Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

domingo, 21 de novembro de 2010

O boxe – uma ilustração de pai para filho

Outro esporte que pude exercitar enquanto criança foi o boxe.
Surgiu da ânsia de meu pai de me familiarizar com aquele esporte, bastante em alta nos tempos em que eu tinha nove anos de idade.
Lembro até hoje, da satisfação do meu pai, quando naquele dia, chegou em casa para almoçar, portando um grande embrulho contendo quatro pares de luvas de boxe de cinco onças cada uma. Minha mãe alertou meu pai de que a brincadeira, naquele esporte, poderia trazer riscos físicos aos participantes, mas ficou mais calma, quando meu pai prometeu estar sempre presente como juiz e interferir quando a agressividade imperasse.
As brincadeiras com as luvas de boxe, foram durante muito tempo a minha alegria e a dos meus coleguinhas. E assim, na nossa criancice, íamos dando vazão aos nossos sentimentos mais ínfimos e formando nossa personalidade em sociedade.
Por mais que meu pai tentasse orientar e reprimir atos mais grosseiros, a disciplina naquele esporte, nem sempre era seguida, até por se tratar de um esporte radical.
O grupo da rua em que eu morava atraia meninos das redondezas que vez por outra, também participavam dos jogos.
Uma certa vez, fui avisado por um dos meus colegas, que um daqueles garotos que haviam se infiltrado no nosso grupo, tinha prometido arrebentar minha cara, por pura inveja.
E assim realmente aconteceu.
Esse menino malfeitor escondeu debaixo das talas que protegem os dedos e punhos, um “soco inglês”, aqueles anéis de aço.
Como era de se esperar, escolheu a mim como adversário e na primeira investida na luta, atingiu meu olho esquerdo, cortando o meu rosto, que começou a sangrar sem parar.
Meus colegas indignados e curiosos para identificar a razão do sangramento, prenderam o sujeito, arrancando-lhe as luvas e descobrindo a arma que usou para me machucar.


(Jorge Queiroz - 19/11/10, em ditado)
Fonte da imagem:netprendas.com

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