineiro de Sete Lagoas, era Diretor de Banco, de fina educação, bem relacionado, filho de fazendeiro que, comigo, mantinha um interesse de relacionamento profissional, como garantia de bom entendimento na conta bancária que eu comandava aqui no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Diariamente me procurava para oferecer serviços do Banco, para manutenção de uma parceria com fundamentos comerciais, uma vez que era a única Instituição Financeira com agência naquela Cidade. Por esse motivo havia sido contemplada com um posto avançado dentro da Fábrica, onde eu trabalhava. O que sempre fez com que eu utilizasse os serviços do Banco, foi a cordialidade de negócios e praticidade que era dada as operações comerciais que a nossa Empresa necessitava, como o financiamento das folhas de pagamento dos funcionários, empréstimos pessoais para os trabalhadores, financiamentos do Finame e encaminhamento de outros negócios através de uma Financeira, dirigida pelo seu irmão. Era um contador de estórias e a mais interessante que me narrou foi, como ele mesmo dizia, a mais importante de sua vida.Mesmo sendo filho de um rico fazendeiro de gado leiteiro, ele construiu sua vida com o seu próprio trabalho e tudo que possuía era fruto de seu esforço pessoal. Seu pai, como ajuda inicial de vida, deu-lhe um caminhão cheio de, aproximadamente, vinte mil quilos de queijo minas frescal, dizendo-lhe: - esta é a ajuda que lhe dou o resto é contigo. Vai em frente! Carlos Calcado estremeceu e pensou que deveria trabalhar com muito cuidado para fazer daquela carga o seu futuro. Juntou mala de roupas, pediu a benção aos pais e partiu em direção ao Rio de Janeiro. No caminho, tentava vender os queijos nos mercados, restaurantes, bares, etc..., pois como era produto perecível tinha que ser vendido rapidamente. A dificuldade era grande, pois só podia vender à vista e ninguém se dispunha a pagar, visto que todo o comércio já tinha seus fornecedores que faturavam a mercadoria. O medo começou a atormentá-lo e tinha a certeza de que perderia todo o queijo. Foi então que uma sábia idéia acercou-se de sua mente: iria trocar o seu queijo por produtos não perecíveis como fumo de rolo, caixas de charuto, cigarros, material escolar, papel para embrulho. A idéia foi totalmente aceitável nos pequenos mercados e, assim, pode continuar sua viagem de mascate sem qualquer receio de perder a sua carga. Quando chegou ao Rio de Janeiro, já havia conseguido vender ou trocar quase todos os produtos , obtendo dinheiro para abrir seu próprio negócio. Hoje, sei que ele voltou a ser fazendeiro em Sete Lagoas, porque o Banco em que era sócio-diretor sofreu intervenção do Banco Central. Sabe-se que, homem criativo, produz “humos” para a agricultura, criadores de minhocas e ainda presta assessoria a diversas empresas de agropecuária.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mais um tipo inesquecível

Figura simpática, extrovertida, tipo diferente, o Sr. Humberto Cidade. Criativo homem de negócios, não conhecido nos meios sociais e raramente falado na Imprensa Brasileira, mas em compensação, o seu rastro de criatividade influi até hoje diretamente na vida de grande número de brasileiros, porque foi o criador dos Volantes para os sorteios de todos os jogos da Loteria implantados pela Caixa Econômica Federal desde a década de 1970. Conheci essa grande figura na década de 1980,quando me foi apresentado com a finalidade de negociar com o meu patrão. Seu objetivo era marcar uma reunião para mostrar um dossier, que envolvia a venda de uma Cidade inteira do Estado de Minas Gerais, cujos poderes eram dados por um Instrumento de Procuração, passado pela Prefeitura do Município de Mariana. Tinha conhecido o referido senhor somente há quinze dias e tinha sido o primeiro a contemplar o tal dossier , com muitas dúvidas se poderia confiar no que tinha visto. Ele representava o espelho de uma Cidade que seria instrumento de venda de uma Usina de Ouro, das Escolas, de todos os prédios públicos e até mesmo da própria Igreja com padre e tudo. Mas como homem já experiente, analisei friamente todos os documentos e passei ao Sr. Cidade a idéia de que a argumentação daquele encontro e a iniciativa ficaria totalmente a cargo do staff da nossa Empresa, por mais que o interesse de compra se manifestasse, pela inclusão da mina de ouro, o ponto crítico que por certo influenciaria na negociação. Uma vez que qualquer lusitano que se preza olha para o ouro com o olhar do nobre Cabral, o nosso descobridor, ainda assim, deixei bem claro, que o meu patrão não era ingênuo e jamais compraria gato por lebre. Finalmente o referido encontro aconteceu, e fiquei sabendo que o negócio era inviável, além de pasmo em saber que as providências de análise , perfeitas, constaram de um levantamento aero-fotográfico, de toda a região onde se situava a mina de ouro e que foi pesquisado todo o equipamento de extração e maquinário pesado, cujo laudo deixou bem claro que todo aquele complexo industrial, estava totalmente sucateado. Para complicar mais ainda qualquer possibilidade de negócio, ficou comprovado que toda a população da Cidade era de ex-empregados da Usina, e já credores, num processo de falência de milhares de ações trabalhistas que teriam movido contra a referida Usina de Ouro. Mesmo assim, continuei intrigado no aspecto de saber, o porque do envolvimento do Sr. Humberto Cidade, numa negociata desse tipo, pois era reconhecidamente um sujeito rico por receber direitos de autoria da Caixa Econômica Federal, de cerca de milhões, pela patente inventiva dos volantes de todos os jogos da loteria. Finalmente apurei que ele se apresentava como dono da referida Cidade, mas na verdade, era um simples procurador do Município e tinha se comprometido em juízo que liquidaria com os problemas que envolviam aquela região há mais de vinte anos. A Empresa não concretizou o negócio, mas conheci um negociante por demais interessante!

domingo, 7 de junho de 2009

Um tipo inesquecível em minha vida

Outro tipo inesquecível em minha vida foi o jovem Dr. Francisco Pinto Jr., que tinha formação em Direito e era um excelente administrador e estrategista.Ele ocupava na mesma empresa em que eu trabalhava, um lugar de destaque; era o Gerente do Planejamento Comercial do Setor Sul do Brasil e cabia a ele projetar as vendas anuais daquela área comercial,que envolvia desde as campanhas comerciais até o estudo de lançamento de novos produtos, que naquela época já alcançava a casa de 228 tipos diferentes, entre a linha de farmácia e a linha de produtos de beleza e toucador.Num determinado dia, convidou-me para fazer parte do seu quadro de funcionários, e simplesmente deixou em minhas mãos todos os mapas de projeção de vendas, orientando-me para que não tivesse medo,pois, como dizia, venda era sonho.Disse-me então: -vou te ensinar a sonhar, e para você será muito simples, eu já vi que você é um otimista, jamais irá errar num sonho de vendas.E assim, fui me especializando e levando todas a informações ao Diretor Industrial, com quem viria a trabalhar futuramente no planejamento industrial.Lamentei profundamente, quando o amigo Francisco foi convidado para trabalho em outro grupo pois o nosso convívio foi apenas de um ano, mas fiquei feliz em saber do seu progresso profissional, pois ele já tinha rapidamente se tornado uma das pessoas de prestígio junto ao governo do Dr. Juscelino.Somente uns anos depois, quando surgiu uma chance de termos um encontro, eu tentei reservar junto a sua secretária, um horário para conversarmos, e na realidade ele pela sua grande ocupação, marcou um determinado dia, quando estivesse em trânsito entre o Rio e Recife, mas não fui feliz. O pneu do meu carro furou na Avenida Brasil, e não tive como chegar ao encontro. Tendo ficado constrangido, não tentei marcar nova data, mas fiquei na esperança de um dia futuro sentarmos para conversar, mas pelo visto, acho que ele saiu do país.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Errar é humano

Ainda no meu caminho profissional na Indústria farmacêutica conheci um químico famoso no campo da Agricultura, com vários ensaios e livros publicados nessa área.
Como prestador de serviços, dava assistência às fabricações nas Indústrias.Esse profissional tinha literatura famosa sobre o emprego do óleo da castanha do Pará, no início usado na aviação, precisamente nos aviões à jato, como o único lubrificante resistente aos atritos das turbinas desse tipo avião.Com toda essa notoriedade, mostrou-me que errar é humano.E também com ele, tive um grande aprendizado no momento em que ao analisar o grau de acidez dos remédios da fábrica, verifiquei que o benzoato de sódio não estava mais apresentando segurança, nem garantia na conservação das nossas fórmulas.Então solicitei um auxílio, e ele , confiante na sua atuação de químico veterano e mestre no assunto, ràpidamente pegou caneta e papel e fazendo cálculos, disse-me: - mande comprar urgentemente um quilograma de aneurina e adicione a cada fórmula apenas uma grama, para cada dez mil litros de remédio fabricado. Assim, certo do seu fundamento, mandei comprar tal produto, sem deixar de comunicar ao meu superior imediato as providências solicitadas pelo grande químico.A partir dali fiquei tranqüilo, acreditando que nunca mais teríamos problemas na acetificação de qualquer tipo dos nossos remédios.Mas qual não foi a minha surpresa, quando decorridos seis meses após o início daquela utilização,começamos a receber reclamações de que os remédios estavam mudando de cor, porque no seu aspecto inicial de fabricação apresentavam a coloração cor de café e decorridos seis meses, eles adquiriam a cor de café com leite. A clientela no Brasil e na América Latina, começava a exigir a troca imediatamente.Tivemos que manter a fabricação normal de produtos e realizar a substituição de todos aqueles que havíamos vendido nos seis meses anteriores.Foi necessário criar turnos diferentes de trabalho para duplicarmos a nossa produção e normalizarmos a venda e troca respectivamente.Aprendi então que nunca devemos subestimar os problemas técnicos de trabalho. Devemos sempre, pensar, calcular, experimentar, para só então, mudarmos qualquer rotina, mesmo quando temos toda a certeza da nossa capacidade e estivermos conscientes de que errar é humano. Posteriormente, nesse mesmo campo de trabalho, fiquei totalmente indignado, quando reclamei do alto grau de acidez em nossos tônicos ao nosso Diretor Industrial e dele recebi a ordem de mandar buscar vinte quilos de soda cáustica e adicionar àqueles mesmos remédios cuja conservação estava a cargo do benzoato de sódio.Após esses dois fatos , eu fiquei entre a cruz e a espada nos meus aprendizados - primeiro,o cálculo errado do químico, que resultou na descoloração dos remédios e segundo, na tomada de decisão do meu Diretor, que me dizia que remédio é droga e portanto, droga combate droga!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Brasil precisa urgentemente de um novo "síndico"

Vejam bem:Se precisarmos chamar a polícia, temos que pensar duas vezes!Parece a hora de mudarmos o nosso síndico!Afinal, quando iremos realizar a próxima assembléia geral ordinária, para a eleição do nosso verdadeiro síndico?Em todas as assembléias que foram realizadas, o condomínio Brasil, nada fez para melhorar o seu desenvolvimento, a sua segurança e a sua preservação, confirmando que nesse grande condomínio, só se faz eleição, com o voto de “cabresto”, o que por certo, tem levado os seus moradores, ao completo abandono e descrença.Mas que absurdo!, nesse nosso prédio, que está perto de completar seiscentos anos os problemas que se apresentam em nosso dia a dia, demonstram claramente, que corremos um grande risco, o de perder o pleno poder, para garantir, a segurança das nossas fronteiras.Na década de cinqüenta, eu ainda na minha juventude, e servindo ao exército, soube de um jovem de mais ou menos 23 anos de idade, que já naquela época, mantinha um contato entre os índios e os contrabandistas americanos.Sabia-se que ele estava integrado em negócios duvidosos pela interferência de um irmão, um jovem militar da aeronáutica, no posto de cabo, que era agregado à embaixada brasileira em Washington. Diziam que por certo fazia a ponte de informações para manutenção de uma rede de contrabando internacional, em pleno crescimento.Diziam que os vizinhos do condomínio onde ele residia, assistiam a um trânsito de animais nativos da nossa fauna, como onças, preguiças, araras, jacarés,pelos corredores, quando chegavam trazidos por ele e eram confinados em seu apartamento. O tal rapaz trazia ainda artesanatos de indígenas, como arco e flechas, penachos, cachimbos e pigmentos, como também, pasmem: - o tal rapaz, que nem habilitado era para conduzir automóveis - estacionava no pátio do edifício, carros, zero quilômetro, modelo Chevrolet Impala Belair, a grande sensação automobilística do momento.Quando ouvia tais histórias, sendo brasileiro e otimista, comprometido com o serviço militar, onde prestava um estágio, como Aspirante a Oficial da reserva, convocado pelo Regimento Escola de Infantaria na Vila Militar do Rio de Janeiro ficava indignado e me vi na obrigação de interpelar pessoalmente aquele jovem, que residia próximo ao condomínio que eu residia. E então, num determinado dia, em que saia para levar meu filho de nove meses para pegar sol, minha intervenção foi precipitada para ter com ele uma conversa franca, por ter quando passava ao lado do edifício,presenciado a queda de uma onça pintada da janela do seu apartamento .Abismado com o fato e após eu ter solicitado que retirasse a onça que havia caído da janela dele e estava naquele momento sentada no corredor do prédio, o convidei para que fosse a minha casa para uma conversa.Expliquei-lhe que não estava entendendo como ele podia ter animais daquele porte dentro de um apartamento em prédio residencial , por todas as implicações sociais que acarretavam.O tal sujeito, apenas me respondeu, muito solícito, que em qualquer domingo daqueles ia aparecer lá em casa, para tomarmos juntos uma cerveja e para batermos um papo, quando aproveitaria para levar-me algumas lembranças de trocas que tinha feito com os nossos índios da Amazônia.Cumprindo o prometido, por lá apareceu , e trazia com ele coisas fabricadas pelos índios.Sorridente, iniciou um diálogo que me fez ficar boquiaberto, após me contar como obtinha dos índios os presentes.Fez uma declaração assustadora, quando lhe perguntei pelos carros licenciados guardados no pátio do prédio, e ele sem nenhum medo, foi firme na sua resposta, me dizendo que fazia troca com os americanos - eu forneço um tambor de duzentos litros mais ou menos, de uma determinada seiva que negocio com os índios, e recebo em troca um carro “zero” desse tipo.Quando lhe perguntei sobre o que faziam os americanos com aquela seiva, oriunda das nossas matas, ele disse que nada sabia a respeito, pois o irmão dele que estava a serviço na Embaixada Brasileira em Washington, é quem o havia encarregado do serviço e nunca havia esclarecido nada.Compreendi que ali havia uma rede internacional de tráfico e contrabando de drogas, já instalada em nosso país, perigosamente.O tal rapaz se dizia inocente e com o seu “trabalho”,colocava em risco todos os moradores daquele condomínio.Dizia que só voltaria a viajar para a Amazônia, após a venda dos tais carros, e que em cada viagem, ele ficava por lá normalmente um período de quatro a seis meses, quando retornava sempre para executar a venda das coisas que trazia.Esse procedimento, que se tornou uma constante na vida daquele rapaz, começou a me preocupar, e eu estava propenso a montar um determinado esquema, para liquidar com aquele negócio da China, que representava riscos e insegurança, para ele e todos os vizinhos, visto que, com certeza, colaborava para a manutenção e o crescimento de uma das pontas do futuro tráfico de drogas.Cabe salientar aqui que levei o fato ao conhecimento do meu Capitão comandante para que tomasse as providências cabíveis.Felizmente, para mim, não foi necessário, montar o tal esquema, pois ele como de costume, fez uma nova viagem e não mais regressou.Acreditou-se que deve ter sido eliminado pela própria rede de negócios ilícitos ou pela nossa polícia federal.Vejam vocês, vivíamos naquela época no ano de 1959.Não é fantástico?O nosso condomínio Brasil, que por estar contaminado há tanto tempo, necessita urgentemente de um pulso forte, de um novo dirigente.E ainda assim, tem brasileiro, que acredita ser o tráfico de drogas,uma coisa de vinte anos para cá.Temos ou não temos, que mudar o nosso “síndico”?E ontem na televisão assisti , que os nossos índios, estão sendo escravizados pelos atuais traficantes de drogas, que ainda os obrigam a plantar maconha para eles!Aí então, posso com certeza afirmar, que o bom governo, é e será sempre aquele que fará a segurança das nossas fronteiras, até hoje, nunca protegidas....