Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sábado, 2 de junho de 2012

Contando uma história familiar..

Vou relatar aqui um fato ocorrido com meu filho mais velho, quando tinha sete anos de idade.
Hoje, ele está na faixa dos cinqüenta anos, mas na época em que era criança, ainda se podia andar de bicicleta nas calçadas.
Saiu meu filho com sua bicicleta, pelo quarteirão próximo à nossa casa, pedalando inocente e feliz, quando foi surpreendido por um outro menino mais novo do que ele uns dois anos, que veio correndo de dentro de uma vila de casas, sem olhar.
Assim, o desastre aconteceu. Meu filho não teve tempo de frear e atropelou o menino, que caindo no solo, se contorcendo de dor, chamou a atenção de toda a vizinhança.
Um grupo correu a socorrer o menino e iniciou uma pressão desumana contra o meu filho, parecendo não ver que se tratava de outra criança.
Acusando-o da responsabilidade do ato, procuraram saber onde ele morava, para comunicar a ocorrência aos seus responsáveis.
Como o fato aconteceu pela manhã só a mãe se encontrava em casa.
Eu, no trabalho e longe, pois morávamos em Olaria e a empresa em que eu trabalhava ficava na Tijuca.
Meu filho ficou detido com o grupo de vizinhos do menino atropelado, enquanto outros foram à minha residência.
Enquanto isso, meu filho encurralado na tal vila, onde o pai do menino atropelado era bem relacionado, pois como fiscal de obras da Prefeitura, tinha o povo do bairro como seu aliado.
Demorei a chegar em casa, pois como dependia de condução pública, meu trajeto me custou quase duas horas.
Finalmente cheguei, e ao chegar, o tal fiscal, pai do menino atropelado, me aguardava, justificando que não precisavam ter prendido meu filho.
Reconhecia o exagero da atitude, sugerindo que se eu quisesse, poderia ir ao Distrito Policial dar parte deles.
Indignado e temendo pelo emocional do meu filho, o que eu mais queria naquele momento era levá-lo para casa.
Lógico que pedi desculpas pelo acidente e me coloquei a disposição para assumir qualquer dano causado ao filho dele.
Mas não pude deixar de, ao sair, reclamar muito com a tal vizinhança que para provar uma fidelidade política ao fiscal, prendeu meu filho, uma criança de sete anos, por mais de seis horas, atemorizando-o.
Naquele momento senti a dor de ver meu filho pressionado e eu tão distante. Ainda bem que cresceu um homem livre de traumas e problemas emocionais.
É um líder de trabalho como engenheiro mecânico e Diácono religioso, dentro da religião que escolheu, como também um pai extremoso nas suas ambições de vida.
Um verdadeiro líder social!
Hoje eu ainda me pergunto: -será que o fato lhe deu algum respaldo?

Jorge Queiroz da Silva - agosto/2009

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