Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A HISTÓRIA FALA DE UMA CRIATURA BEM ANTIGA, O FUNCIONARIO FANTASMA

Conheci o Sr. Salvador da Costa Monsanto quando iniciei minhas especializações nas áreas de racionalização e estudos de tempos e movimentos para apurar os principais índices analíticos.
Trabalhava eu na Indústria Química e Farmacêutica e por obra do destino, como eu relato a seguir, tive a oportunidade de substituí-lo na função de Chefe de Planejamento e Controle da Produção. Ele era um homem sábio e autodidata. Ele trabalhava buscando os esclarecimentos necessários para determinar o ritmo fabril da indústria que se preparava para uma comercialização nacional e com lastro timidamente dirigido para o campo internacional.
Cuidava ele de um custo analítico profundo e variado. Custo esse, analisado de forma criteriosa nos diferentes passos de fabricação até a montagem final de cada produto. Como a tecnologia principal era voltada para o sistema de saúde, incluía nesse procedimento, duzentos e vinte e oito tipos de condutas fabris, representadas exatamente pelo número de produtos fabricados. Esse processo exigia a presença constante de um farmacêutico responsável e de um químico protetor do equilíbrio da fabricação dentro da segurança exigida pelo Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina.
Quem diria, no entanto, que eu, um profissional formado e ainda nos primeiros passos com visão de trabalho para a indústria gráfica (jornais) e para a indústria de fabricação de móveis hospitalares, poderia naquele estágio ter a observação necessária e o conhecimento técnico para dirigir um departamento de planejamento e produção desses diferentes tipos de trabalho?
Chegou assim, o momento de meu primeiro desafio profissional, pois o gênio Salvador após dezesseis anos de trabalho contínuo nessa área, foi convidado pelo professor Caio de Oliveira, excelente consultor da área de governo para pesquisar talentos em áreas estratégicas das principais empresas do Brasil, para trabalhar na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais.
Como o Dr. Caio era amigo do Sr. Milton Costa Lenz Cesar, Sócio-proprietário da Indústria Química e Farmacêutica, convenceu-o a conceder a liberação do Salvador para ocupar tal cargo.
Assim, o Dr. Milton teria que ter, de imediato, um substituto para o Sr.Salvador. Foi aí então, que me contatou e ilustrou o cargo para mim – um cargo difícil de se exercer, sem que o profissional tivesse tido uma experiência anterior.
O desafio atraiu-me e criou em mim a vontade de pesquisa, onde eu teria necessidade de analisar passo a passo dez diferentes departamentos fabris, usando os processos antigos criados há mais de quinze anos e sem ter tido um treinamento e aprendizado específico, pois o desligamento do responsável pelo departamento seria imediato.
Teria eu que decidir sozinho os meus caminhos na realização daquele novo trabalho.
Dei seguimento à pesquisa na área de recursos humanos de toda a equipe profissional que a indústria possuía, para assim, tornar-me a par de suas funções individuais e delinear a minha conduta dentro do processo. Foi aí que esbarrei com o funcionário fantasma, pois ele fazia parte do quadro de vendas da empresa e ainda era um inspetor de vendas, a nível nacional.
Descobri o tal sujeito, no meu projeto de sair em campo para as entrevistas de praxe com cada funcionário que compunha o quadro a mim afeto.
Assustei-me quando, frente a frente com o Diretor Comercial e de posse do dossier funcional do funcionário constante da folha de pagamento com alto salário há mais de quinze anos, identifiquei que o Chefe não o conhecia, nem nunca o tinha visto.
Essa minha atitude provocou, como era de se esperar, a “morte” do fantasma e do seu terrível criador, o gerente geral de recursos humanos da empresa, que açambarcava para si os proventos do funcionário fantasma.

(Jorge Queiroz - 14/11/10, em ditado)Fonte da imagem:conexaopenedo.com.br

Um comentário:

  1. Não foi por acaso a forma com assumiu a nova função.A maneira como definiu o caminho acabou por lhe levar além, ao "além" mesmo! Acabou chegando ao fantasma!Grande abraço.

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