Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

domingo, 19 de agosto de 2012

O PAVIO ACESO DE UMA REVOLUÇÃO PLANEJADA EM 1955, E SO DETONADA EM 1964

Que pena, que a nossa turma de aspirantes convocados para estágio, não aconteceu um pouco mais adiante, ou seja, dez anos depois, para que pudesse contribuir para que não existisse a Revolução de 1964.
Numa turma de oficiais R-2, bastante coesa e cheia confiança, esse será sempre o nosso eterno lamento.
Esse grupo, em diversos quartéis da 1ª. Região Militar, já tinha garantido a recusa de assinar um manifesto que corria nas fileiras do Exército Brasileiro e que era orientado pelas mãos de um tal Coronel, que vinha atuando dentro dos quadros da oficialidade dos principais quartéis da antiga Vila Militar do Rio de Janeiro.
Esse manifesto versava contrariamente sobre a posse do Presidente da República eleito pelo povo, o doutor Juscelino Kubistchek de Oliveira, que também já vinha sendo pressionado, para deixar os caminhos livres para um grupo que era defensor da tese do novo golpe de governo.
Esse grupo também teve que renunciar ao projeto que foi proibido pela reação da mão de ferro do nosso grande e eterno Marechal, o então Ministro da Guerra, Henrique Duffles Baptista Teixeira Lott.
Tive o prazer de conhecer pessoalmente e na época em que atuava nesse processo, esse fiel garantidor da posse do licitamente eleito Presidente da República e que nunca deixou também que a brilhante turma de R/2 convocados, fosse levada pela triste idéia de assinar o nefasto termo de aceitação, que daria base àquela aprovação absurda de impedir a posse do Presidente.
A turma revolucionária, sonhada e planejada pelo grupo montado pelo coronel ao qual me referi, iniciou seus trabalhos em 1957 e até 1964, graças ao Ministro Lott, não logrou êxito.
Por não fazer parte daquele movimento, a nossa turma de R/2 foi convidada para servir de base na Capital Federal de Brasília, passando a ser assim a tutora na implantação da Guarda Especial de Brasília, a chamada “GEB”, dando, àqueles que a aceitaram, um seguimento de carreira garantida até o posto de Coronel do Exército.
A figura principal desse movimento, o Marechal Lott, na luta contra essa revolução, visitava os quartéis, semanalmente, mantendo no cassino dos oficiais, um diálogo estreito e constante, em reuniões que eram sempre voltadas à um prudente “ alerta”, para a nossa turma de jovens oficiais R¬¬/ 2, e que sempre envolveriam os avisos e as garantias, de que não devíamos deixar, de forma alguma, que nenhuma nova idéia distorcida pelos argumentos daquele falado coronel, pudessem nos levar para os caminhos da tão mal falada e arquitetada revolução.
Aquela revolução foi abortada pelo Marechal Lott, trazendo para os brasileiros uma nova e provisória segurança, até o decisivo e contraditório ano de 1964, com o seu afastamento, até hoje não esclarecido, fazendo com que vestisse o pijama da aposentadoria.
Hoje, já decorridos mais de quarenta anos, ainda relembro com os nossos colegas de turma, que as famílias brasileiras daquela época, somente queriam garantias de atos democráticos, que proclamariam ao nosso imenso Brasil, a nossa paz interior, acreditando que ele seria sem dúvida alguma, o que hoje verdadeiramente já nos demonstra ser, uma das maiores potências do mundo moderno da economia globalizada.
Atualmente eu posso afirmar e garantir, que o nosso povo brasileiro, é um povo dócil, trabalhador e que jamais se deixou levar por idéias de revoluções.
Nosso povo jamais aceitaria eternamente, o tal chamado Estado de Sítio que nos obrigava a deitar antes das 22 horas e a levantar antes das seis horas da manhã, para sentir se o nosso dia seria de segurança e confiança.
Nessa situação, os momentos melhores de nossas vidas ficavam impedidos de se viver, como as conversas nas nossas praças e esquinas, como as nossas reuniões de rua, em grupos com mais de três pessoas,etc...
Graças ao nosso grande Pai, as cabeças brasileiras ganharam um novo equilíbrio e ficaram somente voltadas para a paz dessa terra maravilhosa, que é o nosso grande Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário