Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 12 de junho de 2012

Uma aula magna de Direito



Assistia eu a um canal público de TV, que exibia notícias ligadas a justiça brasileira.
Pela eloqüência do palestrante, decidi parar de procurar um outro programa e continuar assistindo, pois tive a certeza de que ali, teria uma vasta matéria de total interesse do povo, ligada às leis brasileiras.
Sempre soube que, pela sua qualidade e pela magnitude dos nossos juristas, as leis do nosso país chegam a chamar atenção de nações já bem mais antigas e com diferentes leis constituintes.
A cada exposição do inteligente e eloqüente palestrante, o Doutor e professor, em honoris causa, Roberto Barroso, aumentava ainda mais o meu interesse.
Tinha ele à sua frente, vários juristas, com idades variadas e ocupando diferentes posições na prática do Direito.
O Dr. Roberto Barroso prendia a atenção de qualquer leigo de todas as formas já concebidas, quando apresentava suas colocações. e exposições, diante de tão seleta platéia.
Ele explanava as origens de nossas leis e fazia a total demonstração de todos os tipos de direito civil, ou sejam, o direito administrativo, o criminal, o penal, e também o constitucional,além de confirmar que a nossa Constituição, estava fazendo nestes 20 anos de existência novas descobertas, pois ela foi elaborada e concluída em 1989.
Frisava que por isso dava à Constituição o seu ponto de apoio, afirmando ser uma das mais perfeitas no mundo.
Convenceu-me totalmente quando citou vários exemplos técnicos, comentando o divorcio, o caso da adoção, o caso das múltiplas situações hoje já resolvidas pelo nosso Ministério da Justiça.
Na sua explanação, afirmou que atualmente, nós temos uma lei chegando próxima das grandes soluções Constitucionais, mas que não deveríamos esquecer, que bem mais no passado, estas leis eram representadas pelos códigos jurídicos.
Aproveitou e enumerou cada um deles - o código de processo civil, o código de processo penal, que davam aos antigos advogados a segurança das revisões das leis brasileiras.
E foi neste exato momento que me emocionei, pois lembrei do meu primeiro emprego aos quatorze anos de idade.
Eu trabalhava em um jornal diário, que já vinha do tempo do antigo Império, o ainda mais antigo meio de comunicação da mídia brasileira, em forma de jornal comercial, o bem nobre e ainda hoje conhecido, o quase bicentenário Jornal do Commercio, onde fiz uma carreira curta mas de muito conhecimento para minha idade.
Ali eu ganhei num pequeno espaço de tempo, um grande conhecimento.
Tinha eu a atribuição de controlar o quadro de assinantes dos periódicos livros de direito, que nas oficinas de linotipia daquela gráfica conceituada, eram impressos sempre todas as noites e distribuídos pela madrugada.
Tinha eu também a obrigação de distribuir, mensalmente aos causídicos da época, os Códigos do Processo Civil, os Códigos do Direito Penal e também a Coletânea Geral, o grande livro do arquivo judiciário, que reunia a literatura para os novos assinantes atualizadas, e cujos nomes de capa, eu jamais poderia ter esquecido, pois que eram enviados, mensalmente, para todo o Brasil.
Emocionei-me, porque lembrei de mim, naquela época, apenas um menino responsável, que mesmo não sabendo a finalidade de tais livros, embora às vezes, já grande leitor que era, arriscava uma olhada em alguns deles,
tratava-os como objetos de grande valor e jamais perdeu um prazo de envio de um exemplar sequer, para aqueles assinantes que aguardavam sequiosos pelo recebimento dos mesmos, visto que trariam as novas informações das alterações das leis brasileiras.
Assistindo a essa aula fiquei feliz e me senti bastante realizado por ter revivido um tempo em que eu, tenho consciência, contribui para disseminar com o meu trabalho, a legislatura constitucional.
Hoje, realmente senti orgulho de ter carregado nos ombros, por um percurso bastante longo - do escritório central do jornal na Rua do Ouvidor até a agência matriz dos Correios na Rua Primeiro de Março -aqueles imensos pacotes, por mim organizados e embalados com lacres que, por minha constituição física de menino, ainda se tornavam mais pesados.

(Jorge Queiroz - julho/2009)

Fonte da imagem:innovarecursos.blogspot.com

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