Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 5 de junho de 2012

Outra história de criança

Vou narrar hoje um episódio, que se passou com meu outro filho, o caçula.
Com a nossa mudança de endereço, eu tomei as providências para trocá-lo de escola, pois teria que estudar mais perto de nossa casa.
Nessa época morávamos em Vila Isabel, e perto, na rua Oito de Dezembro, tinha um Colégio religioso bem conceituado e com um bom nível de ensino.
O tal Colégio já existia na localidade há mais de cinquenta anos e lá o matriculei, pois a nossa residência ficava a uns quinhentos metros de distância.
A idéia era que ele lá permanecesse até a conclusão do primeiro grau.
Suas instalações eram perfeitas, tinha três andares com salas de aula e toda a infra-estrutura adequada.
A sala de aula de meu filho ficava no segundo andar do prédio.
Num determinado dia no horário do recreio, na hora de descerem as escadas, como de hábito, os alunos se organizavam em turmas, para mais rápido iniciarem suas brincadeiras. Existia a imagem de uma Santa padroeira do colégio, Nossa Senhora de Lourdes, postada num pedestal na descida das escadas, já há pelo menos trinta e oito anos. Nesse determinado dia, meu filho, como me relatou, posteriormente, foi empurrado por um grupo de alunos, que desciam a escada atrás dele, em plena carreira. O grande empurrão o fez desequilibrar-se e ele se agarrando aos pés da Santa, fez com que ela caisse no pátio interno do Colégio, como se tivesse sido atirada por alguém, transformando-se em caquinhos de louças.
Talvez protegidas pela própria Santa, nenhuma das crianças que já se encontravam no primeiro piso foi atingida.
Conclui, após o incidente, que faltava um critério de vigilância para evitar que alguma coisa pudesse acontecer nas escadarias. mas as coisas as vezes acontecem e ficam difícil de serem explicadas.
Por mais uma vez, eu fui chamado no trabalho e tive que vir atender a meu filho que necessitava do meu apoio.
Fortemente emocionado, ele estava sendo custodiado por uma freira, dentro de uma sala da diretoria da escola.
E qual foi o seu crime? Agarrar-se aos pés da Santa para se proteger da queda.
Nervoso com o fato, meu filho, só dizia que não havia sido culpado do incidente e que só se agarrou à Santa, para não se arrebentar na curva da escadaria do Colégio. O pior, foi que a criançada não o perdoou pelo fato dele ter derrubado a Santa, apelidando-o de matador da Santa.
Tive que cuidar para que ele não ficasse traumatizado com o fato.
Sei que nesse aspecto ele teve toda a proteção de Deus que o transformou num homem normal, religioso e atento a tudo que faz na vida.
Esse menino teve sempre um diferencial de vida. Foi aquele filho que, ainda adolescente, afirmava que ia trabalhar bem cedo. Prometia não parar de estudar e fazer dos conhecimentos um instrumento para o seu trabalho.
E assim fez, me criou a maior expectativa de acompanhá-lo na estrutura da formação do seu currículo profissional.
Lembro que só lhe pedi que deixasse por minha conta o seu primeiro empurrão, no primeiro emprego.
Hoje, com grande satisfação, o vejo independente em suas ações dentro da carreira profissional escolhida, mostrando-me que é um ser protegido por Deus!
Essa é mais uma historia sobre a pressão do mundo social nas coisas que acontecem de errado entre a criança e o mundo, quando a inocência se transforma num mal devastador e de influências perigosas e que marcam uma criança para sempre, se não tivermos os devidos cuidados.
(Jorge Queiroz da Silva - julho/2009)
Fonte da imagem:encanto.com.br

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