Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quinta-feira, 29 de março de 2012

A poesia do ladrão de galinhas de outrora

Naquela época, vivíamos os tempos dos fartos galinheiros, o orgulho da gente mais humilde, que fazia suas reservas, para o sustento da família.Era a mesma época, em que se trocavam os legumes e as verduras cultivadas nos quintais de nossas casas.Era também a fase do “ladrão de galinhas”, que interferia nas economias alheias.Todo bom chefe de família, que se prezava, tinha o seu bom galinheiro, e sua pequena plantação, e, por sinal , na minha casa, não era diferente. Papai criava galinhas, patos, porcos, perus, cabritos, se preparando sempre para as grandes festas de terreiro, que ocorriam no decorrer de todo o ano, pois, além de gostar muito de reuniões festivas ele era um exímio e compenetrado cozinheiro.Ainda me lembro muito bem, do dia em que um ladrão de “galinhas”, entrou em nossa casa, se apossando e levando todas as nossas grandes e afortunadas frangas, deixando o galo no galinheiro, com um cartaz pendurado em seu pescoço com os dizeres, de uma marcha carnavalesca, que não parava de tocar nas rádios, “ Ôpa, homem não!!!”,Eu, criança, ria muito daquela história, e da revolta do meu pai , tão indignado, que prometia pegar aquele sem vergonha, e pendurá-lo numa das árvores, com o mesmo cartaz. A revolta do meu pai ainda se acentuou por estarmos próximo da Semana Santa.Eu , num daqueles dias, já tinha montado o meu “JUDAS”, para malhar, no Sábado de aleluia. Meu pai, que trabalhava, e só chegava em casa pela madrugada, naquele mesmo dia , vendo o vulto daquele homem, encostado em uma das árvores do nosso quintal, se apressou em malhar a pau, aquele que ele julgou, ser um novo ladrão de galinhas.Ao acordar , a indignação e a decepção,foram minhas.
(Jorge Queiroz da Silva - abril/2009)

Fonte da imagem:br-gospel.blogspot.com

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