Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Papo de botequim


O botequim, não é, sòmente, o lugar de tomar umas “biritas” ou lugar de se provocar o “vizinho da mesa ao lado" ou lugar de chatear o garçom com os pedidos impossíveis, ou mesmo, lugar de pedir ao crooner do conjunto, para repetir a mesma música, pelo menos umas duzentas vezes.Principalmente, nunca deverá ser o lugar, de permanecer na hora que o seu proprietário quiser fechar o estabelecimento, e já tenha insistido por várias vezes, para você não pedir mais nada.Feche sua conta e vá para casa com “Deus”, para que ele tenha o seu descanso, para poder funcionar no dia seguinte.O botequim, na minha observação, tem a sua representação de cultura popular, e é de especial importância, pois ali, se mede a capacidade mental, de cada um dos seus freqüentadores, que no botequim avaliam suas idéias.Ali, ainda se discute política, se derrubam governos, se criticam os chefes, se armam as revoltas, se descobrem os “chifrudos”, se fala de música e futebol, e por fim, se descobre, qual o homem que respeita a sua família, ama os seus filhos e admira a sua mulher, e, sobretudo, sabe limitar a dose do seu copo de bebida, para não prejudicar o bom andamento de sua vida.O botequim tem o seu “charme”, e desde que os portugueses, para cá vieram após o descobrimento, precisamente há mais de 500 anos, eles representam o ponto de encontros de invasores, colonizadores, poetas, jornalistas, militares, legisladores, artistas, cantores, compositores, professores, juízes e aposentados.Dou-lhe assim, o primeiro conselho:Ao freqüentar um “botequim,” por qualquer motivo, seja para dar uma descansada, para tomar um refrigerante, cerveja ou mesmo uma pinga, se acontecer daquele freqüentador assíduo, se aproximar de você, puxando aquele "papo", com os olhos fixos nos teus olhos , e com aquele bafo de onça, não tenha medo.Se ele chegou perto, foi porque confiou em você. Troque com ele, um papo rápido e sadio e seja cortês e nunca não deixe de guardar na memória, tudo o que foi conversado naquele instante.Se por um acaso, num futuro próximo, numa nova visita àquele mesmo botequim, você esbarrar com ele novamente, tome como regra básica, repetir com ele aquele papo, o que vocês tiveram anteriormente, e caso você conclua que ele não se lembrou de nada, disfarce, e vá saindo de fininho, se possível sem ser visto, para que ele não perceba, pois ele demonstrou, ser um beberrão irresponsável, tendo já a bebida destruido os seus neurônios.No futuro, ele poderá prejudicar a convivência, e não existirá mais o papo de bons amigos. Não perca seu tempo, faça tudo discretamente, sem deixar que ele perceba que está sendo um discriminado.Lembro bem, que quando mais jovem, eu assistia com muita indignação, os conhecidos serem retirados de uma mesa de botequim pela mãe ou pela mulher, quase à força, visto que seus familiares os aguardavam , com a macarronada de “domingo”, que por sinal já tinha sido requentada, várias vezes.Insistiam em não largar aquele papo firme, agarrado ao copo de cerveja e todo final de semana, em busca da cultura “botequitineira".Ora, meu povo, vamos pregar a cultura biriteira, mas não tanto assim, não devemos esquecer da família, ela exige a presença, e portanto sempre beba, junto dela.Temos a obrigação de analisarmos as pessoas que se abrigam nos bares, ali por vezes, encontramos os artistas e poetas, que se inspiram sòzinhos acompanhados de um copo de cerveja, e criam coisas maravilhosas, vide o poetinha “Vinícius de Moraes,” e a sua inseparável dose de wisckey, vide “Ferreira Gullar” o poeta do nosso Rio.E para provar isto, à coisa de uma semana, parando em um botequim para me refrescar com um copo de água mineral, deparei -me com um professor, proprietário de Colégio, que me pediu para dar uma olhada no livro de minha autoria que eu folheava enquanto bebia.Com humildade, entreguei meu livro para que ele visse e para surpresa minha, ouvi dele o seguinte comentário, eu também escrevo, já escrevi três peças de teatro, estou hoje aqui, porque me aborreci com meu filho, que não quer saber de estudar, e aqui estou, ao lado desta cerveja revisando os meus conflitos.Pensativo, afirmou gostar do meu estilo de escrever, perguntando-me se eu nunca havia pensado em escrever uma peça de teatro. Prosseguimos conversando aí então eu deixei para ele uma frase:- veja que não adianta ficar mergulhado em conflitos, compreenda a vida. Existem na vida, dois tipos de pessoas, um que nasce para receber e outro que nasce somente para dar. Procure se identificar, se você é aquele que na vida só recebe ou aquele que sempre dá.Respondeu-me ele que tinha valido muito a pena ele ter ido ao botequim tomar umas cervejas, pois, depois de minha afirmação, saia de lá outra pessoa!Portanto, não faça do “Botequim”, um atalho constante em sua vida, mas de vez em quando, dê uma passadinha nele, e eu te garanto que você vai aprender muito, pois vai buscar em outras pessoas, modelos para implantar em sua vida.Não faça do copo de cerveja uma condenação, mas sim, uma satisfação, e procure delimitar o tamanho do seu gole.Eu, por acaso, já assisti serem tratados grandes negócios, em mesas de bares.Na época em que dirigia uma empresa de construção civil, testemunhei em algumas churrascarias, várias associações importantes, para incorporação de grandes investimentos, e lá também já recebi convites para freqüentar igrejas, e participar do quadro de palestras religiosas, para dar exemplos de vida, só que não aceitei a nenhum deles, pois acho que na vida não se dá exemplos, vida simplesmente se vive! .
(Jorge Queiroz da Silva - agosto/2009)
Fonte da imagem: blogdogroo.blogspot.com

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