Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sábado, 16 de maio de 2009

Meu primeiro tipo inesquecível

Ela era neta da princesa Leopoldina, a dona “ VENINA”, e eu a via como uma das raras e várias figuras do folclore da minha rua. Em primeiro lugar, vale lembrar que ela era a mais antiga milionária do local, uma senhora já quase setentona, bastante imponente. Ela era a feliz possuidora, de quase todas as casas da rua do Cajá, onde eu residia. E era ali, na extensão de todo o lado direito da rua, que ela vivia num palacete avarandado e luxuoso com a sua família. No local existia um excelente pomar de frutas, criação de cavalos, um ranário e um lago para peixes. Ela fazia a sua renda da locação dos imóveis, que ocupavam toda a faixa direita da rua. Nós éramos seus antigos inquilinos, por morarmos numa destas casas, eu a conhecia, como a “senhoria” de minha mãe, mas ela tinha, uma admiração especial pela minha mãe, e por qualquer mal estar, ou qualquer, outro motivo, ela a chamava as pressas, fosse para rezá-la, pois ela tinha uma crença muito grande, nos guias espirituais de minha mãe, ou para escrever uma carta, ou fazer o seu jogo de bicho, onde sempre ela arriscava um fezinha. Por este laço íntimo de amizade e fé, eu vim a saber mais tarde, que ela teria deixado de cobrar alguns aluguéis a minha mãe. Diziam as más línguas, que isto foi por mais de vinte anos, e além de minha mãe ser uma dedicada serva, nos seus cuidados pessoais, como sendo a sua dama de companhia, ela ainda fazia uso das visões de minha mãe, e gostava das previsões em copo com água, que minha mãe fazia, para predizer as coisas que para ela, poderiam vir a acontecer , e assim fazia um uso constante , da corrente oriental de vidência, de que minha mãe era merecedora . E esta amizade durou, até o dia do seu falecimento, e afirmo que era uma amizade de fazer inveja a muita gente ali na rua. Quem não queria ser amiga fiel, da neta da Princesa Leopoldina? Seu nome , após sua morte, foi dado a uma rua da localidade .

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