Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O dia em que uma sogra se deu mal


Ser genro é um papel difícil, haja vista as afirmações no cotidiano da vida de certos casais.
As sogras exigentes da época antiga, para fazerem valer o contrato de casamento, exigiam dos pretendentes de suas filhas realizações que caracterizassem um noivado, tais como, jamais estarem a sós com a noiva, um bom emprego que garantisse a noiva melhores condições do que as atuais e, sobretudo, especulações sobre a carreira profissional do futuro genro que deveria aspirar a cargos elevados no comércio ou a uma posição de destaque em qualquer outro ramo.
Durante o noivado do meu primeiro casamento, isso há cerca de quase sessenta anos atrás, eu assisti, com bastante revolta a má-vontade que imbuia a personalidade das sogras daquela época. Para que vocês possam atestar o que eu senti, relato nas próximas linhas, o que ocorreu.
Minha futura sogra havia adquirido uma nova residência e estava com dificuldades de lá alocar todos os seus móveis e utensílios, considerando a disposição espacial do novo local, totalmente diferente do anterior. Eu, então, expert em gráficos e croquis, bastante experimentados na área industrial onde em trabalhava, me ofereci para ajudá-la. Sendo assim, preparei um croqui com desenhos e escalas de medição e orgulhoso do meu trabalho, corri para apresentá-lo, quando com a imponência habitual das sogras, recusou meu trabalho, desmerecendo-o, pois, segundo ela, não iria precisar daquela “porcaria”.
Verdadeiramente acanhado e pressionado por ela, mas orgulhoso da minha obra, não tive a coragem necessária para rasgá-la e a guardei comigo no meu escritório de trabalho.
No entanto, como a justiça tarda mas não falha, no dia da mudança eu estava presente e de posse do croqui.
Presenciei um corre-corre infernal dos carregadores obedecendo as ordens de minha futura sogra. Ali, ninguém se entendia. Os móveis depois de montados tinham que ser desmontados por não caberem no local designado por ela. Após mais de três horas de trabalho ineficaz, ela teve que entregar os pontos e pedir minha ajuda. Saboreei minha vingança, quando ela me perguntou se eu ainda tinha o croqui.
Não deveria, estou certo disso. Mas, mesmo assim, apresentei-o a ela, que o passou ao montador que rindo, respondeu: -“agora vai, madame!”.
(Jorge Queiroz da Silva, em ditado - 02/06/11)
Fonte da imagem:anuncios-gratis.floy.c...

Um comentário:

  1. Convencidas e julgando-se as melhores da sua rua.

    Gosto da minha sogra. Tem 90 anos e viveu aqui em casa durante 18 anos. Foi sempre amiga e colaborante, mas em Agosto passado a sua situação de saúde agravou-se e foi para um lar.

    Nunca refilou e está ainda mais nova.

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