Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O medo prejudicial

Cito aqui, hoje, um fato pra’ lá de interessante, ocorrido com meu filho do meio, quando tinha sete anos de idade.A mãe lhe pediu que fosse ao armazém próximo de casa, do conhecido senhor Cabral, para comprar pão e leite. Deu-lhe o dinheiro e ele saiu. No caminho para o armazém encontrou um vendedor de bolas de gás.O tal vendedor, talvez sentindo a fascinação do meu filho pelas bolas, sujeito sujo, aproveitador e já mal intencionado, pegou todo o dinheiro das mãos do menino e trocou pelo amarrado de bolas de gás que lhe sobraram para vender, dizendo que ele podia ir embora porque não tinha troco nenhum, já que o preço era exatamente o valor da nota.O menino envergonhado e também pressionado pelo tipo sujo, não poderia mais comprar o pão e o leite.Ficou descontrolado, pois não podia fazer as compras que a mãe havia lhe solicitado, e por este motivo, ficou andando pelas ruas próximas, com os balões de gás, sem coragem de retornar à casa.Eu em casa, procurei pelo meu filho e a mãe me disse que tinha lhe pedido para ir ao armazém mas, já estava preocupada porque achava que ele estava demorando muito.Comecei a ficar nervoso imaginando que algo de ruim houvesse lhe acontecido e saí em busca de meu filho. Mais nervoso fiquei, quando, no armazém do senhor Cabral, me informaram que meu filho não tinha estado lá.Andei como louco pelas ruas do bairro à sua procura por um longo tempo, quando o encontrei junto ao campo do Olaria, parado com o olhar desalentador,com aquele monte de bolas.De imediato perguntei porque ele não havia ido para casa, ao que me respondeu estar com medo da mãe o repreeender, porque sem o pão e o leite, ainda teria que manter as bolas, para que a mãe não pensasse que estava contando uma mentira.Vendo o que aconteceu com meu filho, desde essa época, entendi que a educação não pode ser feita com medos, porque se ele não tivesse medo, teria voltado pra casa. Esse tipo de ensinamento só tem valia para a pessoa que o sofre, como regra do que não se deve fazer com crianças. Fora isso, mais nada.Foi um dia de muito sofrimento para mim, pela angústia que sofri pensando no pior.Hoje esse meu filho é um excelente líder familiar, que tem apego a vida e a família, e cuida com esmero do seu lar, se fazendo presente junto aos filhos,que hoje já passaram da adolescência.Esse meu filho é muito criativo e é capaz de com uma roda fabricar uma bicicleta.
(Jorge Queiroz da Silva -26/12/2009)
Fonte da imagem: blogeducafeliz.blogspot.com

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