Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quarta-feira, 14 de março de 2012

Detalhes sobre o Dr. Serrote


Prosseguindo nas lembranças dos personagens inesquecíveis de minha infância, cito o brilhante, “doutor” Serrote.Aqui mesmo, já contei sua história, mas confesso que ela é bem gostosa de se repetir, por ele ter sido um super-herói do bem.Instintivamente, sem mandos nem comandos, era o responsável pela saúde das inúmeras famílias residentes do nosso bairro, a inesquecível Penha.Curava todo e qualquer tipo de doença, ajudando as famílias carentes daquela época, com o seu vasto conhecimento da flora.Fazia uso adequado das ervas, principalmente das medicinais, estudioso que era do assunto. Saía invadindo as florestas das cercanias e de casa em casa, ele oferecia os seus serviços médicos.O que mais impressionava às crianças, era a sua curiosa maneira de vestir,que tentei retratar no desenho acima.Se apresentava de calças cinzas listradas de preto, com camisa branca de colarinho engomado e com botões dourados. Trajava ainda um fraque negro e uma elegante cartola preta, cintada por um tecido brilhante na cor lilás, que ele dizia ser a cor da sua alma.Trazia sempre uma bengala com cabo de prata.Usava cavanhaque, óculos de armação escura e às vezes até um prateado monóculo.Não esquecia as luvas brancas e os anéis, com significados das correntes mediúnicas orientais, além de um grande relógio de bolso com uma grossa corrente.Em suas costas ele portava um saco de linhagem branco, totalmente cheio de ervas e dependurado em seu cinto, um brilhante serrote, sempre limpo, que era a sua principal ferramenta de trabalho.Era assim, que aquele ser “humano especial” cultivava a amizade de toda a rua e conquistava os olhares de todas as donas de casa.E as crianças então? Essas o viam como a um “Deus”.Era muito comum, eu ouvir a minha mãe e outras tantas dizerem: - quando o “doutor” Serrote passar por aqui, eu vou resolver o problema da sua doença - e eu, criança, dia a dia, só via aumentar cada vez mais, a minha admiração pela figura tão terna daquele homem diferente, para mim, o mais perfeito representante de Deus.Lembro como se fosse hoje do meu colega de infância, o mineiro Beni, que estava desenganado pelos médicos do Hospital Getúlio Vargas, porque ele tinha espetado um prego enferrujado no pé e foi vitimado pelo tétano.Quem o salvou com suas milagrosas ervas? o nosso doutor Serrote.Fez uma verdadeira poção com a mistura das suas ervas, como o óleo vermelho, o saião, a erva de passarinho e outra conhecida como erva silvina. e Naquela época em que a medicina homeopática ainda carecia de muito aprofundamento nos estudos, esse milagreiro tinha com ele a proteção de Deus!
(Jorge Queiroz - abril/2000)

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