Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Um curso de Telemarketing que fiz sem precisar

Naquela época eu desenvolvia uma nova posição de trabalho, pelo menos era uma nova experiência de vida.
Sempre estive como profissional ligado a área industrial e administrando diariamente o fato de fabricar alguma coisa, fosse remédios, madeiras, casas, mobiliário, jornais, cimento, enfim, um universo de coisas.
Ali eu iria cuidar pela primeira vez de uma área de vendas, eu seria um vendedor. Um cargo que traria a minha experiência voltada para um aprendizado nunca antes experimentado.
Já estava aposentado e fui fazer parte de uma equipe de vendas de homens todos naquela mesma condição e que ali estavam já há algum tempo.
Eram chamados de vendedores “cinco estrelas” e ali se diziam estar, para dar banho em vendas, como se diz na gíria comercial.
E eu chegava como um novato naquela equipe, tão respeitada na empresa..
Sem me assustar e com aquela emblemática ali presente, disse pensando comigo mesmo, eu nunca vendi em minha vida, como vou poder enfrentar vinte e três vendedores “cinco estrelas”, como dizem os diretores da empresa comercial?
Veio daí uma nova verdade para a minha vida.
Pensei que não podia fazer nenhuma vergonha, pois todo trabalho para ser bem executado, necessita de ser e estar bem administrado, e isto fazia parte de toda a minha vida profissional: uma boa administração, logo, não poderia temer coisa nenhuma. . .
Fui então chamado pelo diretor comercial, que me fez a entrega de todo o material de trabalho - uma pasta que continha relatórios de visitas e de faturamento mensal, e normas do funcionamento de todo o fluxograma de vendas - Desejou-me muito boa sorte e então fui eu para o novo trabalho...
Pedi a chefia, e a supervisão um tempo para me preparar para o estudo da área.
Para o relato de visitas, necessitaria de um tempo, pois era época de vendas de final de ano.
No meu pensamento eu insistia e argumentava de que não valeria eu ir para a rua despreparado, pois achava conveniente estudar os produtos que tinha para vender e estipular para quem gostaria de vender.
Teria primeiro que executar a mais importante tarefa de vendas, que é simplesmente eu saber me vender.
Achei então aquilo que seria o meu primeiro passo antes de pensar no produto que queria vender.
Sem fazer isso, mais demorado seria ter em mãos o meu primeiro pedido de vendas .
E iniciei assim então o meu estudo da minha área de vendas indicada pela direção comercial.
Nesse estudo pude verificar que eu não poderia vender em áreas de governo, devido as metas crescentes, pois deveria ser um vendedor apenas da área privada.
Não podendo vender em áreas públicas, afirmei que venda era persistência, e que apesar da área privada não se agigantar, eu faria todo o possível para trazer os melhores pedidos, de uma área considerada mais modesta, mas que nem por isso me assustaria na carreira de vendas..
E uma luz se acendeu, e tive uma grande idéia, vou criar um relógio de visitas, vai ser uma novidade pra mim em vendas.
Aquilo não existia e depois eu poderia programar minhas visitas na minha agenda até o final do próximo ano, o que seria um novo passo naquele campo de trabalho comercial.
Conclui que iria trabalhar com denodo e orientação e por certo seria um vencedor, numa modesta área sem grandes pretensões..
Diante das pressões da Diretoria, acertei que após um prazo de trinta dias eu estaria na rua já iniciando as minhas vendas, e este prazo me foi necessário para criar atualizações por seis meses, em minha agenda de desempenho de trabalhos.
E logo após iniciou-se a busca do meu primeiro pedido, e então tudo começaria a acontecer, e conseguiria responder a chefia direta de vendas, com as entregas de vendas, por mim sistematicamente programadas, que garantiram que a concorrência estivesse totalmente batida ao sabor das vendas que ficaram ligadas as programações encima de calendários estipulados e com preços ajustados, pois os tempos eram de inflação alta, onde ganhava a empresa e ganhava o cliente.
Então um pouco mais a frente eu pude também criar um quadro analítico que me forneceu a visão da minha clientela, e que me deu ainda a dimensão dos meus clientes em seus tamanhos por faixa dos seus pedidos, e assim aquele quadro veio a dar nome aos “bois”.
Eu fiquei com três faixas diversificadas de vendas, a do cliente pertencente a força auxiliar de venda, que exatamente seria a do cliente em crescimento, a outra seria a do cliente padrão, a faixa do cliente de programação já feita pela agenda anteriormente antecipada, e finalmente a faixa residual de vendas que seria aquela criada para atender aos clientes de baixo giro de compras e de pedidos menores, que não cabia de forma nenhuma visitas.
Foi aí que eu entrei com a ajuda do telemarketing da empresa que existia somente há oito anos e que só realizava um faturamento total de oito milhões mensal, e que depois desse meu programa aumentou em muito as suas vendas, porque eu na rua dava aquele departamento um grande apoio.
Isto durante as exposições que fazia a cada final de mês, levava a direção comercial a seguinte dúvida: vamos convidá–lo para gerenciar o departamento?
E eu pensava que não tinha aceito o desafio para desempregar ninguém, mas o que podia fazer se estava exercitando pensamentos do meu lado nunca
experimentado, o chamado lado externo empresarial e seus efeitos.
E passei a receber como homem de vendas externas, e sendo convidado para comando da organização do departamento de vendas do Call-center e sua organização e foi aí que um dos diretores da empresa, que teria criado o departamento de telemarketing há oito anos passados, me chamou para um papo deixando claro que eu não podia mexer num departamento que ele havia organizado há tanto tempo atrás.
De cara perguntou-me de onde era o meu diploma de Call center e qual era a visão de telemarketing.
Eu rebati dizendo era a que eu tinha visto quando me dirigia ao toillete
O Diretor estranhou a minha resposta, pois sentiu que eu era novato na área e eu logo afirmei que quem havia me colocado naquela posição tinha sido o primo dele, outro membro da Diretoria. Pedi que confiasse em mim e aguardasse o primeiro resultado do meu trabalho.
Continuei realizando as tarefas e fui chamado outra vez pelo primo dele que citei, o meu chefe direto, e que me disse sorrindo o seguinte, Jorge, o meu primo está cheio de ciúmes, eu queria te matricular num curso, para que tivesses um diploma na área, pois assim, você conseguindo o tal diploma que ele quer ver, ele acalma.
E então ao final do mês eu já começava o tal curso no Clube dos Lojistas do Rio de Janeiro. E já na apresentação na primeira aula, já virei o problema da turma de alunos, pois o professor que iria me dar o tal curso pediu a cada aluno uma apresentação, e na minha exposição, o professor, depois de ouvir toda a minha história que o deixou sem jeito, me chamou no intervalo das aulas de rotina e tarefas importantes, e particularmente me falou, por favor, não me pergunte nada durante as aulas, no andamento do curso, pois não vou te perguntar nada também, pois saiba, que o teu diploma já esta garantido.
E foi o que fiz e no fim de três meses eu já de posse do diploma, entreguei a diretoria comercial, e todos os resultados de vendas foram fantásticos, a área externa que eu havia organizado antes já tinha eliminado dos 23 representantes cinco estrelas nada menos do que onze, e a venda teve a sua qualidade de resultado aumentada em duas vezes no seu valor, e do departamento de Call-center, em onze vezes mais.
Os resultados foram tão bons que não me pagaram as comissões a que eu tinha direito,obrigando-me a pedir as minhas contas e a entrar na justiça para receber o valor corresponde a um carro zero de pequeno porte.
Como justiça nesse país não funciona, além de ser obrigado a fazer acordos para receber uma pequena parte, apesar do ganho de causa, ainda houve uma demora de sete anos para ver a cor do dinheiro.
E assim conclui a minha missão da conquista de um diploma jamais almejado.

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