Lendo e ouvindo a música

Desenhos de Jorge Queiroz da Silva

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um Alfa-Romeo contempla uma história contada errada


A década de oitenta estava iniciando e o BNDES fazia uma pressão junto à Diretoria Financeira da Empresa onde eu trabalhava, no sentido de aumentar as garantias do capital social em oitenta e cinco milhões de dólares, para possibilitar a expansão requerida pelo Grupo. Eu, como representante da Gerência Financeira, observando que o Presidente Honorário em empréstimos internacionais, afirmava, preocupado, sobre a grande dificuldade de trazer do exterior os dólares necessários, me coloquei à disposição para obter no Brasil tal valor. Aí iniciei um trabalho árduo junto às maiores empresas financeiras, no sentido de convencê-las a realizar o empréstimo. Nesse trabalho, identifiquei que parte dos vagões graneleiros que já haviam garantido empréstimos anteriores, poderiam suportar tal montante para o crescimento do capital social. Dirigi-me então à Diretoria Financeira, para colocá-la a par daquela minha idéia, no que fui imediatamente contestado e desativado daquela tarefa. Passados seis meses do prazo de exigência dado pelo BNDES, o contador geral, apresentou-me uma nota de compra de um Alfa-Romeo, novinho em folha, já vistada e autorizada pelo Presidente Honorário. Perguntei para quem era aquele automóvel e surpreso, não pude deixar de rir, quando ele contou que era um presente para o Diretor Financeiro, por ter tido a idéia de re-financiar os vagões graneleiros, para aumentar o capital da Empresa. Aí, naquele momento, percebi que minhas idéias deveriam ser guardadas a sete chaves, para não serem roubadas pelo meu superior imediato.

(Jorge Queiroz da Silva, em ditado - 25/03/11)

Fonte da imagem: carfolio.com

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