Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

quinta-feira, 7 de junho de 2012

UMA GRANDE ADMIRAÇAO NUM EXAME DE ADMISSAO


Era tempo de provas para o ingresso no ensino de admissão e eu ali,vendo o meu primogênito, Luiz Claudio, realizando o seu primeiro teste de vida, no seu inicio de carreira escolar.
Sabia que era o primeiro momento em que nossas genéticas seriam testadas, comprovando as nossas raízes dentro de um comportamento estudantil e por uma variada forma de exames, eu veria as qualidades futuras do meu filho.
Eu, como pai orgulhoso, estava ali, acompanhando-o nos diferentes locais e escolas onde aconteciam as provas.
Naquela altura, ele era um menino cheio de idéias e de aprendizados, que tinha sede de exibir para toda a sua família.
O seu sonho de criança estava entrando num desafio de querer ser um dedicado e excelente estudante e sair daquela competição, como um vencedor, na sua estréia importante.
Os caminhos criados por ele foram diversos, mas o primeiro deles, foi a prova para o Pedro II, tão falado e conhecido internato, localizado no Campo de São Cristóvão, no RJ, pois era tido como o que ministrava o melhor ensino em nossa Cidade.
E eu, ali estava abrigado na sombra do jardim, sentado num banco bem em frente a principal entrada do colégio.
Estava bastante nervoso e como todo pai, sofria por ele, enquanto aguardava pela sua saída da prova.
Era a prova mais temida, considerada a mais difícil prova de matemática e por isso o tempo de realização era de no mínimo duas horas, considerando o seu grau de dificuldade.
Com apenas trinta e cinco minutos decorridos, fui surpreendido pelo seu retorno sorrindo e certo do seu sucesso.
Enquanto ia ao seu encontro, fiquei bastante assustado e imaginando se ele teria desistido de fazer a prova. Perguntei a ele sobre o que tinha ocorrido e ele sorrindo, afirmou ter feito a prova inteira que, por sinal estava facílima. Com aquela segurança própria dos jovens, assegurou ainda ter tido tempo para fazer uma revisão e confirmar que tinha feito tudo certo.
A surpresa não tinha sido só minha, mas também de um grupo de professoras e proprietários de cursos que, naquela altura já se aproximavam de nós, me pedindo autorização para conversar com meu filho.
Mais uma vez, ali olhando a verdadeira sabatina a que meu filho foi submetido, meu orgulho de pai ressaltou.
A cada pergunta, ele imediatamente respondia o cálculo certo e traçava a forma como tinha feito a questão. Exibia os resultados que elas aprovavam como corretos e foi assim da primeira a última questão. Mais surpreso ainda fiquei quando, sem qualquer constrangimento,ele exibia sua forma única de cálculo, totalmente diferente da ministrada pelos professores, o que demonstrava seu total entendimento do exercício para obtenção do resultado exato.
As professoras e profissionais que ali estavam, ficaram agradecidas e brincando comigo me pediram meu filho emprestado, explicando que com ele no corpo estudantil, seus colégios ou cursos ficariam famosos.
Depois de todos os exames de admissão que ele tinha feito para o Colégio Pedro II, ele ainda quis se inscrever em outros exames de admissão nos Colégios da Ilha do Governador, como o Colégio Newton Braga e o Lemos Cunha, ambos fundamentados no ingresso na Escola de Cadetes da Aeronáutica.
Como ele só tinha nove anos de idade eu o acompanhei em todas as provas.
No final de todo esse percurso, vivi a minha grande emoção de pai, que quase me matou antecipadamente, quando fui ver os resultados dos exames, nas três escolas.
Sempre eu começava a conferir os resultados pela lista dos reprovados e satisfeito, dizia pra mim mesmo, que ali seu nome não aparecia.
Seguia a conferência na lista dos aprovados, mas não muito crente, começava a examinar a lista de trás para frente, indo do último lugar para o primeiro lugar.
Minha satisfação foi plena quando constatei que em cada um daqueles colégios, ele atingiu os três primeiros lugares.
No PEDRO II, foi o primeiro lugar em matemática, no NEWTON BRAGA,o primeiro lugar também em matemática e no LEMOS CUNHA, o primeiro lugar em português.
Para finalizar essa história, conto que durante um longo tempo ainda me emocionava muito, quando percorrendo as ruas do bairro onde eu morava, visualizava faixas e mais faixas, anunciando os nomes dos cursos e em todas elas, em letras garrafais, constava o nome do meu filho, o nome do curso e as notas obtidas nas provas.
Naquele momento me consagrei na total felicidade de um pai.
Anos depois, formou-se engenheiro mecânico e atua na profissão desde a formação, com sucesso.
(Jorge Queiroz da Silva -outubro de 2010)
Fonte da imagem:teologianabolivia.blogspot.com

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