Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 26 de maio de 2009

Minha terceira mala de vida

A terceira mala de vida que também nos dá muito peso, é exatamente aquela que decide qual a “crença” que vamos receber – se a católica, a espírita, a judaica, a ortodoxa, a batista, a evangélica, a eclética, a carismática, a maçônica - porém, pela formalidade dos sistemas de educação religiosa da família, os filhos recebem dos seus pais a orientação sobre qual deverá ser sua bagagem religiosa.Eu, por exemplo, ainda me lembro que minha mãe era uma adepta do espiritismo, mas que por total interferência da minha escola, ela foi obrigada socialmente, a me indicar para a religião católica, o que me causou, um “nó” nas idéias, visto que eu, normalmente, assistia em minha casa às sessões de reuniões espíritas, comandadas por ela e por seus guias, que faziam a sua doutrina ligadas a uma corrente Indiana, se utilizando de magias e das visões futuras.Por isso eu confesso que essa mala foi dura de arrumar, pois o meu curso de catecismo, me fez fazer seguidamente, quatro comunhões, e eu ainda com oito anos, tinha que conviver com o conselho passado pelo Padre e com a fé que me era transmitida pelos guias de minha mãe, caboclo “Ubirajara”, cabocla “Jurema”, Pai “Joaquim”, “Ogum Beira-mar”, “Mamãe Oxum”, “Sete Encruzilhadas” e os “ Êres”, e ainda fazer as comparações infantis, entre o defumador da Igreja e o defumador do terreiro de minha mãe!Vejam vocês que “mala” espiritual me arranjaram!Mas hoje, graças a Deus, eu consegui conciliar todas essas dúvidas e certezas na minha cabeça, e por este motivo coloquei nesta “mala”, uma crença múltipla, e por esse motivo, mesmo não sabendo para onde vou após a morte, sei que chegarei com a minha bagagem de um camelo de crenças, sempre disposto a conversar com o Bispo ou com o Papa, com Deus ou com o Demo, com o Pastor ou com o Esotérico, com o Judeu ou com o Ateu, sem qualquer preconceito.

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