Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sábado, 14 de maio de 2011

MINHA CONVIVÊNCIA COM OS JAPONESES

Eu sou do tempo de um Brasil ainda preocupado com todos os movimentos individuais e coletivos do seu povo, de quantidade ainda pequena, para manutenção de uma guarda que fiscalizasse um litoral gigante e desconhecido.
Éramos, nos anos 30, um pais que ainda carecia de leis e de idéias, que pudessem nos dar um crescimento sustentável.
Eu, ainda menino, via nas famílias brasileiras, o acompanhamento da vinda de japoneses para o nosso país, que aqui chegavam, para se fixarem em nossas terras, como os italianos, alemães, ingleses, franceses e chineses.
Os japoneses tinham como de hábito, nos avisarem de que éramos ricos, de solo e clima e que tínhamos todas as virtudes para um crescimento rápido e seguro.
Naquela época, eu observava que as famílias se preocupavam muito com o crescimento das crianças, pois ainda não tínhamos meios de acompanhar os nossos filhos crescendo, na velocidade necessária para vestir, calçar e alimentar, nas devidas faixas de idade.
Faltava-nos o principal - o maquinário próprio, que nos proporcionaria a velocidade equiparada com esse crescimento.
Lembro-me bem, que os brasileiros teciam elogios aos japoneses, e recomendavam que adotássemos o processo de cada família de japoneses, que enrolavam os pés de seus filhos do sexo masculino, para que eles não crescessem.
Embora despertassem em nosso povo o desejo de conhecer aquela sabedoria milenar, sabíamos que teríamos que buscar muita paciência, que nos conduzisse a razão e a nova busca da altura média do nosso filho brasileiro, que era a mínima.
Levamos assim muitos anos, para topar aquele desafio de poder transformar os nossos baixinhos em gigantes que já temos hoje por aí. Hoje, já possuimos condicionamentos que nos dão a certeza de sermos um país gigante e de uma raça muito forte e especial.
Na época em que eu tinha um sítio e criava galinhas, adquiri uma grande experiência com amigos japoneses plantadores e criadores na nossa agricultura.
Ensinaram-me a prestar atenção na ração que eu utilizava para alimentá-las. O simples uso de sal na ração de galinhas que põe ovos, fazem com que as poedeiras parem imediatamente de botar os ovos nos ninhos demarcados para cada uma delas.
Adicionando sal à ração, os administradores do meu sítio teriam a possibilidade de sabotar as minhas poedeiras e mascararem a produção para enganar-me como proprietário, facilitando os desvios de ovos.
Agradeço aos japoneses por esse ensinamento, que me fez fiscalizar a granja à distância e angariar grandes lucros com as minhas poedeiras.
Lembro-me também que o primeiro carro que eu tive, foi um Fusca, ano 1961, ainda queixo duro, que me foi dado de presente, pelo Presidente da Construtora onde eu trabalhava.
O Presidente queria ajudar o engenheiro Tadashi, que era um japonês nosso amigo da Empresa de Consultoria de Planejamento, que fora forçado a vender o seu carro devido ao crescimento de seus filhos, o que exigia um carro maior.
Por simpatia àquele japonês, o carro me foi dado, pois eu naquela época, ainda não tinha tido condições de adquirir um automóvel, embora meu patrão sempre me cobrasse, pela necessidade que eu tinha no meu trabalho de locomover-me com rapidez.
Mesmo sem possuir carteira de motorista, aceitei aquele grande presente e me habilitei diante dos ´0rgãos competentes, ficando satisfeitíssimo pois o carro do amigo japonês, mesmo com mais de dez anos de uso, estampava o brilho de um automóvel zero quilômetro, pelo bom trato que recebia daquele japonês.

(Jorge Queiroz da Silva - setembro/10)
Fonte da imagem:inusitatus.blogtv.uol.com.br

Um comentário:

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