Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quinta-feira, 12 de maio de 2011

MINHA CONVIVÊNCIA COM OS ALEMÃES

Meu primeiro convívio com os alemães, lembra a minha primeira infância, pois foram os primeiros estrangeiros com quem me relacionei.
Aqueles meninos alemães, vieram para o Brasil antes do final da guerra e eram meus amiguinhos de rua e de visitas em casa.
Eram filhos do dono do restaurante, do morro da Urca no Pão de Açúcar e nós tivemos um excitado período de adaptação em nossas amizades, pois convivemos juntos, como se não fossemos inimigos durante a última guerra que decorria na Europa naquela época.
Repentinamente, eles se mudaram do Rio de Janeiro, que era a Capital Federal do Brasil.
Fiquei penalizado e preocupado, porque eles - o HANS, o JULIO e a LUIZA, desapareceram como se tivessem sido perseguidos.
No entanto,mais adiante, vim a saber que eles tinham vendido o negócio e voltado para o sul do nosso país.
Mais a frente, num outro encontro, quando eu já tinha meus 35 anos de idade, num curso na IBM do Brasil, no centro de estudos para me tornar um programador de computador 360/20, o primeiro dos gigantes computadores a chegarem aqui no nosso Brasil, voltei a conviver com outros alemães.
O momento da informática no Brasil ainda engatinhava e somente existiam dezesseis empresas que eram possuidoras daquele gigante da computação, o novo 360/20, que nem de longe, se parece com o nosso note-book de hoje em dia.
Tal máquina só nos reservava em sua memória, a capacidade de 16.000, posições de caracteres e ocupava uma sala com uma área de vinte metros quadrados, para receber todas as unidades necessárias.
Nem se pensava que num determinado dia, o nosso atual note-book, viesse nos trazer milhões e milhões de posições de caracteres, ocupando um espaço apenas de quarenta centímetros.
Fui indicado pelo meu amigo de escola, que gerenciava o departamento de cursos da IBM e que cuidou do meu encaminhamento para estágio na Bayer do Brasil, onde fiquei no Centro de Processamento de Dados convivendo de perto, com seis alemães, de nomes raros e completamente diferentes dos josés, antônios e manuéis, existentes aqui no Brasil.
Fiquei durante aquele tempo, num difícil convívio, com aqueles homens de nomes fortes como Eisberg, Freitag, Wolfgang, Agustin, Hans, Gulliver....etc. e sonhando com a minha admissão na área farmacêutica.
Mas aquela fase, foi só de sonhos, pois um diretor da empresa, que estava na Alemanha em férias, fê-los cair por água abaixo, quando na volta ao Brasil, pra’ sua reintegração, já trouxe da Alemanha, um novo funcionário para preencher a tal vaga do meu sonho.
De lembrança só ficou o “charuto”, símbolo da aprovação e liberação do meu estágio, recebido dos meus amigos alemães que, como eu, tinham a certeza da minha admissão.
Mas tudo me valeu na vida, como mais um aprendizado, pois na realidade para mim nunca existirão os sonhos frustrados, eu sou e sempre fui um forte destruidor de frustrações, por ser sempre um grande otimista!

(Jorge Queiroz da Silva - agosto de 2010)
Fonte da imagem:veronicapacheco.wordpress.com

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