Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mais um fato hilariante da minha infância...


Tinha eu apenas cinco anos e era assíduo frequentador do cinema “Penha”, onde eu sempre ia em companhia de minha mãe.Era um dos mais antigos do subúrbio e tinha o mesmo nome do bairro.Naquela época, sempre abusava do direito de realizar as chamadas sessões de promoções, apelidadas de “sessões do mizerê”.Essas sessões se davam normalmente, em todas as quartas-feiras da semana.Vivíamos um daqueles grandes momentos em que estava no auge os “musicais ” mais famosos do cinema americano.Eu e minha mãe íamos sempre acompanhados de minha tia Ormezinda e de sua filha Norma, pois ambas moravam na nossa casa.Resolvemos ir num determinado dia de estréia de um daqueles famosos musicais, que hoje não me recordo o nome, e naquele dia também se inaugurava o novo ar refrigerado do cinema.Os cinemas e grandes casas comerciais estavam começando a substituir os grandes ventiladores, que eram causadores de diferentes tipos de acidentes.Antes da inauguração, os amigos do bairro já comentavam e instruíam uns aos outros sobre o clima frio no ambiente.Amigos e familiares diziam para não esquecermos de levar os agasalhos, porque lá dentro as crianças poderiam não resistir.Loucos para experimentar a grande novidade, seguimos para o cinema, portando nossos casacos.Já na fila para compra dos ingressos, nos preparamos, vestindo os agasalhos, mas a Norma, muito teimosa, não quis vestir o seu.Adquirimos as entradas e caminhamos para o salão de projeção,pois o filme por ser estréia, tinha atraído um grande público.Eu e minha mãe, entramos na frente e a tela já exibia uma dança maravilhosa de Fred Astaire com sapateados e vedetes com suas plumas extravagantes.Minha tia, maravilhada, segurava a menina pela mão e com os olhos fixos na tela, sem se dar conta, gritava para a filha: “dança Norma”, “dança Norma”, “dança Norma”...Pudemos observar que ela tentava vestir o casaco na menina, mas presa pelo filme, ao invés de dizer veste, Norma!, dizia dança, Norma!, pois na tela, uma dança frenética, prendia a atenção total de qualquer expectador.Minha prima Norma, a cada grito da mãe, não entendia nada e muito nervosa, assustada e chorando, respondia para a mãe que não queria dançar.Nessa altura, toda a platéia já tinha os olhos fixos em minha tia, pois o fato estava atrapalhando a assistência. Não fosse minha mãe por um fim naquele diálogo louco entre mãe e filha, creio que um filme tão lindo, um verdadeiro musical da Broadway, passaria a ser uma comédia de Oscarito.

(Jorge Queiroz da Silva - julho/2009)

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