Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

sábado, 22 de outubro de 2011

UM ENCONTRO EMOCIONADO ENTRE DOIS AMIGOS...

Quem seriam aqueles dois amigos? Um deles era eu, que ingressava na área industrial de análise, onde me distraia com o controle de qualidade de fabricação.
Naquele época, no ano de 1954, eu era um Chefe de Planejamento e Controle da Produção e naquele dia daquele nosso encontro, eu via um homem nervoso e aturdido adentrando a porta do meu Departamento.
Era ele o Diretor Industrial da empresa e meu superior imediato. Homem de formação médica laboratorial, trazia nas mãos uma forma de aço inox e me pedia com muita ênfase que eu tivesse muito cuidado em garantir e assegurar a guarda daquela forma.
Sem entender, perguntei o significado daquele utensílio e ele me informou que a forma tinha o formato do rim da sua esposa. Lembro que suas palavras eram ditas com muita dificuldade e vejo diante de mim, até hoje, aquele homem com lágrimas nos olhos.
Frisou que como éramos amigos e trabalhávamos juntos, gostaria que eu zelasse por aquela forma como se ela fosse uma forma representativa de algo muito importante para mim.
Ainda sem entender, minha curiosidade me fez indagar a ele sobre a importância dela.
Visivelmente emocionado ele esclareceu que aquela forma tinha o formato do amor. Repetiu que era exatamente o formato do rim de sua esposa e onde dedicaria toda a sua força de saber da medicina para ajudá-la a viver por mais alguns anos.
A esposa estava vitimada de um carcinoma no rim direito e ele montava periodicamente, a cada seis meses, um rim de vitelo para que a doença estagnasse até a próxima substituição.
Os dois eram casados há mais de dez anos e tinham dois filhos, preparados com educação esmerada para atuar no mundo de hoje com sucesso. Aquela senhora, embora doente e portadora daquele mal, jamais deixou de exercer com afinco sua função social na ajuda de pessoas doentes como ela.
Aquele momento, em que ele preparava aquele rim artificial, era de pura emoção e meu abraço fraterno e emocionado, substituía qualquer palavra que eu pudesse lhe dizer.
Não preciso mencionar que a partir daquele momento, aquela peça foi considerada por mim como o ar que eu respirava, mantendo nosso segredo por mais de quatro anos, quando apesar de seus esforços, não foi mais possível mantê-la viva.
(Jorge Queiroz - 08/12/10, em ditado)

Fonte da imagem:dias.danilo.zip.net

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