Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

domingo, 19 de dezembro de 2010

Nós, os vícios e a vida.

Ao findar a noite de ontem, eu e meus vícios me chamavam.
A noite estava quente e no prédio ao lado do meu rolava uma festa de aniversário, com músicas altíssimas de todo o tipo.
Peguei então, o meu rádio portátil com os fones de ouvido e sentei confortavelmente numa cadeira em minha varanda e relaxei com as pernas encima de uma almofada na outra cadeira.
Sou um viciado em notícias e busco conhecer na vida todos os seus exemplos e vivências.
Perfeitamente acomodado, liguei o rádio na minha emissora preferida, a CBN, e ouvi um entrevistador eloqüente e uma outra entrevistadora, num programa em andamento discutirem sobre vícios com uma psicanalista e com um estudioso no Brasil naquela mesma área.
Eu, para não perder o foco do assunto, agredia meus ouvidos elevando o som dos fones do rádio, a cada concordância minha com as verdades das descobertas que eles me traziam naquele assunto tão delicado. O que me chamava a atenção era a palavra inteligente, elucidativa e rara que eu ouvia os dois entrevistados trocarem entre si. Fiquei entusiasmado quando ouvi eles dizerem que se pensavam os homens da Terra que iam debelar o vício, estavam completamente enganados. A psicanalista afirmava que os dados comparativos de hoje com o passado deixam as pessoas do bem a tentar descobrir um caminho que nunca será debelado na vida humana, pois a vida é nesses moldes desde o início do mundo. Eles afirmavam e engrandeciam o assunto provando que somos viciados em amizades, em carinhos, em remédios, em arte e em religião.
Terminado o programa, passei a analisar o que havia ouvido e retornei o pensamento para o primeiro crime de que somos sabedores – a morte de Caim por Abel e constatei que nós devemos, individualmente, fazer uma escolha dos nossos vícios para relaxarmos as posições dos homens que se assenhoram das drogas para negociarem a cocaína e fundarem as tristes comunidades do crack existentes e progressivas no nosso Brasil. Hoje, o bem e o mal tem que ser amigos, tem que trocar idéias, tem, enfim, que separar obrigatoriamente as suas formas de viver.
Caso isso aconteça, o que espalha o vício não terá pela frente nunca mais o seu viciado.
Os nossos vícios estão presentes na nossa caminhada e são de todos os tipos desde a escolha da alimentação, da indicação de remédios, da forma de vestir, da sexualidade e da religião.
Por isso afirmo mais uma vez que nunca conseguiremos acabar com o vício, mas sim, mudarmos os caminhos para adquirir somente os bons vícios.
(Jorge Queiros - 19/12/10, em ditado)

Fonte da imagem: fabiomenen.blogspot.com

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