Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

As cauções que nos protegem e que nos assustam...


As cauções são instrumentos que nos dão apoio e que nos protegem, sejam elas de ordem moral, financeira ou profissional, desde que saibamos usá-las no momento certo.
Com esta absoluta certeza, eu me recordo de que resolvi dois processos profissionais de caução.
O primeiro deles foi representado pela custódia de títulos bancários, que serviam de caução da obra, na fase de construção do complexo cimenteiro onde eu trabalhava.
Existia um consórcio de empresas que quando contratadas, foram obrigadas em cláusula contratual, a dar garantias através de CDBs num valor altíssimo, que levariam o projeto de construção até o seu final.
Como negócios em terras inflacionárias jamais terão segurança, o consórcio alemão envolvido, não deixou por menos, exigiu que se fizessem reajustes nos termos das faturas de mão de obra na construção da fábrica.
Ameaçaram desativar as obras e assim o fizeram, interrompendo os trabalhos no canteiro de obras, deixando mais de setecentos homens sem salário, alimentação e moradia.
Foi então que o presidente do grupo empresarial em que eu trabalhava, chamou-me e disse que tínhamos que assumir a vida daqueles empregados abandonados e darmos continuidade às obras, defendendo-nos financeira e juridicamente, perante aquele grupo de gananciosos.
Com isso, acalmaríamos as manifestações que já haviam se iniciado, inclusive com ameaças de destruição da fábrica pelos trabalhadores revoltados.
Assim fizemos e conseguimos finalizar as obras, deixando de lado as imposições do grupo construtor.
Nós já estávamos trabalhando e produzindo há mais de oito anos, quando tive a lembrança de que dentro do meu cofre, existiam os tais títulos que caucionavam e garantiam a construção da fábrica até o seu final. Tomei em mãos aqueles títulos e observei que eles tinham sido emitidos por um Banco já liquidado.
Ao mesmo tempo pensei que como aquele Banco tinha sido comprado por outro, só restava a alternativa de trocá-los nesse novo Banco.
Caso isso pudesse ser concretizado, faturaríamos com o valor devidamente corrigido financeiramente.
Por sorte o Diretor Regional desse novo Banco que comprou o que emitiu as ações, era um meu amigo antigo. Expus ao mesmo toda a história, pedindo que interferisse diretamente na renovação daqueles títulos, com os valores atualizados. Assim ele fez, e conseguiu renovar por duas vezes tais garantias, porque guardava esperanças de abrirmos a Conta da Empresa no seu Banco.
Aquele valor que se quadruplicou, continuou sob a minha guarda no cofre, já que era um valor fora do caixa da Empresa.
Todo esse processo transformou-se numa ação ordinária em juízo, com tentativas até de busca e apreensão dos CDBs.
Para a satisfação de toda a Empresa, ganhamos juridicamente e sacamos, em verdade, a tal garantia, antes esquecida no fundo do meu cofre.
No entanto, para variar em questões empresariais, recebi da minha Diretoria simplesmente, o famoso “ Meus parabéns!” , pois, nem de longe, pensaram em qualquer compensação financeira, pela idéia brilhante que tive, para aumentar os recursos financeiros do Grupo.

Fonte da imagem: migalhas.com.br

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