Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 10 de maio de 2011

MINHA CONVIVÊNCIA COM OS ITALIANOS

A minha primeira ligação com esse povo, foi quando me empreguei num grupo de fabricantes de móveis e camas hospitalares.
Travei conhecimento com um italiano de personalidade forte e quero crer que a sua posição como dono da empresa, o fazia assim, austero com todos que o cercavam.
Não posso no entanto esquecer que o convívio com esse patrão, o Sr. Lamero Astério Presto, me fez orgulhosamente ser o criador de um primeiro passo importante nas leis trabalhistas, mesmo sem ser conhecedor da jurisprudência trabalhista das leis brasileiras. Tal lei já tinha sido aprovada pelo Congresso Nacional e pela sua falta de uso, já estaria perto de ter o seu prazo de validade expirado, pois estava em vias de completar cinco anos sem utilização, visto que fui o primeiro brasileiro a fazer uso dela. E o fiz, por força do que esse meu patrão me fez. Tinha sido eu convocado pelo CPOR/RJ após minha aprovação, para fazer meu curso de OFICIAL/R2, o que me dava o direito de só trabalhar meio expediente e esse meu bendito patrão italiano, não aceitou de maneira alguma, a minha convocação.
Lembro-me bem, quando gritando comigo em voz alta, me disse que não aceitava o fato e que só continuaria sendo seu funcionário se trabalhasse em horário integral. Caso contrário, eu deveria procurar meus direitos na Justiça.
Eu era um jovem, que lia jornais e estava sempre bem informado e então, só fiz comparecer ao setor competente para recorrer e assim ganhar a tal ação trabalhista, que teve seu pagamento na própria mesa de julgamento em dinheiro vivo e feito pelo tal patrão, um brutamontes.
Não posso deixar de agradecer ao Sr. Lamero os elogios recebidos do juiz durante o julgamento da causa, firmando para a juíza auxiliar e para os escrivães e advogados das partes, que eu trouxe de volta à validade, uma lei pronta a expirar e que eu deveria me sentir muito feliz em ser o objeto acelerador de uma nova jurisprudência na lei trabalhista brasileira.
No entanto, para me fazer mudar de opinião sobre os italianos, convivi num segundo momento, com um italiano de personalidade totalmente oposta.
Foi em 1958, quando aos vinte e quatro anos trabalhava numa Indústria Química e Farmacêutica.
Naquela área industrial, era meu companheiro de trabalho, o Sandro, um jovem que veio fugido com sua mãe da guerra iniciada na Europa em 1938, quando ele era ainda um menino e sobreviveu a um ataque aéreo e perdeu o seu pai.
O Sandro era uma figura risonha e sempre me convidava para provar as iguarias que sua “mama”, insistia em preparar para nós, para com um delicioso almoço à italiana, selarmos aquela nossa amizade ítalo- brasileira, pois ele não se cansava de comentar com ela sobre mim.
Infelizmente aquele tão esperado almoço não chegou a acontecer, pois repentinamente, ele foi vitimado por um câncer, que creio eu, já teria mostrado a sua origem pelos efeitos malignos da guerra nuclear, após as bombas atômicas terem sido jogadas, em cima de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
A morte do Sandro deixou em mim um terrível sentimento de perda, pela figura que ele era, a quem passei a associar todos os italianos.
(Jorge Queiroz da Silva, em 20/08/2010)
Fonte da imagem:cdvnovela.blogspot.com

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