Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sexta-feira, 13 de julho de 2012

UM LANCE DE PARTILHA, NO INICIO DE UMA DISTRIBUIÇAO DE BENS FAMILIARES, COM DESFECHO FASCINANTE!

Era eu, um gerente de área financeira de uma holding multinacional.
O grupo era de origem européia e o meu patrão era por demais conhecido no mercado internacional, como um forte banqueiro e um poderoso industrial em diferentes áreas de trabalho.
Eu já estava no grupo há mais de oito anos, e mesmo sendo o financeiro que foi o responsável por todas as ligações, e criações dos sistemas de controles bancários e de relatórios gerenciais, nunca estive presente em nenhuma decisão, com fundamento em assuntos familiares, e que envolveriam seis herdeiros, sendo quatro do sexo masculino, e dois do sexo feminino.
Aí então vem a grande jogada de instinto de pai, cuidadoso e zeloso que ele era, e que num determinado dia me chamou para falar de assuntos familiares, e que circulariam dentro, de uma divisão por ele observada com critérios individuais estabelecidos por ele próprio, e que seriam de segredos respeitados por mim e por ele, que abrangeriam, valores que totalizavam três milhões de dólares, naquela época, uma fortuna expressada em nossa moeda que era o nosso famoso cruzeiro.
E daí num determinado dia, ele me chama ao gabinete dele, onde somente eu tive acesso, e me disse, senhor sente- se aí, eu quero lhe fazer um pedido, que tem ficar somente entre nos dois, pela delicadeza da questão, e o senhor sabe muito bem que eu já comprei há algum tempo atrás, a ex sede da Embaixada Inglesa, aqui no Rio de Janeiro, lá na Urca, e que a finalidade dessa compra seria reunir em moradia comigo e a minha mulher, os meus seis filhos espalhados em diferentes residências, e como a ex-sede da antiga embaixada tem cinco andares, daria perfeitamente para abrigar toda a minha família, e assim as coisas seriam bem mais fáceis, para tudo que possa se apresentar no futuro, para mim e para os outros componentes os meus filhos, e que desta forma, agilizariam as coisas, pois tudo seria imediatamente por nós resolvido sem demoras. Mas acontece senhor, que eles mudaram o meu caminho, e não aceitaram a proposta, que lhes fiz de virem comigo morar e tenho agora que mudar todo esse processo que tinha iniciado..
Mas vamos então ao que interessa, eu tenho uma relação em mãos, que vou passar para o senhor, mas de antemão, quero lhe afiançar, que nesta relação que envolvem, três milhões de dólares eu inclui os meus seis filhos, e vou lhe explicar o porque dessa nossa conversa agora.
Primeiramente, o porque dessa forma de fazer a partilha e ainda alerto ao senhor, que os valores relacionados por mim, se prendem única e exclusivamente pelo mérito individual, que dei a cada um deles, e este segredo deverá ser mantido pelo senhor, custe o que custar, pois o senhor é um homem de minha confiança e não poderá falhar nesta empreitada, porque somente eu posso fazer o julgamento de valores pessoais dado a cada um deles, porque somente eu poderei julgar a cada um pela forma como se conduzem nos nossos negócios.
Por isto os valores diferentes, que peço ao senhor que não estranhe e que seguirão em segredo. entre nós, entendeu?
Pegue então a relação da partilha e vá ao banco designado, pois sou dele um acionista, e lá converse com o Diretor Regional, e diga a ele para nos fazer emissão de cheques administrativos do banco, visados e pagáveis em qualquer agência do mundo, onde eles estiverem sediados, para facilidade de meus filhos que alguns são andarilhos, com alguns até residentes no Suez! Não preciso lhe dizer, para pedir ao diretor do banco o mesmo segredo.
Aí então, eu disse... Doutor, eu só peço ao senhor que aguarde o tempo necessário para o Banco resolver o assunto, mas tenho somente uma dúvida. Já que o senhor não quer assinar nenhum cheque, como vou retirar o dinheiro do Banco?
Tenho que escolher de qual empresa sacar, e que tipo de lançamento bancário vou fazer em nossa escrita e no boletim de tesouraria.
Respondeu-me que fizesse na empresa de gestão, e para dizer ao diretor do Banco para fazer um aviso total de débito correspondente aos valores de dólares sacados, desde que respeitasse os três milhões de dólares..
Frisou que queria a solução até o final da semana e para que eu entregasse tudo em suas mãos, sem que ninguém visse, nem mesmo o seu staff europeu. Assegurou que futuramente acertaria os valores contábeis referentes a empresa debitada.
Depois de tudo acertado, pedi licença e me retirei dizendo a ele que iria ao Banco na parte da tarde e lhe telefonaria para confirmar se tudo ficou certo, conforme o vosso pedido. .
E assim fiz, fui para o Banco e lá na Diretoria do Banco por ele determinado, acertei todos os detalhes que nesta operação bancaria, necessitaria de cheques nominais, pagáveis em qualquer continente aonde o banco tivesse uma sede e que fossem visados pela agencia emitente.
Quando a diretoria do Banco concluiu a operação, pedi licença para ligar para o meu patrão e confirmei a autorização para pegar os cheques no dia seguinte, deixando bem claro que os cheques só poderiam ser entregues a mim.
No dia seguinte, lá fui eu para o Banco resgatar os cheques, quando pedi que me devolvessem uma cópia do demonstrativo que tinha sido feito pelo meu patrão.
Retornei à Empresa e na sala de Xerox, tomei o cuidado de fazer as cópias que necessitava para minha segurança, pois eu faria um lançamento muito elevado correspondente a três milhões de dólares, que pelo sigilo do contrato, ficaria em conseqüência a descoberto e sem nenhum documento comprobatório.
Copiei cada cheque emitido pelo Banco, nominativos aos filhos herdeiros. E assim, depois disso feito e tomando todos os cuidados, arquivei toda aquela documentação copiada da operação realizada, em minha última pasta do meu arquivo suspenso em minha própria mesa.
Só eu tinha conhecimento daquela operação e dos meus cuidados com as cópias dos documentos, pois nem ao meu patrão contei nada, revelando-se assim, o meu instinto de defesa diante de uma operação valiosa e rara feita por mim em algum Banco. Senti-me completamente seguro para qualquer acontecimento futuro, pois os comprovantes necessários garantiriam a minha segurança num assunto que tinha sido montado pelo meu patrão que, como os jornais diziam, era uma “águia” em assuntos financeiros. Assim, fiquei em paz com a minha consciência.
Ainda bem que tomei todas estas posições finalizando o meu processo de pura honestidade e que jamais levantaria dúvidas sobre a operação financeira realizada e até então inédita no meu campo de atuação.
E vejam vocês, que naquela época, passado quase mais de um ano, fui convocado para ir a sala de reuniões da Diretoria.
Em lá chegando percebi para surpresa minha, que era uma reunião de aprovação de Balanço do Grupo das doze empresas.
Ali estava presente toda a Diretoria, menos o meu patrão que sempre estava em viagens para o exterior. Estavam também presentes o grupo de conselheiros dos acionistas, a maioria dos filhos e completando aquele quadro bem á minha frente, os dois diretores das empresas de auditoria, que eram na época responsáveis pela aprovação das contas das empresas do grupo há mais de cinco anos.
O presidente em exercício, o seu filho de inteira confiança era quem dirigia os trabalhos e dirigindo-se a mim assim que adentrei à sala, informou-me de um problema muito sério, a existência de um furo de três milhões de dólares, na empresa de gestão de Capital do grupo.
Com um certo ar de desconfiança perguntou-me o que eu tinha a dizer daquilo, já que era eu quem controlava todas as finanças do grupo.
Naquele momento, Deus falou em meus ouvidos, lembrando-me daquelas cópias comprobatórias que fiz questão de guardar no fundo da gaveta, pois eu sabia que em algum momento teria que revelar aquela verdade.
Com toda a minha indignação pela desconfiança ali revelada sobre mim, parti como um bandoleiro do oeste americano e saquei da minha arma da verdade.
Olhei firme para o chefe e disse: -chegou o momento meu presidente, de revelar a verdade. Quem quis que isso acontecesse foi o nosso presidente honorário que infelizmente deve estar a essa hora dormindo em algum pais na Europa.
E assim sendo neste momento eu não poderei usá-lo, peço a ele desculpas, mas estou indo para minha sala pegar toda a documentação das cópias de recibos e cheques que envolvem esse processo financeiro, volto em cinco minutos!-
E assim fiz, aquilo que seria um segredo eterno de família, diante do acontecido, fez com que eu munido de um envelope, trouxesse a tona a partilha para os filhos, que só puderam saber através de mim, infelizmente, acusado de um grande trambique financeiro.

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