Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma reunião internacional, um grande susto e no final uma grande gargalhada geral !

Eu iniciava, um novo processo na minha carreira profissional, depois de ter passado por uma gama de seis empresas, de tipos diferentes de negócios e comercializações.A alegria já tomava conta dos meus sentimentos, eu conseguia ter sido o escolhido e era o vencedor em uma competição entre vinte executivos convocados, para o preenchimento da vaga.Eu não sabia, mas seria o pior em conhecimento técnico e prático daquele grupo de candidatos, mas fui escolhido politicamente e só iria descobrir o porque, bem mais à frente. Eu iria enfrentar o desafio de ocupar uma vaga da maior responsabilidade entre todas as outras, que eu já havia ocupado em minha vida.Já havia trabalhado no ramo da indústria gráfica, em dois jornais , no ramo da indústria farmacêutica, assim como também, no ramo das madeiras e de móveis hospitalares e ainda na construção civil, mas tudo a nível de trabalho num estágio de Brasil, nada envolvendo o comércio exterior.Aquela seria a minha grande chance de testar conhecimentos e implantar coisas novas com fundamentos genéricos, voltados inteiramente para negócios internos e externos, ligados aos grandes Bancos e às grandes instituições financeiras, envolvendo as grandes obras em nosso país. Teria também a oportunidade de acompanhar a instalação no Brasil de um grande Grupo cimenteiro que inauguraria um novo projeto de instalação com a fabrica montada em linha reta, pois todas as outras existentes eram retangulares ou circulares.Todos esses motivos me encheram de orgulho pela apresentação desse projeto inédito que me foi exibido na ocasião do meu ingresso e eu seria um dos decanos daquele grupo de dezesseis brasileiros.Começaria com um treinamento junto ao profissional que até então comandava todos os passos daquele importante departamento, mas que me deixava claro que não gostaria de sair, tinha sido ali colocado por influência do governo brasileiro atual, visto que o meu patrão mor, era mundialmente conhecido e amigo pessoal do presidente, tendo sido por ele aconselhado a adquirir terras em Minas Gerais, onde teria em alguns municípios, o solo da melhor qualidade para atender ao seu investimento empresarial.Na hora H em que eu iniciaria o meu treinamento e desempenho, fui colocado à deriva num oceano, que pela total falta de conhecimento de coisas do exterior, tais como câmbio de diferentes nações, importação de equipamentos, fechamento de contratos do exterior referente as compras no mercado externo, e ainda contatos em vários idiomas,visto que desenvolviam processos de grandes financiamentos em Bancos de Desenvolvimento, como BNDES, BDMGS e BANRIO.Fiquei num mato sem cachorro, quando o referido chefe que tinha feito a minha admissão, por sentir que o patrão forçava a ele o ensinamento dos principais passos de trabalho,dirigido a mim, sumiu e se ausentou da empresa, não mais retornando, pois tinha outra colocação no Governo que lhe rendia alto sustento.E como ele tinha armado um golpe de processo seletivo, ficou enfraquecido, quando eu disse a ele que conhecia o Presidente de uma empresa estatal nacional.Ele ficou entre a cruz e espada e teria que ter me treinado. Como não o fez, se afastou e largou tudo na minha mão.E vejam vocês, estava entregue nas minhas mãos e abandonado numa gaveta de uma mesa de escritório, a montagem de um grupo empresarial, num valor de instalação em dólares, de US$ 8 bilhões aproximadamente e num pais, ainda pouco respeitado no mundo de negócios comerciais e industriais.E para que eu pagasse, todos os meus pecados, o filho do grande presidente mor, que exercia a presidência executiva do grupo, informou-me que o antigo ocupante havia sumido e que no dia seguinte teria um encontro muito importante com o grupo de consorciados construtores da obra da nova fábrica.Dando ciência ao referido senhor que ele não havia me entregue a chave da gaveta onde estaria o cashflow e os assuntos de bancos, o mesmo disse que resolveria o problema chamando um chaveiro e arrombando as gavetas. Mais tarde um pouco, chegaram os chaveiros e ele arrombou a fechadura da mesa, tirou tudo de dentro dela e me disseque daquilo não entendia nada e se eu nem tinha visto nada ainda, não sabia o que fariam naquela reunião.Pedi que ele confiasse em mim , que retrucou ser eu um grande otimista, pois havia chegado lá há pouquíssimo tempo. Disse que levaria o material para casa e projetaria um novo cashflow que o possibilitaria a fazer a tal reunião com o consorcio.E assim fiz, coloquei tudo em minha pasta e fui para casa com aquela grande missão, responder aos acionistas e ao consorcio as informações necessárias, para o acompanhamento de todo investimento da fábrica em andamento.Tinha montado uma planilha, que no meu conceito, era excelente, e alguns números arranquei da minha cabeça pois não os tinha.Quem chegou primeiro a minha sala foi o presidente em exercício, que imediatamente cobrou o trabalho que entreguei me colocando a disposição para esclarecer qualquer dúvida.Fiquei de prontidão na minha sala, orando para que tudo corresse bem, quando já próximo das 7 da noite, o meu telefone toca e o presidente solicita minha ajuda.Ao entrar assustei-me com grande número de pessoas de todos os tamanhos, de todas as cores e de todas as idades.Ele, muito sério me perguntou de onde eu tinha tirado aqueles números.Sem constrangimento, apontei para minha cabeça e respondi : - daqui doutor! Ouvi uma gargalhada em uníssono.Ele prosseguiu dizendo que tudo aquilo era um sonho e que aquelas pessoas haviam vindo para a reunião, não para sonhar!Percebi que o grupo todo de consorciados e acionistas não paravam de gargalhar.Tudo ficou bom para mim quando eu lhe disse que quem me ensinou a sonhar tinha sido a minha mãe !

Um comentário:

  1. Até eu,ri daqui.
    Isso se chama segurança.
    gostei de estar lendo e voltarei.

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