Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 24 de julho de 2012

Eu sei de alguém que colocou esse boné na cabeça!


O noticiário da TV abalou o meu sistema nervoso.
Já fui um “sem terra” e um dia me arrisquei a ser um “com terra”.
Por ter sido sempre o tipo de homem de pensamento múltiplo, eu arrisquei a ser um empreendedor nessa área tão difícil do campo, quando comprei um sítio de dez hectares.
Naquela época, ainda éramos parte de um povo que se estabelecia na agricultura e se escravizava a uma cultura de vida litorânea, vida essa que ainda predomina no sangue brasileiro.
Eu nunca podia imaginar que a vida no campo traria a quem dela quisesse participar, tantos problemas para cuidar de uma cultura natural de um pais estritamente agrícola como o nosso Brasil.
Principalmente numa nação que traz em seu berço uma bagagem que floresce verde naturalmente, numa terra de todos os climas, com diferentes fusos horários.
Uma nação que tem hoje, um presidente da república tão festejado e homenageado pelo mundo inteiro e politicamente condecorado.
Aquele presidente, que saiu por aí viajando não para contar vantagens, mas sim para mostrar as verdades e, somente nesse ponto, eu concordo com ele, quando diz ser um grande vendedor e o nosso país, um mercado insuperável em toda e qualquer cultura de venda, que se possa executar.
Enfatiza sempre que dará provas de que tem um jeito especial para ser um grande vendedor de uma extensa nação que terá sempre o que vender ao mundo inteiro.
Mas hoje, fiquei estarrecido.
Repetidamente assisti os canais das principais emissoras de televisão, desde o dia cinco de outubro, mostrar uma cena que me doeu no peito.
Não quero nem pensar que doeu porque já sou um cidadão enfartado, pois se assim pensasse, poderia tornar a repetir um novo enfarto.
E no meu peito onde não cabem mais pontes de safena e tiras mamárias eu aí teria com certeza, o meu ultimo e derradeiro enfarto.
Mas enquanto viver, como um brasileiro crédulo, sempre estarei tentando mostrar a minha revolta, por ter assistido um ato de agressão a uma nação, com a derrubada dos seis mil pés de laranjas.
Não me obriguem de nenhuma forma, a me convencer, de que o nosso atual presidente, nesse momento de total envaidecimento patriótico, pela conquista da sede Olímpica de 2016, não vá tomar nenhuma providência de procurar e mandar prender aquele infeliz tratorista, que usou da sua revolta, protegida por uma caixa preta, do controle de um grupo, que se diz “novos donos das terras brasileiras”.
Infelizmente todos nós já conhecemos muito bem esse tipo de gente.
Doeu-me muito, pois eu já tive vida plantando e criando animais e sei como é difícil fazer crescer um pé de laranjas e aguardar que ele chegue aos seis anos de idade para que possa vir a florescer e frutificar.
Peço agora ao nosso presidente que não cace somente a carteira dele de tratorista, mas que o obrigue a pensar.
Esse infeliz condenou a morte os 6000 pés de laranja, provando assim, que nós temos muito o que aprender para saber lidar com os intolerantes e terminar de vez com esses atos criminosos e destruidores do retrato de uma nação maravilhosa, que se chama Brasil.
Presidente, eu lhe peço para que nunca mais torne a colocar na cabeça um boné vermelho com a inscrição MST, pois essa inscrição poderá representar, o “MOVIMENTO DOS SEM TERRA”, como também, o”MOVIMENTO DA MORTE SEM TEMOR” para todos nós brasileiros, que ficamos triplamente revoltados diante de uma cena tão dantesca.
(Jorge Queiroz - outubro/2009)
Fonte da imagem: noticias.terra.com.br

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