Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sábado, 6 de agosto de 2011

Coração de mãe não se engana...

Desde muito pequeno, minha mãe não cansava de me dizer:- meu filho, vou te ensinar a crescer, como um ser humano organizado.Você deverá ser um constante observador.Para sair às ruas, duas coisas são essenciais: o sentido do trânsito e as sinalizações dos cruzamentos. Sua observação também deverá ser eficaz com relação às pessoas. Não só as pessoas bem vestidas e com destaque, devem ser observadas, mas principalmente o povo.


Aquelas suas palavras sempre marcavam minha mente e tenho uma lembrança bem forte quanto àquele ensinamento, quando já adulto, indo para o trabalho, fui agredido por dois mendigos, em dois dias diferentes. Eles se atracaram comigo pedindo auxílio. Um deles era um brasileiro e estava alcoolizado. Tinha as vestes enlameadas e quando me envolveu deixou parte daquela lama em minhas roupas. Lembro que meu terno de linho branco ficou preto e o povo nas filas de ônibus, em plena Praça Tiradentes, ria do incidente. Lembro também, que não senti revolta por aquele ataque, pois desde criança fui preparado por minha mãe, quando dizia que se um mendigo se aproximasse de mim,minha primeira observação deveria ser quanto ao seu odor, pois caso cheirasse mal eu deveria fugir dele.


De outra feita, um mendigo argentino me deu “uma gravata”, em plena Presidente Vargas. Portava um saco nas costas, com todos os apetrechos de morador de rua. Agarrado ao meu pescoço, manteve-me paralisado por um bom tempo.Gritava: por Dios, senor, por Dios, senor. Estoy faminto! Avaliei seu cheiro e não senti medo. Soltou-me quando eu fiz menção de pegar dinheiro para lhe dar.


Minha mãe tinha razão quanto ao cheiro. Ambos não tinham cheiro ruim e queriam apenas ajuda.

Fonte da imagem: estiloestilomeu.blogsp... 

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